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A moda, que teve início nos Estados Unidos,
começa a pegar no Brasil, onde já existe muita
gente vivendo de comprar e vender em pregões

Elen Peterson


Luís Montero: combinando o trabalho no consultório com os leilões, para reforçar a renda

A febre pelos leilões virtuais começou nos Estados Unidos há cinco anos com o eBay. Criado pelo francês naturalizado americano Pierre Omydiar, o endereço funciona como uma seção de classificados em que os internautas disputam as mercadorias anunciadas por meio de lances. Quem oferecer mais leva. O eBay ficou três anos sozinho no mercado. Quando os concorrentes começaram a surgir, sua liderança já estava consolidada. Hoje, a página está avaliada em mais de 12 bilhões de dólares. É um sucesso. Nada menos que 7,7 milhões de usuários estão ali cadastrados, e estima-se que um em cada vinte pacotes transportados pelo correio americano leve um produto comercializado pelo site. No Brasil, a boa idéia dos leilões deu cria – em pouco mais de um ano, surgiram no país pelo menos vinte desses sites. O movimento ainda é tímido, mas os sites leiloeiros estão investindo para torná-los conhecidos, mais seguros e atraentes.

Paulo Humberg, presidente do Lokau, um dos sites que vendem por pregão, diz que o medo de comprar pela web ainda é uma das coisas que espantam um pouco os internautas dos leilões. Para dar mais segurança aos compradores, as páginas instituíram uma espécie de ficha corrida virtual da turma que participa. Assim, pretendem reforçar a moralização dos negócios, afastando quem compra e não paga ou quem vende e não entrega. No mês passado, o Lokau excluiu 53 usuários. Eles não cumpriram suas obrigações durante as transações. Outra medida de segurança que está sendo adotada é a criação da figura do intermediário. Quem compra no site faz o pagamento a uma instituição financeira que só vai efetivá-lo depois de o comprador ter recebido a mercadoria em perfeitas condições.

Não há só problemas técnicos. No campo cultural está, talvez, o maior desafio dos sites leiloeiros. Ao contrário dos americanos, os brasileiros não são tão habituados a comprar e a vender objetos usados. Nos Estados Unidos é comum uma família juntar a tralha que já não tem utilidade para ela e vender tudo na garagem de casa aos vizinhos. Da garagem para os leilões virtuais foi um passo. No Brasil, os sites tentam quebrar esse gelo gastando dinheiro em publicidade e promoções. O Arremate, por exemplo, ofereceu um CD a cada usuário que trouxesse um amigo para o site. O iBazar lançou a promoção 007, em que o usuário se cadastra, responde a algumas perguntas sobre o agente secreto inglês e o leilão e concorre a uma viagem para Londres. Para aumentar a freguesia, o iBazar também está fazendo parcerias com grandes portais. Será o canal de leilões do Zip.Net e do Super 11. As campanhas estão surtindo efeito. O iBazar, por exemplo, vendia 8 000 produtos em março. Em julho esse número havia triplicado.

Os sites confiam no produto que vendem. Não é à toa que muita gente que experimenta acaba virando freguês. O petroleiro Osmar Gonçalves queria desfazer-se de suas coleções de revistas em quadrinhos. Em menos de um ano já vendeu mais de 300 itens e algumas coleções chegam a render 1.200 reais. "Já anunciei nos classificados de jornal, mas não queriam pagar o valor das revistas. Pela rede, além de vender, faço novas amizades", diz. Há também quem esteja encontrando nos leilões virtuais uma nova forma de ganhar a vida. A pedagoga Bianca Toledo estava desempregada quando pôs à venda, num desses pregões, um pôster autografado do São Paulo Futebol Clube. Conseguiu 25 reais e gostou da idéia. Começou, então, a comprar objetos com a intenção de revendê-los na rede. Hoje, ela vive disso, faturando em média 700 reais por mês. "Desisti da pedagogia", diz. O dentista Luís Montero já belisca 15% de sua receita mensal nos leilões. Ele participa de leilões tradicionais e virtuais para comprar a mercadoria que revende depois na rede. Quando é ele o comprador, usa requintes de profissional: "Se o leilão de uma mercadoria vai acabar às 23 horas, entro na página às 22h58 e, um minuto antes do encerramento, faço meu lance pagando um centavo a mais e levo".

 

 

 

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