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Mais útil do que agradável
O acesso por celular deve multiplicar a utilidade
da internet, mas, por enquanto, não espere maravilhas
Nilson Vargas
Por causa da boa estréia, o mercado refez a projeção de vendas de celulares wap: de 600.000, a estimativa saltou para 1 milhão. A consultoria SurfTrade, especializada em internet, prevê que a "frota wap" subirá para 6 milhões de unidades em 2001, igualando-se ao total de PCs conectados à rede, e para 20 milhões em 2003. Portais, bancos e empresas estão investindo alto para oferecer conteúdos e serviços a celulares. Mas o que se pode esperar do acesso com aparelhinhos de visor minúsculo e monocromático, teclado desconfortável e velocidade baixa? Resposta: a multiplicação acelerada de acessos à rede, com o desenvolvimento de negócios como o comércio eletrônico a partir de celulares, palms e outros dispositivos móveis. A SurfTrade avalia que o potencial dessas transações no Brasil passe de 1 bilhão de dólares em 2001.
Quem quiser desbravar o mundo wap no Brasil deve ser realista e objetivo. "Comprei o produto porque ele é útil no dia-a-dia. Apesar das informações defasadas e da lentidão, os benefícios compensam", diz o executivo paulista Márcio Santoro, que usa o celular para movimentar a conta bancária, ler notícias, enviar e receber e-mail e conferir o trânsito. Por enquanto, as operadoras brasileiras se mostram cautelosas. "O wap não tem a qualidade de navegação dos computadores. É uma internet de bolso", diz Gilson Rondinelli, da Telesp Celular. Para que o valor da conta não suba à estratosfera, o consultor Rui Campos, da SurfTrade, sugere que o usuário vá direto ao que precisa. A maioria das operadoras cobra o tempo da ligação e taxa de 10 reais por mês. Uma pedra que o mercado precisa remover é a escassez de aparelhos nas lojas. A oferta maior é de celulares com tecnologia CDMA, européia, adotada, por exemplo, pela Telesp. Mas a maioria das operadoras atua no padrão TDMA, americano, que só em setembro terá um ou dois modelos. "Estamos pressionando os fabricantes a oferecer aparelhos do nosso padrão", diz Michel Levy, vice-presidente da BCP. A Telesp comemora a vantagem apresentando dezesseis modelos. Outra luta encarniçada opõe os grandes portais de conteúdo. O iG pagou caro para aparecer com destaque no menu de navegação dos clientes wap da Telesp. Estar nesse menu significa ser acessado com um ou dois comandos simples. Outro portal bem posicionado é o Zip.Net, comprado em fevereiro pela Portugal Telecom, dona da Telesp. No menu dos bancos, o minúsculo Banco1, também ligado à Portugal Telecom, ocupa ótima posição. Com a chegada do wap, ficou mais fácil entender por que as operadoras de telefonia gastaram milhões comprando portais de conteúdo e se aproximando de bancos.
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