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Alimentação
Só um
pedacinho
Por que é
errado insistir para que os filhos comam
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| Cadeira:
O Antiquadrio |
Por que quem sempre comeu de tudo
pode passar a não querer comer mais?
Quando troca a papinha por
comidas sólidas, é normal que a criança coma
menos porque o apetite diminui
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O pediatra paulista
Werther Brunow de Carvalho gosta de recordar o caso que
recebeu em seu consultório há uns dez anos. Uma mãe
levou seu filho de apenas 1 ano de idade e contou seu
problema. O pequeno João Paulo só comia no elevador. Ou
seja, por mais que a mãe tentasse, o garoto só
concordava em comer o que lhe serviam se pudesse passear
por entre os andares do prédio onde morava. Como a mãe
se desesperava com a possibilidade de seu pequeno passar
fome, atendia, ainda que enfrentasse a expressão de
espanto da vizinhança. Com o tempo, deu-se conta do
exagero e achou melhor procurar um especialista.
"Como eu faço para ele comer direito sem o
elevador?", queria saber a mãe. Ela estava um pouco
envergonhada porque meninos de 1 ano não têm capacidade
para sugerir que o elevador sirva de sala para as
refeições. Se isso aconteceu, foi idéia dela. A
resposta do pediatra vale para todas as mamães e papais.
Se seu filho ou filha não quer comer, o problema é
dele. Aos pais, cabe a tarefa de definir um cardápio e
colocar um prato variado sobre a mesa. Quanto a criança
vai comer, ou se ela vai comer, fica por conta dela
própria.
Há razões de sobra para que os pais se
preocupem com a alimentação dos filhos. Crianças
desnutridas crescem menos e têm desenvolvimento
intelectual inferior. Mas desnutridas são as crianças
da Etiópia, que infelizmente morrem mesmo de fome. Seu
filho pode até não querer aquele peixe que você mandou
comprar no mercado, desprezar os legumes e ficar só no
arroz. Mas, quando a fome apertar, ele come. O apetite da
criança varia com a idade. Enquanto apenas mama no
peito, o bebê nunca diz não. Quando se introduz a
papinha, lá pelo sexto mês, também é raro ver algum
bebê fechar a boca. Os problemas podem surgir a partir
do primeiro aniversário, e há uma razão biométrica
para isso. Ao completar 1 ano, espera-se da criança que
pese três vezes mais do que quando nasceu. Para isso
precisa comer. Já do primeiro para o segundo ano,
aumentará o peso em 20%, taxa que decresce ano a ano. Ou
seja, é normal que um bebê que sorvia um prato cheio de
papinha não tenha o mesmo apetite nos anos seguintes.
A preocupação
excessiva com a alimentação pode ter um efeito
colateral: a obesidade. Quando os filhos são pequenos,
os pais se orgulham de mostrar que são
"fortes", "grandes" e têm "bom
apetite". Quando chega aos 15 anos, é comum que
esse adolescente "forte" e "grande"
procure o psicólogo ou o endocrinologista para fazer
regime. Entre outras sugestões (veja quadro abaixo),
os especialistas dão uma boa dica: durante as
refeições, a criança pode comer o que quiser, quanto
quiser e pedir bis. Fora de hora, não dê nada. Nem uma
batata frita.
Cuidados à mesa
Seis dicas para que seu filho se alimente
direito
Não o force a comer.
Se ele ficar com fome, vai alimentar-se na
próxima refeição
Sem comida fora de hora. Diminui
o apetite no almoço e no jantar
Deixe-o comer com as mãos.
Ele se diverte manipulando a comida
Nada de recomensa. Prometer
uma sobremesa em troca da sopa acentua o desprezo
pela comida
Sem aviãozinho. Na
hora de comer, nada de mimar a criança
Lição dos pais. Não
adianta dar a ele espinafre enquanto você come
um sanduíche
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