Mais útil do que agradável

O acesso por celular deve multiplicar a utilidade da internet, mas, por enquanto, não espere maravilhas
de uma navegação em telas pequenas

Nilson Vargas

Antonio Milena
Mesmo lamentando as falhas e a lentidão, o executivo Márcio Santoro está satisfeito com o wap, que ele usa para movimentar a conta bancária, ler notícias, checar e-mail e conferir o trânsito de São Paulo


Na primeira contagem dos clientes que trocaram celulares comuns por aparelhos com tecnologia wap, que permite acesso à internet, a Telesp Celular levou um susto. Foram mais de 50.000 adesões em um mês, até o início de agosto. "Vamos passar de meio milhão de usuários neste ano", diz o vice-presidente de negócios da empresa, Gilson Rondinelli Filho. A Telesp Celular foi a segunda operadora do país a oferecer o wap (sigla em inglês que identifica conexão sem fio à internet). A pioneira foi a Global Telecom, em Curitiba e Londrina. A terceira foi a Telefônica, no Rio de Janeiro e em Vitória, no Espírito Santo. Em setembro, o wap chega a outras capitais. Mesmo pequenas cidades, como Caiuá, na divisa de São Paulo com Mato Grosso do Sul, logo serão atendidas.

Por causa da boa estréia, o mercado refez a projeção de vendas de celulares wap: de 600.000, a estimativa saltou para 1 milhão. A consultoria SurfTrade, especializada em internet, prevê que a "frota wap" subirá para 6 milhões de unidades em 2001, igualando-se ao total de PCs conectados à rede, e para 20 milhões em 2003. Portais, bancos e empresas estão investindo alto para oferecer conteúdos e serviços a celulares. Mas o que se pode esperar do acesso com aparelhinhos de visor minúsculo e monocromático, teclado desconfortável e velocidade baixa? Resposta: a multiplicação acelerada de acessos à rede, com o desenvolvimento de negócios como o comércio eletrônico a partir de celulares, palms e outros dispositivos móveis. A SurfTrade avalia que o potencial dessas transações no Brasil passe de 1 bilhão de dólares em 2001.

Fotos J. Miranda
As opções aumentam: o Neopoint tem a maior tela, a Motorola vende o modelo mais caro e a Nokia, um dos mais baratos


Claro que a revolução não se dará por obra desse primeiro lote de aparelhos. Nos EUA, o erro foi exatamente acreditar nisso. A operadora Sprint investiu 150 milhões de dólares num megalançamento, mas só convenceu 5% de seus clientes a comprar celulares wap. Sucesso comprovado, por enquanto, só no Japão. A operadora DoCoMo tem 6 milhões de clientes no acesso móvel. O aparelho usado hoje pelos japoneses possui tela maior e colorida e permite navegação muito mais rápida. Essa novidade só começa a chegar por aqui em meados de 2001.

Quem quiser desbravar o mundo wap no Brasil deve ser realista e objetivo. "Comprei o produto porque ele é útil no dia-a-dia. Apesar das informações defasadas e da lentidão, os benefícios compensam", diz o executivo paulista Márcio Santoro, que usa o celular para movimentar a conta bancária, ler notícias, enviar e receber e-mail e conferir o trânsito. Por enquanto, as operadoras brasileiras se mostram cautelosas. "O wap não tem a qualidade de navegação dos computadores. É uma internet de bolso", diz Gilson Rondinelli, da Telesp Celular. Para que o valor da conta não suba à estratosfera, o consultor Rui Campos, da SurfTrade, sugere que o usuário vá direto ao que precisa. A maioria das operadoras cobra o tempo da ligação e taxa de 10 reais por mês.

Uma pedra que o mercado precisa remover é a escassez de aparelhos nas lojas. A oferta maior é de celulares com tecnologia CDMA, européia, adotada, por exemplo, pela Telesp. Mas a maioria das operadoras atua no padrão TDMA, americano, que só em setembro terá um ou dois modelos. "Estamos pressionando os fabricantes a oferecer aparelhos do nosso padrão", diz Michel Levy, vice-presidente da BCP. A Telesp comemora a vantagem apresentando dezesseis modelos.

Outra luta encarniçada opõe os grandes portais de conteúdo. O iG pagou caro para aparecer com destaque no menu de navegação dos clientes wap da Telesp. Estar nesse menu significa ser acessado com um ou dois comandos simples. Outro portal bem posicionado é o Zip.Net, comprado em fevereiro pela Portugal Telecom, dona da Telesp. No menu dos bancos, o minúsculo Banco1, também ligado à Portugal Telecom, ocupa ótima posição. Com a chegada do wap, ficou mais fácil entender por que as operadoras de telefonia gastaram milhões comprando portais de conteúdo e se aproximando de bancos.

 

DECIFRE O WAP...

...acessando endereços das peradoras, como www.waaap.com.br, da Telesp Celular

...buscando informações em portais de conteúdo como folhawap.com.br e www.selig.com.br

...descobrindo os sites que já existem, em buscadores como www.girandowap.com.br e www.gowap.com.br

 

 

 

 

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