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Política

PT no poder

25/09/2002 19:45

O que dizia a reportagem de VEJA

A democracia brasileira, a se fiar nas pesquisas de intenção de voto, pode levar ao poder Luís Inácio Lula da Silva, candidato à Presidência pelo PT. A essa altura, os eleitores que não votam em Lula e os indecisos, ainda a maioria, estão se perguntando se o PT está preparado para governar o Brasil. Sua competência está sendo questionada nos programas eleitorais do tucano José Serra, para quem o Lula sorridente e flexível da televisão não passa de uma invenção de marketing. O que boa parte da opinião pública deseja saber é como o PT, que durante vinte anos se preparou para a construção do socialismo, vai se sair agora diante do desafio de governar de acordo com os padrões capitalistas que se compromete a seguir. Ainda existem dúvidas sobre certos aspectos da política econômica do PT. Não se sabe qual será a real influência no futuro governo dos militantes radicais do partido. E outro problema seriam as expectativas que o PT despertou em seu eleitorado. Esperam os que votam no PT que, se ganhar, o partido execute uma política inédita de benefícios sociais. Isso só se revelará inteiramente no decorrer de um virtual governo petista.

O que aconteceu depois

Com uma vitória histórica contra Serra no segundo turno, Lula e o PT chegaram ao poder e contrariaram quase todas as expectativas sobre o partido. Na economia, os temores sobre medidas heterodoxas e aventuras arriscadas acabaram dissipados por completo - a receita do governo FHC foi mantida e, para muitos, aprofundada. O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, tornaram-se símbolos de uma política econômica sólida e confiável - além de imune às pressões da ala esquerdista do PT. Os radicais, aliás, não conseguiram conquistar seu espaço no governo. Pelo contrário: excluídos da administração federal, foram combatidos pelos próprios petistas no Congresso. Quando contrariaram os interesses do governo em votações importantes, foram afastados das bancadas e expulsos da legenda.

As outras previsões contrariadas na gestão de Lula foram ainda mais surpreendentes. Na área social, o investimento foi reforçado, mas com poucos resultados visíveis - falhas na administração dos recursos e lentidão na implementação dos projetos atrapalharam o cumprimento das promessas de Lula. O que mais chocou o eleitor foi, contudo, o envolvimento de Lula e dos petistas em denúncias de corrupção generalizada. A imagem de partido ético e correto foi destroçada por uma série de relatos de irregularidades. Comprovou-se o uso de caixa dois nas campanhas eleitorais, a existência de movimentações financeiras no exterior, a concessão de contratos publicitários em troca de auxílio político e outras irregularidades graves. As estatais se tornaram alvo de achaques e tráfico de influência, com desvio de dinheiro para formar um grande fundo partidário - e, assim, custear a permanência do partido no poder por vários mandatos. No penúltimo ano de governo, Lula aparecia atrás de Serra nas pesquisas de opinião para a eleição seguinte.

A partir de março de 2006, contudo, a situação começou a virar para o presidente e o partido. Com a escolha de Geraldo Alckmin como candidato da oposição, Lula voltou a liderar as pesquisas. Apesar de não admitir que já era candidato à reeleição, o presidente passou a rodar o país discursando e defendendo as conquistas de seu governo. Nem mesmo a divulgação de um relatório do procurador-geral da República apontando a formação de uma "organização criminosa" envolvendo o PT e o governo foi suficiente para reduzir sua vantagem nas pesquisas. A prova maior de que a crise foi dada como superada pelo PT surgiu no encontro nacional do partido no início de maio. Lula e os petistas aprovaram a busca de alianças com os partidos que participaram do mensalão e decidiram adiar para depois das eleições a investigação interna sobre o escândalo. Segundo os petistas, era hora de apostar tudo na reeleição do presidente.

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