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Ilustração André Araujo
Os sites em que você entra,
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Selmy Yassuda![]() |
| Marina Fernandes: usando a rede para doar bolsas de estudo às crianças e cestas básicas às famílias atendidas pela Ação da cidadania |
"A internet acabou com a história de não se poder ajudar
por falta de tempo ou dinheiro", afirma Marina. O endereço visitado
pela administradora é o Click Fome, ligado à Ação
da Cidadania, criada pelo falecido sociólogo Herbert de Souza,
o Betinho. Além desse site há vários outros atuando
dentro e fora do Brasil nos mesmos moldes. Visitando um deles, é
possível ajudar a abastecer populações carentes com
comida, remédios, dinheiro para manter crianças na escola
e até preservativos (veja quadro).
Tudo sem sair de casa e sem gastar um centavo.
A onda das páginas de doação começou quando o economista americano John Breen decidiu criar um site que arrecadasse dinheiro para reduzir os problemas de educação nos países pobres. Ele sustenta que a maior dificuldade para esses países manterem crianças na escola não é falta de livros ou cadernos. É falta de comida. Breen colocou na rede o The Hunger Site (o site da fome), que ganhou aval da ONU. No Brasil, o primeiro endereço do gênero foi o Click Fome, lançado no final de 1999 pelos publicitários Virginia Adams, Paulo Rezende e Eduardo Forbes. Eles descobriram que os brasileiros eram os vice-campeões mundiais em visitas ao The Hunger Site e resolveram desenvolver uma versão nacional da idéia. A Ação da Cidadania foi escolhida para gerenciar os recursos. Em pouco mais de seis meses, a arrecadação já passa de 75 000 reais.
O Click Fome reserva 10% das doações recebidas para a manutenção do site. No Um Minuto, que viabiliza doações para o Programa Capacitação Solidária, ligado ao governo federal, as despesas administrativas e com manutenção de equipamentos consomem 4% das doações. No Doe Grátis, a divisão da receita é acertada por contrato entre o dono do site, o representante comercial Eduardo Machado, e a entidade beneficiada. O Sorte Solidária atrai quem quer doar e arriscar a sorte ao mesmo tempo. A cada oito minutos de navegação, o visitante recebe uma senha para concorrer a uma barra de ouro. "Não estamos usando a filantropia apenas para ter lucro. Estamos fazendo uma ação social", diz Charles Halpern, presidente do Sorte Solidária. O Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (Gife) não chega a condenar as iniciativas que misturam filantropia com lucro, mas admite certa preocupação com elas. "Somos contra o uso de ações humanitárias como um recurso prioritariamente comercial", afirma Judi Cavalcante, gerente de comunicação do Gife. Para se desviar de eventuais aproveitadores, a carioca Marina Fernandes observa quem está por trás da iniciativa. "Conheço o trabalho da Ação da Cidadania, confio nesse movimento e por isso prefiro doar ao Click Fome", diz.
O consultor Stephen Kanitz, criador do site filantropia.org, estima que as 400 maiores entidades beneficentes do país recebam juntas cerca de 1,9 milhão de reais por ano. As doações promovidas pela web representam menos de 1% da filantropia no Brasil. Ainda é pouco, mas o crescimento promete ser rápido. Além disso, a internet põe essas entidades em contato direto com os 10% da população que detêm mais de 50% da renda do país – considerando que é nessa faixa que se concentra a maioria dos internautas brasileiros. A linha direta parece funcionar. A Ação da Cidadania já recebeu mais de 80.000 e-mails em virtude do Click Fome. Pelo menos 8 000 foram mensagens de empresas que se tornaram patrocinadoras de alguma iniciativa social.
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Confira os sites que se dedicam à filantropia e o destino das doações feitas pelos internautas |
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www.sitedafome.com.br Cada acesso dá 1 quilo de alimento a famílias carentes. Desde janeiro foram distribuídas 3.000 cestas básicas. www.uol.com.br/umminuto Por meio deste site, o programa Capacitação Solidária beneficiou 51.000 jovens. www.temqueusar.com.br Campanha de combate à Aids criada pela Capricho. A cada clique uma camisinha é doada ao Grupo de Apoio e Prevenção à Aids (Gapa). Em três meses, foram 100.000 preservativos. www.filantropia.org.br A Kanitz & Associados relacionou as 400 maiores entidades assistenciais do país e destina 50% do dinheiro arrecadado à instituição da semana, dividindo o restante entre as outras. www.viladocirillo.com.br O dinheiro arrecadado é investido em alimentação e orientações sobre saúde para gestantes e crianças carentes. www.sortesolidaria.com.br Beneficia três instituições: Ação da Cidadania, Apae São Paulo e Unibes. www.doegratis.com.br Por enquanto beneficia apenas a Apae São Paulo. O empreendedor fica com parte das doações. |
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