Apresentação

O nascimento dos pais

Como aquela coisinha amassada e de olhos
fechados vai mudar completamente a sua vida

Roupa: Na Barra da Saia; Edredon: Veranda Linens

Quando o bebê pode ver com clareza e nitidez?

Por volta dos 3 meses. Antes disso, ele enxerga apenas sombras. Com 8 meses, terá visão total

É importante levar seus filhos para passear?

A criança é ávida por novidades e, conhecendo novos universos, ela estimula sua curiosidade

Sempre que nasce uma criança, nascem também um pai e uma mãe. É sobre esse nascimento triplo que trata a edição especial VEJA-Sua Criança. Desde muito cedo, seu filho irá amá-los sem perguntas ou pedidos. É um amor desinteressado e sincero, como nem sempre se consegue experimentar em outras relações. Ele acredita em vocês, na sua força, na sua capacidade. Sente-se diante da perfeição. Ninguém deixa o filho mais tranqüilo do que o pai ou a mãe. Curiosamente, embora a criança dependa dos pais, ela quase sempre demonstra ser o elo mais seguro da relação. O bebê percebe rápido que basta chorar para mamar ou ter a fralda trocada. Já o pai e a mãe ficam sem saber muito bem o que fazer quando aquela coisinha de cara amassada e olhos fechados fica com cólica, mama muito pouco ou acorda de madrugada. Quanto mais você aprende sobre ele, muito mais ele estará aprendendo sobre você. Rapidamente o bebê percebe que o fato de ser pequeno dá a ele o poder de chamar a atenção com um choro manhoso aqui, um "não qué" para uma comida acolá. Quando os pais percebem isso, normalmente já atravessaram uma noite em claro porque o filho se recusa a dormir e também já brincaram de aviãozinho para tentar fazê-lo comer aquele restinho de sopa.

VEJA-Sua Criança concentrou-se sobre temas de interesse de quem tem filhos de até 5 anos de idade. A escolha dessa faixa etária ampara-se em trabalhos científicos. Os cinco primeiros anos são os mais vibrantes de toda a vida. É a fase das descobertas. Nessa etapa, as crianças lançam as bases da formação da personalidade, inclusive características como uma certa tendência para ser mais extrovertidas ou envergonhadas. O cardápio desta revista é bastante variado. Para quem está esperando um bebê, entre outras reportagens, há uma explicando como a medicina fetal garante uma gestação mais segura e elimina quase todas as dúvidas sobre a saúde da criança que vai nascer. Para os pais de recém-nascidos, há artigos contando por que os bebês deste final de século se desenvolvem mais rápido do que seus pais e avós. Para os que têm filhos em torno dos 2 anos de idade, há uma reportagem sobre como funciona o raciocínio infantil e por que eles inventam personagens e amigos invisíveis. Pais de crianças mais velhas podem-se interessar mais em ler sobre o comportamento delas numa reportagem que conta por que algumas são malcriadas e outras bem-comportadas. A maior parte dos textos, no entanto, interessa a todos os pais de crianças dessa faixa de idade.

Como forma de oferecer um serviço ao leitor, há várias dicas sobre o que a mulher pode e o que não pode fazer durante a gravidez, truques para as crianças comerem melhor, para escolher a escola onde os pais querem matricular os filhos, para impor limites em casa, entre outros. E também alguns testes: seu filho é hiperativo? Você é superprotetor? Você sabe o que seu filho vê na televisão? Espalhadas pelas reportagens, o leitor vai observar fichas com o resultado de uma pesquisa nacional feita com pais de crianças entre zero e 5 anos. Vai encontrar ainda quadros com perguntas e respostas em que são esclarecidas as principais dúvidas dos pais sobre como criar os filhos. As respostas, obtidas junto a uma dezena de especialistas, são sempre claras e objetivas.

A preocupação de VEJA foi realizar um trabalho jornalístico, e não substituir o papel de médicos e psicólogos. Em outras palavras, as informações aqui publicadas não são mais importantes do que a palavra do pediatra de sua confiança. Até porque a criação dos filhos opera sob a mesma máxima da Justiça. Cada caso é um caso. O que a revista se propõe a realizar é um serviço útil, principalmente depois que a popularização da psicologia e o folclore educacional contribuíram para difundir certas idéias exageradas a respeito de criar filhos. Durante as duas últimas décadas, virou consenso entre pediatras e psicólogos que dar um tapa num filho deveria ser tratado como um quase crime, ainda que se estivesse falando de uma palmada mais forte na mão. Há cerca de um mês, a Academia Americana de Pediatria decidiu rever essa posição radical. A prestigiada entidade já aceita que uns tapas dados sem violência podem ter algum efeito pedagógico nos casos de rebeldia mais graves. Outra corrente entendia que as crianças sofrem terremotos afetivos ao menor sinal de desatenção dos mais velhos. Quem não ouviu alguma história sobre crianças que se transformaram em adultos egoístas ou inseguros por culpa de pais ausentes?

São mudanças de postura que produzem intranqüilidade. Segundo especialistas, os pais vão ganhando alguma segurança enquanto seu filho se desenvolve fisicamente, mas nunca estão muito seguros a respeito do desenvolvimento emocional e intelectual da criança. Nessa brecha, é comum que recebam sugestões freqüentes sobre como estimular os filhos com o auxílio de brinquedos, jogos, exercícios, computador etc. Estimulação é palavra tão repetida que fica parecendo que pai e mãe devem transformar sua casa numa espécie de laboratório, onde a criança deve ser iniciada em tudo: línguas, esportes, contato com cartões coloridos, entre outras coisas. Claro que os bebês e as crianças precisam de certa estimulação. Mas ela pode ser obtida no dia-a-dia, nas brincadeiras, passeios, viagens, na escola, nas visitas aos avós no final de semana, nas festinhas. Não há nenhuma prova científica de que a estimulação intensiva pode fazer seu filho ficar mais inteligente ou esperto. Sobre esse e outros assuntos fica difícil separar verdades e mentiras, fatos e boatos e concentrar-se unicamente naquilo que importa, desprezando o resto. É isso que faz VEJA-Sua Criança.




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