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Brincadeira É coisa sériaBrincando,
a criança aprende coisas
Os pais querem criar bem os filhos e fazem de tudo para ajudar no desenvolvimento de sua linguagem e de suas habilidades motoras. Curiosamente, nem tantos se preocupam com o que a criança faz de mais importante na vida: brincar. Através da brincadeira, ela começa a aprender como o mundo funciona, o que pode e o que não pode ser feito. Empilhando e encaixando peças, ela adquire noções espaciais e faz as primeiras tentativas de organização do mundo. Quando produz sons batendo objetos, desenvolve conexões mentais e corporais que vão ajudá-la a falar e a andar. Repetindo brincadeiras à exaustão, digere as emoções, confirma e consolida um aprendizado. Jogando com os outros, começa a perceber que existem regras, sorte, possibilidades e conhece o valor da perseverança. A criança brinca instintivamente para descobrir o mundo e se ajustar a ele. Aos adultos cabe o desafio de não atrapalhar esse desenvolvimento, estimulando a brincadeira e interferindo o menos possível. Um dos valores mais importantes que a criança aprende brincando é que, quando perdemos, o mundo não acaba. Se ela perde o jogo, pode ganhar na próxima vez, ou na seguinte. Para isso, os pais não devem passar aos seus filhos a impressão de que o mais importante é vencer. Em vez disso, convém enfatizar a diversão. As crianças precisam entender que perder não é sinônimo de inferioridade, da mesma forma que ganhar não demonstra superioridade. A criança começa a brincar antes mesmo de poder sentar ou engatinhar. Já aos 2 meses, diverte-se com as cócegas e risadas dadas pelos pais junto ao berço. A brincadeira é tão importante para as crianças que a psicologia a utiliza até mesmo como forma de tratamento. É a ludoterapia. "Brincar é o principal instrumento para a criança construir a própria individualidade", afirma a psicanalista mineira Sandra Kruel.
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