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Motor
Rápidos e
espertos
Graças ao
estímulo que recebem dos pais, as
crianças de hoje evoluem em velocidade maior
do que os nossos antepassados

Quando é hora de tirar a fralda?
Por volta dos 2 anos de idade,
quando a criança começa a ter algum controle. A
dica é tentar fazê-lo próximo ao verão,
quando o bebê não precisa de tanta roupa
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Comparado às
outras espécies animais, o ser humano tem um
desenvolvimento motor dos mais lentos. Com apenas 15 dias
de vida, um filhote de cachorro já amadureceu sentidos
como a audição e a visão e desenvolveu toda sua
habilidade motora. Já o bebê leva trinta dias apenas
para levantar a cabeça e seis meses para enxergar com a
nitidez e a clareza de seus pais. Um bezerro anda pouco
depois de nascer e um potro precisa de um só dia para
galopar. Até andar, cambaleante como se estivesse de
pileque, a criança precisa de um ano ou mais. O
desenvolvimento humano é lento dessa forma porque o
cérebro da criança está sendo programado para
atividades sofisticadas e complexas, que envolvem o
raciocínio, a linguagem e o amadurecimento das
emoções. Os animais, por sua vez, estão preparados
para realizar tarefas básicas, como caçar, rosnar e
lutar pela sobrevivência.
Como pai e mãe
ficam enlevados com as realizações de seu filho, que a
cada dia faz um movimento novo levemente distinto do que
fez no dia anterior, a lentidão do desenvolvimento
humano chega a ser imperceptível, e o que fica é a
beleza da evolução. É o primeiro dente, primeiro
passo, primeira palavra, primeira doença, primeiro
sapato, primeira noite inteira de sono. "Quando a
Marina faz algo de novo que não havia feito antes, é um
momento mágico", diz a professora de inglês Lígia
Saade, de São Paulo, mãe de uma menina de 2 anos. É
assim mesmo. Num certo dia, no segundo mês, o bebê
começa a olhar para os lados e observa a existência de
umas manchas na lateral do berço. São as estampas do
protetor de pano que para ele estão fora de foco, mas
ainda assim são muito interessantes. Mais uns dias e o
bebê movimenta os olhos para a direita e para a
esquerda, acompanhando um riscado que os dedos do pai ou
da mãe desenham no ar. Mas o bebê ainda não vira a
cabeça, e se os dedos forem muito ágeis ele os perde no
caminho. Todo o desenvolvimento da criança é assim.
Rápido para nós, lento na comparação com as outras
espécies.
Se deixarmos os animais de outras
espécies de lado e compararmos o desenvolvimento motor
da criança de hoje com o da criança de ontem, vamos
também detectar uma diferença de velocidade.
"Aparentemente, nossas crianças estão evoluindo
mais rapidamente, pois há mais estímulos dos pais e do
ambiente", afirma Maria da Graça Nunes, professora
de neuropsiquiatria da Universidade Federal de Goiás.
Há trinta anos, os médicos achavam que o bebê
recém-nascido não ouvia nem enxergava. Naquela época,
acreditava-se que, para ficar com a coluna e o pescoço
duros, o recém-nascido precisava ficar dias enrolado em
uma coberta. Como os bebês escutam, enxergam e enrijecem
a coluna e o pescoço rapidamente de forma natural, a
crença equivocada privava as crianças da época da
estimulação. Afinal, se o bebê não escuta, de nada
adianta conversar com ele. Se não vê, não há razão
para colocar sobre o berço móbiles coloridos que
atraiam sua atenção. Era assim que se fazia. Os pais
não conversavam com seus bebês, não batiam palmas,
não chamavam sua atenção. Os bebês, em resposta,
demoravam mais a aprender as coisas.
Hoje em dia, pais e
mães estimulam seus filhos desde o nascimento até mesmo
sem perceber. Estimulam a visão quando compram ou ganham
um chocalho de cores fortes para o recém-nascido.
Estimulam a audição quando colocam ao lado do berço
uma caixinha de música. Antes de completar 6 meses, a
criança já terá tido contato com uma dezena de
brinquedos bastante apropriados para sua idade coisa
impensável para um bebê da década de 60. São espelhos
inquebráveis que vão deixá-lo maravilhado, bolas
macias que fazem barulho, sininhos que o encantam,
objetos macios de plástico que ele pode apertar e
morder. Uma corrente científica atribui a isso o
desenvolvimento mais rápido dos bebês.
Do ponto de vista motor, quase tudo o que
um adulto necessita para viver será adquirido durante o
primeiro ano de vida. São doze meses em que a criança
vivencia as origens dos movimentos. Entre 1 e 3 meses,
ela começa a sorrir e imita alguns movimentos e
expressões faciais dos adultos. Entre 4 e 7 meses,
consegue sentar. De pé, se apoiada, sustenta o peso do
corpo com as pernas e consegue transferir objetos de uma
mão para outra. Até 1 ano, fica em pé e pode dar
alguns passos sem apoio. A partir daí, só aprimora o
que já sabe correndo, chutando bola, subindo e descendo
escadas, vestindo-se, levando o garfo à boca, para citar
algumas das habilidades motoras mais comuns. "O mais
importante do desenvolvimento motor é que, pegando
objetos ou se locomovendo, a criança vai formando a base
de todo seu raciocínio abstrato", afirma o
neurologista José Salomão Schwartzman, da Universidade
Mackenzie, de São Paulo.
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| Brinquedos:
PB Kids Pacaembu |
Por
que as crianças adoram subir escadas?
Porque
representa um ato de aventura, bem de acordo com
o espírito de uma criança pequena. Nessa fase,
toda atenção é pouca
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Para aqueles que
adoram comparar o desenvolvimento do seu filho com o de
outros bebês, um aviso. O ritmo do desenvolvimento motor
varia de criança para criança. Ou seja, um bebê pode
andar com 10 meses e outro com 1 ano e 2 meses, sem que o
primeiro seja um gênio e o segundo, uma pessoa atrasada.
Existem poucas verdades a respeito do ritmo dessa
evolução. Sabe-se, por exemplo, que as meninas se
desenvolvem mais rápido do que os meninos. Andam e falam
antes. Também é sabido que crianças que brincam com os
pais evoluem com maior rapidez. Mas é importante não
confundir velocidade com inteligência. Sentar, andar ou
correr cedo não é sinal de inteligência acima da
média. A velocidade e a forma de crescimento representam
simplesmente a soma de uma herança genética com a
influência do ambiente. O importante é saber que não
existem duas crianças com o mesmo padrão de
desenvolvimento. Portanto, qualquer tabela, qualquer
livro, mesmo os dados contidos nesta edição devem ser
tomados como um guia, não como um ditado.
Ainda assim, muitos
pais forçam para que seus filhos queimem etapas. Por
exemplo, há os que compram triciclo para uma criança
com 1 ano de idade, quando ela só estará apta para
pedalar a partir dos 2 anos e meio. O treino precoce pode
gerar ansiedade e até um problema emocional. Além
disso, ela não está física e intelectualmente
preparada para tal tarefa. O desenvolvimento é uma
seqüência cuidadosamente planejada. O recém-nascido
nasce com uma certa rigidez muscular resultante do tempo
em que ficou encolhido no útero da mãe. Aos poucos, a
rigidez vai desaparecendo e ele ganha flexibilidade e
força para algumas atividades grosseiras, como balançar
os braços, rolar e sentar, e outras mais sofisticadas,
como virar as folhas de um livro e desenhar. Antecipar
qualquer um desses progressos não será útil para a
criança. O mesmo acontece com o andar. A criança
primeiro sustenta a cabeça, depois se senta. Com força
tanto nos braços como nas pernas, engatinha, fica em
pé, dá uns passos e anda. Se os pais procuram antecipar
esse momento, seja através do andador, seja por meio de
estímulos verbais, ela pode até vir a andar antes. Mas
tanto a musculatura como a sua estrutura emocional podem
não estar ainda preparadas. Resultado: uma série de
quedas e tombos que vão deixá-la insegura para futuras
explorações. "É como treinar um animal: ele
repete o que você está fazendo, mas ninguém espera que
seu filho aprenda de modo irracional, na base
simplesmente da repetição. É importante respeitar a
faixa etária da criança", alerta o neurologista
infantil do Instituto da Criança, da Universidade de
São Paulo Erasmo Barbante Casella.
O que eles fazem e com que idade
Quando as crianças desenvolvem as habilidades
que tanto alegram os pais
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Brincar com
chocalho
Ocorre quando a criança constata que, ao
mexer certas partes do seu corpo, ela
produz sons e movimentos |
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Levar o pé à
boca
O bebê começa a fazer isso
quando associa a habilidade motora à
capacidade de acompanhar com os olhos os
movimentos que faz com as mãos |
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Empilhar objetos
É um indicador fundamental do
desenvolvimento motor. Depois de perceber
que os objetos podem ser movimentados,
constata que se firmam uns sobre os
outros |
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Folhear livros
Dotada de uma habilidade maior
com os dedos e as mãos, consegue virar
duas a três páginas de cada vez |
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Subir escada
Depois de fortalecer sua
musculatura e aprender a andar, a
criança, amparada pelos pais, sobe
escada apoiada no corrimão quando apura
o senso de equilíbrio |
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Chutar bola
É o primeiro movimento com as
pernas que não tem relação com o ato
de andar. Até então, a criança podia
brincar com a bola mas não conseguia
direcionar o pé para chutá-la |
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Andar de triciclo
Diferente do engatinhar, do
andar e até de chutar a bola, pedalar
não é um ato instintivo. Assim como
para nadar, a criança precisa de
estímulo |
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Segurar o lápis
É um aprimoramento da mesma
habilidade que permitiu à criança
folhear o livro. Até então, ela
agarrava o lápis de qualquer maneira.
Agora, segura à maneira do adulto |
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Lavar o rosto
Com capacidade para controlar a
própria força e segurança nos
movimentos, consegue fazer uma concha com
as mãos e levar a água ao rosto |
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Vestir a roupa
Vencidas as mais importantes etapas do
desenvolvimento motor, tem equilíbrio e
coordenação para os até então
complicados movimentos de colocar e tirar
calça e camiseta |
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