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Os surfistas da primeira onda Eles
criaram empresas sem gastar muito
Outro que viu o sol nascer mais dourado foi o gaúcho Marcelo Lacerda, um campeão quando se trata de tirar o máximo da onda da internet. Ele é diretor do Terra, um dos maiores provedores de acesso no Brasil, mas ficou mais conhecido mesmo por ter vendido sua empresa três vezes. Cada uma melhor que a outra. Na primeira, vendeu uma parte de seu primeiro provedor de acesso, conhecido como Nutec, para uma empresa gaúcha de capital de risco chamada Companhia Riograndense de Participações. Mais tarde, vendeu 60% da mesma companhia para o grupo gaúcho RBS, de comunicações. Depois, ganhou mais um dinheirão com as ações que lhe restavam quando os sócios venderam 100% da empresa para a espanhola Telefónica. O valor total deste último negócio, segundo a boca do mercado, foi de 280 milhões de dólares. O patrimônio de Lacerda é estimado em mais ou menos 100 milhões de dólares. Para seus 39 anos de idade, parece ser uma boa marca.
A segunda onda Na origem desses bons negócios havia intuição, capacidade de empreender e coragem de investir em negócios pioneiros. Foram características como essas que fizeram também a boa fortuna dos pioneiros da economia tradicional. Nos velhos tempos, porém, levantavam-se indústrias, armazéns, casas bancárias. Na nova economia, a montagem dos negócios tornou-se mais simples. Não envolve grandes construções nem exércitos de operários. Tudo se resolve num conjunto de salas, com alguns computadores e pouca gente. Tudo muito mais rápido. A má notícia é que esse caminho parece também estar ficando interditado. Os analistas de mercado sustentam que está praticamente no fim a primeira onda de prosperidade que transformou riqueza virtual em dinheiro de verdade. Será?
A pergunta crucial do momento é: que tipo de empreendimento terá sucesso na segunda onda da internet, a que começa agora? "Os negócios envolverão empreendimentos criados mais com base na racionalidade que na inspiração que orientou os pioneiros da rede no Brasil", diz Cassio Dreyfuss, diretor de pesquisa para a América Latina do Gartner Group, um instituto de pesquisas especializado na vida on-line. Segundo Dreyfuss, com o amadurecimento do mundo digital o ritmo de vida das empresas de internet passará a obedecer às boas e velhas leis de sucesso da economia de mercado, entre elas a necessidade de gerar lucro. "A partir de agora, haverá uma concentração ainda maior nesse mercado", diz Bruno Laskowisky, da consultoria A.T. Kearney. O atual momento é descrito pelos especialistas como de consolidação. É aquela cadeia tão familiar à dinâmica do capitalismo em que o enorme compra o grande, que havia engolido o pequeno, que abocanhara o site da esquina. "Poucos empreendedores de internet estão conseguindo chegar a um resultado econômico positivo", diz Lacerda. Pode ser que negócios como esses se tornem mais difíceis de concretizar, até porque há mais empresas disputando os mesmos investidores. Nesse novo cenário, os aventureiros bem-sucedidos da primeira onda já são história. |
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