Amamentação

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Estudo mostra que o leite materno
pode aumentar a inteligência

Quanto mama um bebê nos primeiros meses?

Em média, 100 mililitros por quilo de peso a cada dia. Um recém-nascido, de 3,5 quilos, mama 350 mililitros, o equivalente a uma lata de refrigerante

Está provado que o leite materno é vital para o bebê porque contém anticorpos contra uma série de doenças. Bebês alimentados no peito têm menos doenças de ouvido, menos infecções respiratórias e menos alergias do que os bebês de mamadeira. Para a mãe, amamentar diminui as chances de ter um câncer no seio e acelera o processo de perda de peso após a gestação. Há ainda uma propriedade mágica. A amamentação auxilia na construção de um insubstituível vínculo afetivo entre mãe e filho. Tudo isso está confirmado por especialistas, que agora se debruçam sobre uma outra propriedade relacionada ao leite materno. Será que ele pode também fazer crianças ficarem mais inteligentes?

A ciência não tem resposta para essa pergunta, mas as pesquisas indicam que o leite materno pode ter alguma propriedade ligada ao desenvolvimento da inteligência. Durante um período que variou entre oito e dezoito anos, estudiosos da Nova Zelândia acompanharam um grupo de 1.000 crianças. Eles concluíram que quem mamou por mais de oito meses apresentava um Q.I. maior quando estava entre 8 e 9 anos de idade. Nos Estados Unidos, outro grupo de pesquisadores chegou à mesma conclusão depois de comparar o desenvolvimento de crianças que tomaram leite materno com aquelas que foram alimentadas com outro tipo de leite. "É difícil dizer para as mães que seu filho vai se tornar mais estúpido e doente se ela não amamentá-lo no peito", diz Lawrence Gartner, da Academia Americana de Pediatria. "Mas é isso que os trabalhos estão mostrando." A recomendação da Academia Americana é que os bebês devem ser amamentados com leite materno pelo menos até o sexto mês de vida.

Não se sabe exatamente o que faz o leite materno ser tão bom para o cérebro, mas a resposta está na sua composição. Uma mistura precisa de enzimas, proteínas, aminoácidos e ácidos graxos transforma esse leite num produto tão sofisticado que a indústria de alimentos jamais conseguiu reproduzi-lo -- nem mesmo com a ajuda dos mais experientes engenheiros. Cada um de seus ingredientes tem utilidade. Os ácidos graxos são fundamentais para o desenvolvimento neurológico da criança. São o tijolo de construção do cérebro. Presentes em quantidade mínima no leite animal, não existem em nenhum outro alimento, apenas no leite materno. Alguns aminoácidos são a base do amadurecimento da retina. Apesar disso, uma pesquisa feita pelo Ministério da Saúde mostra que 40% dos bebês param de mamar antes dos 6 meses. "É preciso fazer uma grande campanha para que a mulher retome esse hábito tão natural", afirma o médico gaúcho César Victora, perito em nutrição pela Organização Mundial de Saúde.




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