![]()
![]() |
Quem
procura
|
Pepe Casals![]() |
| Pelé: uma busca malfeita pelos sites relacionados ao rei do futebol traz informações sobre cerveja, flores, roupas e papagaios |
Em apenas cinco anos, a internet transformou-se no maior banco de dados
do planeta. Segundo estudo do Instituto de Pesquisas da NEC e da americana
Inktomi, especializada em softwares de pesquisa na rede, em fevereiro
deste ano havia mais de 1 bilhão de páginas www. Praticamente
todo o conhecimento humano está ali. É uma verdadeira mina
de ouro para quem está atrás de informação.
Isso teoricamente, pois a informação só tem valor
se puder ser encontrada na hora em que se precisa dela. O problema da
rede é que quanto mais ela se agiganta mais se assemelha a um labirinto
virtual, no qual se podem perder boas horas sem chegar a lugar algum.
Para resolver a questão, multiplicaram-se os sites de busca, próprios
para ajudar os internautas a localizar o que lhes der na telha. Ajudam.
Mas, se essas máquinas forem mais conhecidas do navegante, vão
facilitar seu trabalho e livrá-lo daquelas respostas que retornam
mais joio que trigo e desanimam qualquer mortal.
Há
uma oferta grande de portais especializados em fazer buscas. Yahoo!, AltaVista,
Cadê? são alguns dos nomes populares nessa área. Um
bom começo é identificar o site mais adequado ao tipo de
pesquisa que se quer fazer. Os buscadores podem ser divididos em três
grupos: catálogos, robôs e metabuscadores (veja
quadro). Nenhum deles é capaz de cobrir toda a rede. De
acordo com o estudo da mesma NEC, o AltaVista, que é o mais abrangente
mecanismo de busca, só consegue cobrir 35% do total de páginas
indexáveis.
Pepe Casals![]() |
| Central do Brasil: a combinação de várias palavras filtra links inúteis e leva o internauta direto ao premiado filme brasileiro do diretor Walter Salles Júnior |
É fácil entender a diferença entre os tipos de buscador.
Imagine que você precise fazer uma pesquisa sobre mergulho. Num
robô, como o brasileiro Radix, o resultado de uma busca por mergulho
seria uma avalanche de mais de 10.000 páginas
(pesquisa realizada no início de agosto). Além da impossibilidade
de checá-las uma a uma, várias delas pertencem ao mesmo
site ou não têm a ver diretamente com o assunto. Já
o catálogo do Yahoo! Brasil exibe 124 sites quando consultado sobre
mergulho. A grande maioria está catalogada em esporte como assunto
principal. Ainda é um número grande, mas muito mais fácil
de manejar que o fornecido pelo robô. Lição número
1: para pesquisas sobre temas genéricos, amplos, os serviços
baseados em catálogo são mais eficientes.
Isso não significa que os robôs sejam tralhas digitais inúteis para quem deseja encontrar algo na rede. Ao contrário, eles são muito indicados para buscas mais específicas. Digamos que um mergulhador esteja à procura de informações sobre um rebreather, equipamento que reaproveita o ar durante o mergulho. O Achei não retornou nenhuma página após fazer a pesquisa. O Radix trouxe 84. O internauta também poderia escolher como fonte de pesquisa um metabuscador, que percorre catálogos e robôs ao mesmo tempo. O Meta Miner indica 56 links para rebreather, além de mostrar todos os buscadores em que encontrou ocorrências.
Se o pesquisador virtual der uma forcinha aos buscadores, conseguirá um resultado melhor. A regra básica é pensar antes de clicar. Lembre-se de que você está lidando com máquinas, que só devolverão boas respostas a boas perguntas. Uma valiosa dica para cortar caminho é aproveitar as categorias em que os catálogos são divididos. Traduzindo: evite ir direto ao campo de pesquisa e digitar a primeira palavra que lhe vier à cabeça. Em uma busca com a palavra-chave "Pelé" no Cadê?, um dos mais famosos mecanismos brasileiros, o saldo são 232 sites. Mas a maioria nada tem a ver com o rei do futebol. Enquanto um propagandeia um grupo de pagode, outras dezenas falam sobre tratamentos de pele, resultado da confusão feita pelo buscador, que não lê o acento agudo. Se o afobado internauta tivesse primeiro selecionado a categoria esportes para depois digitar "Pelé", teria como respostas apenas 24 links, todos relacionados ao ex-jogador.
Outra dica é explorar as opções de pesquisa avançada que os serviços de busca oferecem, mas às quais pouquíssimos usuários recorrem. Buscas com palavras compostas podem ser feitas por frase exata, recurso recomendado quando se tem certeza de que tais palavras aparecerão naquela ordem. Uma consulta ao catálogo Zeek! sobre o filme Central do Brasil resulta em 64 links pela busca simples. Más notícias: a lista traz endereços que não ajudam em nada, como o do Museu de Arte Sacra do Brasil Central e até o da Central Única dos Detetives do Brasil. Isso porque alguns buscadores fazem a seleção capturando todas as palavras procuradas, independentemente da ordem em que aparecem. Os únicos dois sites relacionados ao filme estrelado por Fernanda Montenegro aparecem em trigésimo e 45º lugares, respectivamente. Haja paciência! Já a busca por frase exata oferece oito indicações, entre as quais as duas referentes ao filme.
Dependendo da situação, é possível combinar várias palavras, sem considerar a ordem em que poderão aparecer. Essa opção é encontrada nos recursos de busca, como "e" ("and", em inglês) ou "+". Suponha que você tenha de descobrir uma questão inusitada, como a data do aniversário da filha da Xuxa, a Sasha (acredite, até as maiores frivolidades podem ser respondidas pela internet). Na primeira tentativa no Meta Miner, problema resolvido para quem digitar +xuxa+sasha. Em dois sites, pelo menos, lá estará a resposta: a baixinha faz aniversário em 28 de julho. Considere, ainda, a opção "ou" ("or", em inglês). Ela pode ser útil, por exemplo, quando não se tem certeza do nome buscado. Aquela instituição de ensino que você quer visitar é uma faculdade ou uma universidade? Não importa. Digite as duas palavras e use "or" entre elas.
Além de somar, é possível excluir palavras que podem aumentar inutilmente o universo de uma busca. Em uma pesquisa sobre Bill Clinton é comum aparecerem inúmeros links sobre o envolvimento do presidente americano com a ex-estagiária da Casa Branca Monica Lewinsky. Se isso não interessar, desvie desses links futriqueiros digitando o sinal de menos: "Bill Clinton"-"Lewinsky". Uma pesquisa sobre times de futebol ou artistas também pode ser melhorada quando o internauta exclui a palavra "fã", para fugir dos incontáveis fãs-clubes que proliferam na web. Para refinar mais ainda a filtragem de endereços indesejáveis, podem-se montar verdadeiras equações, adicionando ou excluindo palavras combinadas com frases exatas. A equação "Central do Brasil"+Fernanda Montenegro+Walter Salles fornece um destino certeiro no Radar UOL: dezesseis páginas, contra 5.289 páginas no mesmo serviço pela busca simples.
Com tantos atalhos, o ideal é que o internauta invista uns minutinhos descobrindo as ferramentas de cada site de busca. Alguns deles, como o americano Excite, já estão unindo catálogos a seus robôs e formando a categoria de buscadores híbridos. Começam a se multiplicar também as famílias dos metabuscadores especializados, que realizam pesquisas por áreas, como saúde, livros ou assuntos jurídicos. Pelo ritmo de crescimento da rede, é possível que em pouco tempo seja preciso desenvolver buscadores específicos para buscar... buscadores.
|
Catálogos
ou diretórios
São extensos bancos de sites, indicados para pesquisas de
temas amplos. Robôs
ou máquinas de busca (search engines) Percorrem
a rede indexando cada uma das palavras de um site. Bons para temas
específicos. Metabuscadores
ou meta search engines Filhos da terceira geração
de serviços de busca, investigam nos catálogos e nos
robôs ao mesmo tempo. |
|
|
|
|
| | Home Page | VEJA on-line | |