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Escola
Difícil decisão
Com
várias alternativas diferentes, o que pais e mães
precisam saber e fazer antes de escolher onde querem
matricular seu filho querem matricular seu filho
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| Mochilas:
Benetton; Brinquedos: PB Kids Pacaembu;Cabelo:
Douglas de Almeida |
Quais são os primeiros
sinais de que a criança se integrou aos colegas
na escola?
Não chorar ao ser deixada na
porta da escola e, ao chegar em casa, contar para
os pais o que fez e lembrar o nome de alguns dos
novos amiguinhos
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Para quem duvida
que pais e mães são todos produzidos num único forno,
uma sugestão. Dirija-se à porta de uma pré-escola num
início de semestre ou ano letivo, quando começam as
novas turmas, e observe o movimento. Enquanto as
crianças em geral estão animadas com a novidade, os
pais mostram o que pensam quando o portão se fecha
separando-os de seus pingos de gente com suas lancheiras.
As expressões variam, naturalmente, mas pais e mães
costumam ficar tristes e absolutamente inseguros com a
opção que fizeram de mandar para a escola uma criança
com apenas 2 anos, um quase bebê. E, mais precisamente,
para aquela escola da qual pouco ouviram falar, tinham
uma ou outra referência, mas nada que desse a eles,
digamos, a certeza da opção. Nas grandes cidades, há
centenas de escolas, todas custando mais ou menos a mesma
coisa e com aparência semelhante. O que essa escola tem
assim de tão especial? Decidir onde matricular seu filho
é tarefa tão complicada que nem os especialistas têm
uma resposta pronta sobre como fazer isso, uma espécie
de guia. Mas há alguns cuidados básicos a ser seguidos,
como forma de tornar a missão menos impossível.
Antes de tomar a
decisão, os pais precisam ter dois pontos bem claros. O
primeiro são as razões da sua insegurança. Há pais
mandando um filho para a escola porque nasceu outro
bebê. Outros, porque a mulher vai voltar a trabalhar ou
quer algumas horas a mais para si própria. Há ainda
quem apenas queira que seu filho conviva com outros de
sua idade. Como muitas mães até então não tinham
estado tanto tempo longe dos filhos quanto as três ou
quatro horas que eles vão ficar na escola, é normal que
elas se sintam culpadas. E isso faz aumentar a
insegurança quanto à escolha. "Quando os pais se
sentem assim culpados, é bom que pensem que, graças à
escola, seus filhos vão ficar mais independentes,
experientes e maduros", diz a coordenadora
pedagógica Ana Isabel Lima Ramos, do Rio Grande do Sul.
O outro ponto que precisa ficar claro é o que se deve
esperar de uma pré-escola. Embora seja tida como o
começo dos estudos, a escolinha do seu filho não existe
para alfabetizá-lo precocemente. Nesse momento, ela vai
ajudar seu filho a começar a compreender o que é sair
de casa todo dia e a conhecer os rudimentos do que
significa conviver em grupo.
Para escolher a escola do filho, os pais
não podem fazer outra coisa a não ser visitar os
estabelecimentos. Recebeu uma boa dica de um amigo?
Ótimo, considere qualquer sugestão de escola, mas não
deixe de visitar o lugar. Quer colocar a criança na
mesma escola onde o pai ou a mãe estudaram? Excelente,
já que tradição sempre conta pontos. Mas visite antes,
até para ver se o estabelecimento mantém a mesma
qualidade. Não há escola que resista a um olhar
criterioso. O espaço é amplo? Muito bom. As pias dos
banheiros estão colocadas na altura das crianças?
Ótimo. Há muitas escadas? Mau começo. São detalhes,
mas é aí que mora a diferença entre as escolas boas e
ruins. A médica carioca Rosa Helena de Carvalho Zarur,
de 35 anos, que contatou ou visitou nove escolas antes de
decidir onde matricular Letícia, de 1 ano e 7 meses,
chegou a descartar uma delas porque as funcionárias
responsáveis pela cozinha tinham as unhas sujas e não
limpavam direito a geladeira. Em outras, o que incomodou
Rosa foi o "clima" do lugar. "As crianças
estavam superquietinhas, apáticas, pareciam meio
tristinhas. Decidi cair fora", conta Rosa Helena.
Idealmente, as
escolinhas deveriam oferecer às crianças um ambiente
seguro e estimulante, supervisionado por adultos atentos
e preparados e nada mais. Tendo isso em mente, os pais
podem se preparar para fugir de algumas ciladas. Uma
delas é querer resolver a parada discutindo com a escola
sua linha pedagógica. A maioria delas diz seguir o
construtivismo, teoria surgida a partir do pesquisador
suíço Jean Piaget, que considera as crianças prontas
para aprender a partir de sua própria realidade, sem o
auxílio de cartilhas especiais. "Na prática, mesmo
escolas que dizem ter linhas diferentes são parecidas. O
que as diferencia realmente são o espaço, a disciplina
e a infra-estrutura que oferecem", diz Gisela
Wajskop, especialista em educação infantil do
Ministério da Educação. Cuidado também com as escolas
que se propõem a acelerar o desenvolvimento intelectual
do seu filho. A esmagadora maioria das crianças pequenas
não está pronta para a educação formal e
pressioná-las pode ser extremamente prejudicial. Outro
cuidado redobrado deve ser com a taxa de renovação dos
professores. Se são substituídos com freqüência e o
mais velho deles tem dois anos no estabelecimento, quem
poderá recomendá-los?
Há,
no entanto, um ponto central a ser observado: o preço.
Na hora de escolher onde vai colocar seu filho, saiba que
educar é um negócio em que gastar dinheiro é positivo
diferentemente dos supermercados, que vivem fazendo
promoções. Em outras palavras, preço baixo
definitivamente não é uma virtude pedagógica. Em
Salvador, uma pré-escola custa por volta de 300 reais
por mês. Em Brasília, sai por cerca de 400, em Porto
Alegre, 450, e em São Paulo e no Rio de Janeiro, entre
400 e 800 reais. O preço se justifica, entre outras
razões, porque as boas escolas têm professores ganhando
bons salários e mantêm uma média alta de
"tios" e "tias" por sala de aula.
"Os seis primeiros anos da vida escolar são os mais
produtivos e importantes na aprendizagem do ser
humano", diz a pedagoga paulista Regina Scarpa
Leite. "Estar numa boa escola nessa fase é
fundamental."
Ter a capacidade de ler mais cedo
do que as demais crianças quer dizer alguma
coisa?
Não. Quando a criança começa a
ler cedo, apenas demonstra eventual interesse por
livros
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Houve um tempo em
que as crianças iam para a escola com 6 ou 7 anos de
idade, para começar a alfabetização. Numa fase
seguinte, as crianças passaram a ser matriculadas aos 3
ou 4 anos. De dez anos para cá, a idade despencou no
Brasil e as crianças estão indo com 2 anos, ainda de
fralda. O maior motivo dessa antecipação, sabe-se, é o
aumento do número de mulheres no mercado de trabalho. Se
antes as crianças ficavam em casa sendo cuidadas por
elas, hoje têm de ir para a escola enquanto a mãe está
no trabalho. "Antes se achava que a creche era um
mal necessário, e hoje se sabe que é um bem
necessário", diz Aristeo Leite Filho, professor de
pedagogia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de
Janeiro.
A maior parte do
tempo que a criança fica na escola ela gasta brincando.
Para isso, tem materiais os mais variados, como canetas
coloridas, lápis de cera e toda sorte de tintas. Uma das
grandes diversões desse período é voltar para casa com
algum desenho ou colagem feito por ela própria. Quando a
escola é boa, a criança se diverte a ponto de querer
voltar no próximo dia, e pelos anos seguintes. Além do
lado lúdico, ir à escola cedo pode ser muito útil para
o aprendizado de matemática e a alfabetização. Foi o
que constatou uma pesquisa da Secretaria de Estado da
Educação de São Paulo, feita com 3.600 alunos das
primeiras séries do primário da rede pública estadual.
Entre os que fizeram a pré-escola, a média em
português e matemática foi quase 10% mais alta do que
entre os que não freqüentaram. Segundo os
especialistas, quem passa pela pré-escola também está
acostumado a esperar a vez na sala de aula, dividir o
brinquedo com o colega, sentar-se na hora que pedem,
evitar o que é proibido, falar em grupo, contar uma
história quando pedido, expressar o que pensa com
confiança, se sentir mais seguro no ambiente fora de
casa. Mesmo pais muito presentes não conseguiriam suprir
todos esses benefícios. "Quando vão para a escola,
as crianças dão o primeiro passo rumo ao mundo
exterior. Daí por que é preciso escolher um lugar de
alta qualidade", diz Leite Filho.
O que saber
do colégio
Escolher a
escola do filho é mais complicado do que apenas
verificar se a mensalidade se encaixa no
orçamento doméstico. Abaixo, seis itens
importantes aos quais prestar atenção quando
estiver visitando um colégio:
Agenda:
A boa escola mescla as atividades. Depois de um
trabalho que exige concentração, a criança
precisa de relaxamento ou de uma atividade
motora.
Apoio:
A escola precisa estimular a autonomia da
criança, incentivá-la a lavar as mãos, vestir
a roupa, cuidar da mochila e guardar os
brinquedos. O cardápio das refeições deve ser
elaborado com a orientação de nutricionista.
Espaço:
O ideal é que a escola tenha alguma área
verde e parquinho com brinquedos. Atenção para
as salas. Devem ser ventiladas e bem iluminadas e
ter boa acústica. Olho nos móveis. Não devem
ter quinas.
Passeios:
Para tornar o convívio mais agradável, é
conveniente que a escola promova viagens curtas e
passeios. Alguns colégios distribuem uma agenda
com os telefones dos colegas para viabilizar
encontros nos finais de semana.
Professores:
Além de qualidade, quantidade é item importante
no corpo docente. Um professor pode cuidar de
doze crianças, desde que tenha um ajudante para
auxiliar nas refeições e na higiene.
Reuniões:
Além de poder contar com comunicados freqüentes
e reuniões, os pais devem ser bem-vindos a toda
hora, desde que não atrapalhem a rotina das
crianças.
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