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Fertilização Artificial
Mão à natureza
Técnicas
mais refinadas ajudam os casais a engravidar
Quais são as chances
teóricas de uma mulher ficar grávida?
As chances variam, mas pode-se
falar em uma em cinco tentativas a cada mês
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Quando a natureza
falha, a medicina tem dado uma mão tão grande que se
pode dizer que nunca foi tão fácil ter filhos. Desde
1978, quando a menina Louise Brown foi apresentada como o
primeiro bebê de proveta do mundo, as técnicas de
fertilização evoluíram bastante. Há hoje cinco formas
mais usadas de permitir aos casais que realizem o sonho
da maternidade. Elas podem ser divididas em duas
famílias: a inseminação artificial e a fertilização
in vitro. Na inseminação artificial, além de se
induzir a ovulação, os espermatozóides do pai são
recolhidos, tratados e introduzidos no útero materno. Na
fertilização in vitro, óvulos são retirados,
fecundados em laboratório e recolocados no útero da
mãe. Depois, é torcer para que dê certo. No início da
década de 80, as primeiras experiências com a pioneira
fertilização artificial não ultrapassavam 5% de
sucesso. No final dos anos 90 as chances são entre
quatro e sete vezes maiores. "Mais do que aumentando
estatísticas, estamos conseguindo viabilizar o sonho de
muitos casais que querem ter um filho, tentam, mas não
conseguem", diz o ginecologista e obstetra Álvaro
Petracco, professor da Pontifícia Universidade Católica
do Rio Grande do Sul, especialista no assunto.
A fertilização
assistida está se sofisticando de tal modo que oferece
alternativas quase sob medida para cada caso. Uma das
técnicas mais eficientes utiliza uma agulha cujo
diâmetro é sete vezes menor do que um fio de cabelo.
Com ela, o médico isola um único espermatozóide e pode
introduzi-lo no óvulo. Desenvolvida por cientistas
belgas em 1991, essa técnica revolucionou a história da
concepção assistida ao viabilizar a gravidez mesmo nos
casos mais difíceis de infertilidade masculina.
"Esse tipo de micromanipulação funciona inclusive
em homens vasectomizados ou com ausência de
espermatozóide no testículo", informa o urologista
Roger Abdelmassih, que fez a primeira cirurgia
bem-sucedida desse tipo na América Latina. Já para as
mulheres que querem ter filhos, mas preferem adiar o
projeto enquanto investem na carreira profissional, a
ciência está aprimorando a gravidez através de óvulos
que foram congelados antes da fertilização. Com a nova
técnica, em breve as mulheres vão poder estocar seus
óvulos para ter filhos quando bem entenderem, e não
apenas enquanto a natureza permitir. Mais incrível é
que, como está congelando o óvulo, a mulher pode
decidir mais tarde não só a data da gravidez, mas
também o homem que lhe cederá os espermatozóides.
Recentemente, chegou ao Brasil uma
técnica que permite aumentar a chance de gravidez na
primeira tentativa que, nas melhores clínicas, não
passa de 30%. O embrião é cultivado em uma substância
que reproduz as condições das trompas, o que permite
que ele seja implantado na mulher até cinco dias após a
fecundação. Mais maduro, tem mais chance de se fixar na
parede do útero. Antes, o óvulo fecundado agüentava no
máximo dois dias fora da barriga da mãe. Como os casais
que procuram a fertilização artificial têm grande
dificuldade para engravidar, os médicos estão também
trabalhando firme em exames para garantir que a
fecundação tão esperada possa ser feita com um feto
que tenha saúde total. O que está perto de se conseguir
é garantir aos pais uma criança saudável, livre de
doenças congênitas e malformações. Um recurso não
disponível nas gestações naturais, já que, nesses
casos, é impossível selecionar o embrião.
Um desses exames é
o diagnóstico genético pré-implantação, conhecido
como biópsia do embrião. Depois de fertilizado o
embrião, retira-se uma das células para análise de
até sete tipos de cromossomos diferentes. Doenças como
hemofilia e síndrome de Down, entre outras, podem ser
detectadas nesse exame. E então são transferidos para o
útero apenas os embriões saudáveis. Na opinião do
ginecologista Paulo Serafini, especialista da área de
fertilização assistida e diretor da clínica
Huntington, no Espírito Santo, "nos próximos cinco
anos vamos conseguir mapear totalmente o embrião e
garantir que aquela criança será totalmente normal.
Será um grande alívio para os pais".
Agora que domina a técnica da
fertilização, a ciência se dedica a aprimorá-la, o
que significa reduzir o número de embriões implantados,
para diminuir o risco de gêmeos. À primeira vista, uma
gravidez múltipla pode parecer um prêmio aos olhos dos
pais. Na verdade, pode representar um grande risco para a
vida da mãe e dos próprios bebês. "A
competitividade leva os profissionais a implantar até
dez embriões, para aumentar a chance de sucesso",
afirma Serafini. "Isso acaba aumentando a
ocorrência de gêmeos." No Brasil, são realizadas
por ano 3.500 tentativas de conseguir um bebê por
proveta. Nos Estados Unidos, esse número é dez vezes
maior. É ainda muito pouco, mas há um grande empecilho
para o aumento do número de tentativas: o preço. A
fecundação através de proveta custa por volta de 6.000
reais. Como a chance de um tratamento ser bem-sucedido é
de 25%, o casal pode esperar um investimento financeiro
pesado. Não só financeiro, mas um investimento de tempo
também. No espaço de dez anos, a psicóloga paulista
Marisia Gualtieri, 36, submeteu-se a dez tentativas de
inseminação artificial e três de fertilização in
vitro até a chegada de Pedro, hoje com 2 anos e meio.
Enfrentando
o relógio
Até um
tempo atrás, as mulheres obrigavam-se a orientar
suas vidas por um relógio biológico
implacável, cujos ponteiros a avisavam de que o
momento de ter filhos tinha hora para acabar. A
partir dos 35 anos, as possibilidades de
engravidar caem para em torno de 60% do que eram
aos 25. Aos 40 anos, a mulher tem apenas cerca de
50% de chance de ter filhos. Um dos grandes
benefícios da fertilização assistida é
permitir à mulher que queira ter filhos atrasar
o projeto até o limite. Ou seja, se a natureza
lhe nega esse direito, a medicina pode ajudá-la.
No momento em que a mulher investe na carreira,
quer ascender a cargos mais altos, ter filhos
não deixou de fazer parte dos seus planos, mas
ficou para mais tarde. Uma gravidez aos 20 ou 25
anos pode ser inoportuna. Para um em cada cinco
casais que não conseguem ter filhos, a
fertilização assistida também é a única
esperança.
Em torno da
fertilização assistida, no entanto, há algumas
questões a ser lembradas. Uma delas é a
angustiante "redução". Ela acontece
quando a mulher recebe um número alto de óvulos
fecundados, todos vingam, mas é melhor retirar
alguns para aumentar a chance de sobrevivência
dos que ficam. É um procedimento proibido pelo
Conselho Federal de Medicina, mas ainda assim
praticado em algumas clínicas particulares. Uma
segunda questão em torno do tema é o desgaste
psicológico quando o projeto fracassa, problema
levantado normalmente por psicólogos e
psiquiatras. A medicina ajuda bastante, mas não
faz milagres e existem alguns casos sem
solução.
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