Limites

Não, não e não

Impor e fazer valer regras em casa
é tarefa das mais difíceis

Como conviver com filhos bagunceiros?

Com paciência, os pais devem limitar o espaço da bagunça e garantir que se restrinja ao quarto dos filhos. Com o tempo, e percebendo que esse é um valor da casa, a tendência é mudar a atitude

Aqueles que já criaram seus filhos sabem que o maior desafio na vida de um pai e de uma mãe é impor limites dentro de casa. Isso pode, tudo bem. Aquilo não pode, e acabou. Para fazer isso, não basta ser firme e falar com autoridade. É preciso paciência para dizer não tantas vezes quanto necessário. A criança vai fazer cara feia, vai gritar, espernear, dizer que não te ama mais, e é nessa hora que os pais mostram se têm força ou se é a criança quem dá as cartas. Os benefícios de colocar limites compensam. Tanto para a segurança física da criança — quando a impedimos, por exemplo, de pôr o dedo na tomada ou mexer no armário de remédios — como no sucesso em sua vida social. "Tendo regras dentro de casa a preparamos para a vida real, onde nem tudo acontece do jeito e na hora que queremos", diz a psicóloga escolar paranaense Vera Regina Miranda Gomes da Silva. Quem não aprende quando é pequeno pode sentir-se perdido em ambientes onde há regras. "Se aos 5 anos seu filho quebrava os bibelôs e você não dizia nada, não adianta tentar impedi-lo de pegar o carro na adolescência", observa Vera Regina.

Assim como qualquer adulto, a criança adoraria fazer só o que tem vontade. O que nos diferencia delas é que já entendemos que nem tudo é possível e elas ainda vão se dar conta disso. Com os pequenos, o negócio é ação. Falar a um bebê que começou a andar que é proibido mexer naquele vaso de cristal não vai adiantar porque ele insistirá em pegar o objeto do desejo. O correto, segundo os especialistas, é tirá-lo da vizinhança do vaso e, se ele voltar, tirá-lo dali novamente. Para os maiores, deve-se colocar as regras de convivência em grupo. "Tem de ficar claro que bater no colega tem uma conseqüência sobre a felicidade do outro", diz a psicóloga Clary Milnitsky Sapiro, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Falhar na tarefa de impor limites pode, inclusive, dificultar o relacionamento entre pai e filho. "Se tudo é permitido, a criança se sente abandonada, acha que ninguém tem um olhar de cuidado sobre ela", explica Clary.




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