Carta ao Leitor

Trabalho inédito

Quem já tentou fotografar um bebê ou uma criança pequena sabe como é árdua a tarefa de conseguir uma boa cena. Diferente dos modelos adultos, com quem se pode combinar uma expressão, com os bebês e as crianças pequenas não há acerto possível. Eles jamais posam para a câmera, fazem careta só quando bem entendem e, se resolvem que a sessão de fotos acabou, não há o que os possa convencer do contrário. Para ilustrar esta edição especial, VEJA passou por essa experiência inesquecível ao fotografar não uma, mas trinta crianças. O trabalho é tão complexo que demorou um mês para acabar. Levadas para um estúdio, acontecia de tudo. Houve dia em que a criança aparentemente mais adequada para ilustrar uma reportagem simplesmente desistiu de ser fotografada porque não queria vestir a roupa escolhida. Outra só concordou em fazer a foto se, em vez do brinquedo escolhido pela equipe de produção, pudesse aparecer na foto ao lado de um outro que ela encontrou no camarim. Às vezes tudo parecia ir bem e a criança era risonha. Mas quando as luzes do estúdio eram ligadas, ela começava a chorar. "Quem vê o resultado final não tem idéia, mas fotografar crianças é uma das mais difíceis tarefas de um profissional", diz Maria Cecília Marra, diretora de arte de VEJA, responsável pela concepção visual e pelo acabamento gráfico desta edição.

Para que o material fotográfico atingisse um alto nível, foram feitas mais de 1.500 chapas. Como forma de acalmar os mais irritados, foram distribuídas oitenta caixinhas de sucos, cinqüenta garrafas de refrigerante, quarenta pacotes de bolachas e cinqüenta pirulitos. O zelo pelas fotografias serve apenas de exemplo para mostrar o cuidado com que esta edição foi feita. Para realizar um trabalho de tamanha envergadura, VEJA escalou uma equipe de 23 jornalistas, que durante três meses entrevistaram 339 especialistas, 120 pais e mães e 55 crianças. Foram ouvidos psicólogos, pedagogos, pediatras, psiquiatras e até zoólogos. Como forma de saber quais eram as principais preocupações de pais e mães, a revista encomendou uma pesquisa de opinião em onze Estados. Os resultados estão espalhados pela edição em quadros como o que se pode ver nesta página. Para garantir a confiabilidade das informações, VEJA contou com a colaboração de onze profissionais, entre médicos, psiquiatras, obstetras e neurologistas, a quem a equipe de repórteres recorreu diversas vezes para tirar dúvidas, mostrar tabelas e conferir informações. Por segurança, todos os textos foram submetidos ao crivo técnico de dois pediatras e uma psicóloga, que atuaram como consultores. O resultado é a mais extensa investigação sobre o tema já feita pela imprensa brasileira.




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