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Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)

LEIAM ABAIXO

sábado, 28 de novembro de 2009 | 5:55

- CINEASTA DIZ QUE ESTAVA PRESENTE À CONVERSA DE LULA COM CESINHA, CONFIRMA A FALA SOBRE “MENINO DO MEP”, MAS DIZ QUE ERA TUDO BRINCADEIRA…;
- VEJA 1 - O “MENINO DO MEP” FALA EM “MAR DE LAMA”;
- VEJA 2 - Será que genro é parente?;
- VEJA 3 - O desastre de Arruda;
- VEJA 4 - Cocaína: o mal que o “querido (de Lula) Evo” faz ao Brasil;
- VEJA 5 - Diogo quinzenal, mas só por seis meses;
- VEJA 6 - Breve, claro, exato;
- VEJA 7 - Derrota da diplomacia petista;
- VEJA 8 - Especial: Sem medo da verdade;
- PARABÉNS, LEITORES! ENFIM, O RECONHECIMENTO: SEMPRE ESTIVEMOS CERTOS!!!;
- O QUE É “MEP” E UM NOME FAMOSO DO GRUPO;
- A NOTA DE PAULO DE TARSO, O DONO DA MATISSE;
- Comentários;
- GOVERNO DO DF - QUEM ERROU TEM DE PAGAR. E CARO!;
- UM FURACÃO NO GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL;
- “Loucura, psicopatia”, reage o Planalto, mas Lula não vai processar Benjamin

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Por Reinaldo Azevedo

CINEASTA DIZ QUE ESTAVA PRESENTE À CONVERSA DE LULA COM CESINHA, CONFIRMA A FALA SOBRE “MENINO DO MEP”, MAS DIZ QUE ERA TUDO BRINCADEIRA…

sábado, 28 de novembro de 2009 | 5:47

Leiam estas duas notas que estão na coluna de Mônica Bergamo, na Folha deste sábado. Volto em seguida:

COMPLICADO
O cineasta Silvio Tendler diz ser ele o “publicitário brasileiro” de quem o editor César Benjamin afirma não se lembrar no artigo publicado ontem na Folha sobre a campanha de Lula em 1994. Nele, Benjamin relata conversa em que Lula teria revelado como tentou subjugar um preso nos 30 dias em que esteve detido, na época da ditadura militar. “Aquilo foi uma brincadeira, uma piada que ele tenta transformar em drama”, diz Tendler. “Se o cara [Benjamin] não consegue entender piadas, é complicado. Ele deveria ganhar o troféu de loira do ano.”

TREZENTAS
Tendler diz que a conversa era “uma brincadeira como outras 300″ que Lula fazia todos os dias. “Não tinha nada do tom dramático que ele [Benjamin] quer dar. O cara deve estar muito ressentido para sacar isso com 30 anos de atraso.”

Comento
Bem, parte da nota do publicitário Paulo de Tarso Santos já perdeu sentido, então. Ele disse que não se lembrava de Cesinha na reunião. Tendler, como percebemos, lembra perfeitamente. Aliás, sua memória faz inveja aos elefantes. Embora tudo não passasse de uma “piada”, ele jamais se esqueceu.

O cineasta está de parabéns. As piadas que me contam abandonam o meu cérebro em, no máximo, 10 minutos. Ele é capaz de retê-las na memória por 30 anos! É o que eu chamaria de uma piada verdadeiramente marcante. Com efeito, sua memória parece melhor que a de Paulo de Tarso.

Pergunta: na opinião de vocês, Lula melhorou o gosto por piadas? Um sujeito afirmar que tentou sodomizar um outro é engraçado? Tendler deu risada?

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Por Reinaldo Azevedo

VEJA 1 - O “MENINO DO MEP” FALA EM “MAR DE LAMA”

sábado, 28 de novembro de 2009 | 5:45

Fotos Niels Andreas/AE e Reprodução

O QUE É ISSO, COMPANHEIRO?
Benjamin e Lula, em 1980, quando foi fichado: o “menino do MEP” seria João Batista dos Santos

A um mês da estréia de Lula, o Filho do Brasil, surge um depoimento que contrasta fortemente com o filme de contornos hagiográficos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na sexta-feira passada, o jornal Folha de S.Paulo publicou um artigo que deixou de olhos arregalados todos os que o leram. Intitulado “Os filhos do Brasil”, o texto é assinado por César Benjamin, um dos mais célebres militantes da esquerda brasileira.
(…)
[Lula] passou a narrar com fluência como havia tentado subjugar outro preso nos trinta dias em que ficara detido. Chamava-o de ‘menino do MEP’
(…)
Por liderar greves no ABC paulista, Lula passou 31 dias preso no Dops, em São Paulo, em 1980, com outros sindicalistas. VEJA ouviu cinco de seus ex-companheiros de cela. Nenhum deles forneceu qualquer elemento que confirme a história de Benjamin. Eles se recordam, porém, de que havia na mesma cela um militante do Movimento de Emancipação do Proletariado (MEP). “Tinha um rapaz com a gente que se dizia do MEP. Tinha uns 30 anos, era magro, moreno claro. Eu não o conhecia do movimento sindical”, diz José Cicote, ex-deputado federal. “Quem estava lá e não era muito do nosso grupo era um tal João”, lembra Djalma Bom, ex-vice-prefeito de São Bernardo do Campo. “Eu me lembro do João: além de sindicalista, ele era do MEP mesmo”, conta Expedito Soares, ex-diretor do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. O João em questão é João Batista dos Santos, ex-metalúrgico que morou e militou em São Bernardo. Há cerca de três anos, ganhou uma indenização da Comissão de Anistia e foi viver em Caraguatatuba, no Litoral Norte de São Paulo. Por meio do amigo Manoel Anísio Gomes, João declarou a VEJA: “Isso tudo é um mar de lama. Não vou falar com a imprensa. Quem fez a acusação que a comprove”. Aqui

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Por Reinaldo Azevedo

VEJA 2 - Será que genro é parente?

sábado, 28 de novembro de 2009 | 5:39

Marcelo Sato, casado com a filha mais velha de Lula, aparece em investigação da Polícia Federal conversando com empresário acusado de formação de quadrilha, estelionato e corrupção

marcelo-sato


Por Gustavo Ribeiro. Comento em seguida.
Não são raros os casos de chefes de estado que, vez por outra, se encontram na constrangedora situação de administrar fanfarronadas de parentes, amigos ou pessoas próximas. O presidente Lula não escapa dessa maldição. Ele já passou por essa situação algumas vezes, uma delas quando seu irmão Genival Inácio da Silva, o Vavá, foi pilhado pedindo dinheiro (”dois pau”) a um empresário do ramo de jogos. Agora, um genro do presidente aparece como protagonista de atos ilegais em uma investigação da Polícia Federal. O genro é Marcelo Sato, casado com Lurian, filha mais velha de Lula. Sato foi flagrado pelos policiais negociando o recebimento de 10?000 reais de um empresário ligado a uma quadrilha investigada por lavagem de dinheiro, operações cambiais clandestinas, ocultação de bens e tráfico de influência. Equivaleria a um certificado de boa conduta se tudo o que esses parentes e meios-parentes de Lula tivessem obtido de benefícios próprios em sete anos de governo fossem os “dois pau” para Vavá e os 10?000 reais para Sato, que deveria repassá-los a Lurian, conforme as gravações da PF. Mas a questão não pode ser colocada em termos de valores absolutos. É grave o caso de Marcelo Sato, oficialmente empregado como assessor parlamentar.

O marido da filha do presidente prestava serviços a uma quadrilha, ora acompanhando processos em órgãos federais, ora usando sua condição de “genro” para agendar reuniões dos suspeitos com autoridades do governo. Aqui

Comento
Na reportagem, VEJA traz transcrições de diálogos gravados pela PT entre Marcelo Sato e o empresário que está preso. Num deles, ambos estão em Brasília, e Santo promete uma reunião com o sogro para breve.

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Por Reinaldo Azevedo

VEJA 3 - O desastre de Arruda

sábado, 28 de novembro de 2009 | 5:37

Por Otávio Cabral:
(…)
Na sexta-feira passada, a trajetória do governador [José Roberto Arruda, do DEM] girou 180 graus. Agentes da Polícia Federal realizaram buscas na residência oficial, na sede do governo, em gabinetes de secretários e deputados distritais, numa operação batizada com o sugestivo nome de Caixa de Pandora. Descobriu-se algo realmente terrível, embora nada surpreendente: a existência de um grande e milionário esquema de corrupção. O próprio Arruda foi gravado conversando sobre o destino de uma montanha de dinheiro recolhido junto a empresários que prestam serviços ao governo.

O Ministério Público e a Polícia Federal conseguiram convencer um de seus secretários a participar de um programa de delação premiada. Por meses, Durval Barbosa, ex-delegado de polícia que fez carreira de sucesso como arrecadador de dinheiro informal para campanhas eleitorais do PMDB e que ocupava o cargo de secretário de Assuntos Institucionais de Arruda, filmou e gravou tudo o que viu. Em um dos encontros que teve com o governador, Durval discute com ele o destino de 400 000 reais, dinheiro arrecadado de empresários para ser distribuído aos parlamentares da chamada base aliada - uma versão local do notório mensalão dos petistas. Outros 200 000 reais deveriam ser guardados para despesas futuras. Segundo depoimento do delator, as empresas prestadoras de serviço contribuíam para o caixa clandestino com um porcentual calculado sobre cada fatura paga pelo governo. Os repasses seriam em média de 600 000 reais por mês. Com a ajuda de Durval Barbosa, a PF marcou as notas com uma tinta especial e, na semana passada, foi à casa dos supostos beneficiados em busca das provas da corrupção. Apreendeu 700 000 reais guardados em cofres. Não se sabe ainda se as cédulas apreendidas foram as mesmas marcadas pelos policiais. Aqui

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Por Reinaldo Azevedo

VEJA 4 - Cocaína: o mal que o “querido (de Lula) Evo” faz ao Brasil

sábado, 28 de novembro de 2009 | 5:35

Com Evo Morales na Presidência da Bolívia, mais droga passou a entrar pela fronteira brasileira. Nas próximas eleições, ele ganhará mais cinco anos

Por Duda Teixeira

Aizar raldes/AFP

EVO VIU A FOLHA
A ideologia oficial do presidente é promover o uso tradicional da coca. Problema: nem se mascassem uma montanha andina os bolivianos consumiriam tanta planta

Não há país na América Latina em que o discurso politicamente correto e demagógico possa produzir resultados tão desastrosos quanto a Bolívia. Não há país da região que possa ser tão afetado por causa disso quanto o Brasil. No poder desde 2006, Evo Morales prega uma versão local do socialismo, o indigenismo e o bolivarianismo. Os resultados foram vistos quando ele nacionalizou as refinarias de gás pertencentes à Petrobras. Outro recurso natural que Morales defende com veemência é a coca, planta típica da região andina usada desde os tempos pré-colombianos. A folha é mascada pelos bolivianos ou macerada no chá - aumenta a resistência à altitude e ao trabalho braçal, embora em nada se compare aos efeitos eufóricos do seu derivado mais poderoso e deletério, a cocaína. O presidente da Bolívia trabalhou como plantador de coca e já mascou as folhinhas até em encontro da ONU em Viena. Na nova Constituição escrita sob seu comando, a planta ganhou o status de “recurso natural renovável da biodiversidade da Bolívia e fator de coesão social”. Nenhum problema, exceto pelo fato de que as folhas destinadas ao uso proibido, como matéria-prima do crack e da cocaína, ultrapassam vastamente as do uso permitido e tradicional. Em quatro anos, a produção de pasta-base de coca e de cocaína na Bolívia aumentou 41%. A maior parte é traficada para o território brasileiro, onde abastece o vício, a criminalidade e a corrupção. Muita droga entra no Brasil, proveniente dos vizinhos produtores e destinada a outros consumidores, mas a que fica é, majoritariamente, a boliviana, de pior qualidade. Das 40 toneladas de cocaína consumidas anualmente no país, mais de 80% são da Bolívia. Aqui

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Por Reinaldo Azevedo

VEJA 5 - Diogo quinzenal, mas só por seis meses

sábado, 28 de novembro de 2009 | 5:33

“A partir desta semana, por um período de seis meses, minha coluna em VEJA se tornará quinzenal. Duas semanas por mês, meu cantinho de página se apagará como uma linha elétrica de Furnas. Quem quiser me encontrar no escuro terá de acender um fósforo e torrar as pontas dos dedos”

Se a imprensa está acabando, quero acabar antes dela. É uma corrida contra o tempo. Eu já tomei a dianteira: a partir desta semana, por um período de seis meses, minha coluna em VEJA se tornará quinzenal. Duas semanas por mês, meu cantinho de página se apagará como uma linha elétrica de Furnas. Quem quiser me encontrar no escuro terá de acender um fósforo e torrar as pontas dos dedos. Serei um dos pioneiros na conquista desse território selvagem, sem lei e sem imprensa - Ringo Kid atacado no deserto por uma tribo de apaches analfabetos. Isso mesmo: John Wayne e eu.

Esta coluna está completando onze anos. O leitor, constrangido, seguiu semanalmente o “Big Brother” mainardiano. Nunca acreditei em Deus, mas acredito em Boninho. O Boninho celestial trancou-me nesta casa cenográfica e mostrou cada detalhe de meu emocionante dia a dia: o nascimento de meus dois filhos, a saída da Itália, o retorno ao Brasil, os debates acalorados, o “impeachment” de Lula. Olhe o Diogo no tribunal! Olhe o Diogo insultando o presidente! Olhe o Diogo passeando de bicicleta em Ipanema! Olhe o Diogo rebolando na beira da piscina! Isso mesmo: Grazi e eu.

Decidi diminuir temporariamente meu ritmo de trabalho na imprensa para poder ficar deitado na cama olhando para o teto. Eu só consigo pensar deste jeito: deitado na cama e olhando para o teto. Alguns meses atrás, assinei um contrato para escrever um livro. O dinheiro do adiantamento passou a pingar todos os meses em minha conta, mas o livro ainda não saiu do lugar. Agora poderei dedicar tempo a ele. Olhe o Diogo deitado na cama olhando para o teto! O que é aquilo? O Diogo continua deitado na cama, olhando para o teto?

Os episódios mais marcantes do “Big Brother” mainardiano foram sobre meu desempe–nho como pai. O leitor bisbilhotou essa gincana minuto a minuto: a barbeiragem cometida pelos médicos no parto de meu primeiro filho, a descoberta de que ele tinha uma paralisia cerebral, seus primeiros 359 passos, o nascimento de meu segundo filho, a alegria de poder ficar o tempo inteiro com os dois. O que farei de agora em diante, entre uma coluna e outra, é escrever uma reportagem sobre esses temas. Confortado pelo fato de que, nas últimas semanas, meu filho ganhou uma batalha indenizatória contra o SUS italiano e garantiu legalmente que ninguém poderá eliminá-lo do programa.

Se a imprensa resistir até lá - Geronimo está à espreita, no alto da colina, preparando seu ataque -, voltarei a escrever semanalmente em meados de 2010, durante a campanha eleitoral. É bom poder participar do tiroteio, a bordo desta carruagem. Em onze anos, matamos um monte de apaches analfabetos. Falta matar outro monte.
*

Comento
Aqueles seres estranhos, vocês sabem, adorariam estar dizendo agora: “Oinc, oinc, oinc, você viu? Depois de 11 anos, ele vai nos dar uma folga… Nós sabíamos!” Sabiam nada! Nunca sabem de nada! Diogo vai ficar nos devendo umas 12 colunas nesses seis meses, até que volte à regularidade semanal, o que vai acontecer em meio à efervescência das eleições do ano que vem. E o que é melhor: com livro novo, projeto que acalenta faz tempo.

Levante dessa cama, Diogo! Vá escrever!

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Por Reinaldo Azevedo

VEJA 6 - Breve, claro, exato

sábado, 28 de novembro de 2009 | 5:31

Em Máximas de um País Mínimo, Reinaldo Azevedo, colunista de VEJA.com, mostra que os consensos burros da política brasileira podem ser desmontados em poucas e sucintas frases

Por Nelson Ascher

Lailson Santos
IGUARIAS DO PENSAMENTO
Reinaldo Azevedo: o rigor argumentativo de seus textos longos concentra-se de forma demolidora nos aforismos

A lógica é uma iguaria do pensamento. Mas há quem prefira comer capim”, diz o jornalista Reinaldo Azevedo, colunista de VEJA.com, em Máximas de um País Mínimo (Record; 200 páginas; 34,90 reais), livro que reúne, alfabeticamente organizados por tópicos, trechos de seus artigos e ensaios. De fato, o que ele escreve se caracteriza pela transparência e rigor metodológicos. Reinaldo levanta os fatos, submete-os ao microscópio, coteja-os com outros, cita as fontes, compara intenções declaradas com resultados observáveis, faz as ressalvas necessárias e, só então, emite um juízo. Seu instrumento para tanto é a linguagem. Daí que o blog lhe seja um veículo particularmente apropriado, pois, apesar de preconcepções segundo as quais esse tipo de ferramenta nada admitiria além de observações curtas, telegráficas, é lá que ele pode desenvolver seus argumentos sem limitações artificiais de espaço. Na concentração da máxima ou aforismo, de outro lado, a prosa discursiva e a poesia se aproximam, e a análise se converte em síntese. A coletânea prova que, caso quisesse, o autor se daria igualmente bem valendo-se apenas dessa forma oracular, lacônica. Aqui

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Por Reinaldo Azevedo

VEJA 7 - Derrota da diplomacia petista

sábado, 28 de novembro de 2009 | 5:29

Ao insistir em restaurar Manuel Zelaya no poder, o governo brasileiro se torna adversário da saída mais democrática para a crise em Honduras: as urnas
Fotos Susan Walsh/AP e Fernando Souza/CPDOC JB/Folha Imagem
AI, QUE MEDO
Obama, o sereno, é atacado por Garcia, o sinistro: o verdadeiro motivo é a raiva
pelos planos fracassados de transformar Honduras em vitória ideológica

Alguma coisa certa Barack Obama fez. E não estamos falando do garbo exibido na primeira recepção de gala de seu governo, visto na foto ao lado. A prova do acerto está nos ataques virulentos que recebeu de Marco Aurélio Garcia, o assessor do presidente Lula para assuntos internacionais. Tudo o que Garcia fala é errado, na forma e no conteúdo, além de prejudicial aos interesses nacionais. O presidente dos Estados Unidos foi alvo do novo surto de megalonanismo por defender o reconhecimento das eleições em Honduras, neste domingo. Desde que Manuel Zelaya tentou emplacar a própria reeleição e foi punido pela Suprema Corte com a perda do cargo, além de expulso manu militari do país, ao qual retornou com a patola chavista, instalando-se de bigode e chapelão na embaixada brasileira, a diplomacia petista trabalha com o objetivo de restaurá-lo no poder a qualquer preço. A saída pela via eleitoral, com a escolha de um novo presidente, virou um anátema para Garcia e sua turma. Aqui

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Por Reinaldo Azevedo

VEJA 8 - Especial: Sem medo da verdade

sábado, 28 de novembro de 2009 | 5:27

A polícia é despreparada, mal equipada, mal remunerada, e a corrupção grassa nas corporações. A avaliação é dos próprios policiais, em pesquisa exclusiva para VEJA. Na coragem de pôr o dedo na ferida está a chave para vencer o crime no Brasil

Por Ronaldo França
Um assassinato a cada doze minutos. É esse o ritmo da tragédia brasileira. É o número por trás da atmosfera de medo que domina as ruas de todas as grandes cidades do país. Ele se traduz em 45.000 homicídios por ano. E vem dramaticamente acompanhado de uma quantidade igualmente estratosférica de todos os outros tipos de crime, como assaltos, roubos a residências ou estupros. Esse conjunto nefasto empurra os cidadãos para dentro de casa, afastando-os das ruas e praças, que ficam à mercê dos bandidos. O medo mina o ambiente nas cidades, nos negócios, afasta investimentos e traz enormes prejuízos às famílias. Encarar essa questão é uma das emergências do país. O Brasil já se mostrou capaz de resolver problemas aparentemente insolúveis. Venceu a inflação supersônica, na década passada, para se tornar uma liderança entre as economias emergentes deste início do século XXI; com sua disciplina econômica, foi dos primeiros países a se distanciar do vórtice da crise financeira mundial. Não é possível que não consiga lidar também com o problema da criminalidade e combater a inépcia de suas polícias. Não mais.

A essa constatação, segue-se uma indagação inevitável. O que falta às polícias brasileiras para que consigam restaurar um nível civilizatório de segurança nas cidades? A resposta a essa questão, tratada ao longo das dezesseis páginas desta reportagem especial, começa a emergir da pesquisa CNT/Sensus, feita a pedido de VEJA. Aqui

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Por Reinaldo Azevedo

PARABÉNS, LEITORES! ENFIM, O RECONHECIMENTO: SEMPRE ESTIVEMOS CERTOS!!!

sexta-feira, 27 de novembro de 2009 | 22:19

Vocês sabem que pouco me importa quem concorda ou não comigo. Nos limites do ordenamento legal — necessariamente democrático —, não dou bola pra torcida. E disse aqui ao longo dos meses: “Danem-se os que dizem que foi um golpe o que aconteceu em Honduras; danem-se os que não reconhecem que Manuel Zelaya é o verdadeiro responsável pela crise”. Mas aí havia o, como é mesmo?, apelo do tal “mundo inteiro”… “O mundo inteiro diz uma coisa, e você diz outra…” Pois é!

Em “Máximas de Um País Mínimo”, que chega às livrarias entre hoje  e segunda, está lá, na página 49, “A convicção da maioria não torna verdadeira uma mentira”. Eis uma questão de princípio por aqui.

Desde o começo da crise, este escriba afirma que a Organização dos Estados Americanos não estava apenas equivocada sobre a questão. Mais do que isso: ela promovia a desordem em Honduras, em especial seu secretário-geral, o socialista José Miguel Insulza, que é de uma delinqüência intelectual e moral como nunca antes na história da OEA. Lembrem-se que ele chegou a prever luta armada no país…

Pois agora a bastante respeitada Human Rights Foundation produziu um relatório sobre a situação hondurenha. E confirma boa parte do que afirmei quando estava sozinho. Não preciso de companhia para estar certo, reitero. Mas a entidade que antes “eles” usavam para endossar seus argumentos agora endossa boa parte dos meus.

Javier El-Hage, diretor da HRF, deixa clara a omissão da OEA na crise que resultou na deposição de Zelaya: “Poucos sabem que, dias antes do 28 de junho [data da deposição de Zelaya], no pior momento da crise neste país, a OEA criou uma ‘Missão de Acompanhamento’ para acompanhar a consulta [aquela que Zelaya queria fazer] que havia sido rechaçada POR TODAS AS INSTITUIÇÕES DEMOCRÁTICAS HONDURENHAS”

Está bem claro, não? A HRF, claro, continua a sustentar que houve um golpe — ainda bem que não dependo do que ela pensa, não é? Afinal, seu próprio texto deixa claro que a “consulta” era ilegal. Vá lá, um pouquinho de hipocrisia… A entidade é ainda mais clara sobre a irresponsabilidade da OEA e sobre a sua responsabilidade direta na crise: “Diante da erosão da democracia hondurenha sob o comando do presidente Zelaya, a OEA atuou incorretamente porque, em vez de acionar a cláusula democática contra ele, decidiu enviar uma missão de observação e tornou mais aguda a crise em Honduras”.

Se críticas ainda faltassem à OEA e a Insulza, a HRF não se furta a ser direta no ataque ao secretário geral. Ele está errado ao se opor à presença de observadores do organismo nas eleições: “O apoio da comunidade internacional para a realização das eleições do dia 29 de novembro é o melhor meio para conquistar o restabelecimento da democracia em Honduras”.

Este blog não dá a menor pelota se tem ou não companhia quando expressa as suas opiniões. Mas o fato é que “consenso” estúpido sobre o golpe que não houve em Honduras está fraturado. E a verdade está ganhando mais espaço.

Aqui, queridos, sempre estivemos do lado certo, que é o da Constituição democrática e do estado de direito. E contra a canalha bolivariano e o megalonaniquismo carnavalesco!

Perdeu, Celso Amorim!

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Por Reinaldo Azevedo

O QUE É “MEP” E UM NOME FAMOSO DO GRUPO

sexta-feira, 27 de novembro de 2009 | 21:09

Por causa do tal “Menino do MEP”, leitores perguntam: “Mas que diabo é MEP?” É a sigla do Movimento de Emancipação do Proletariado, tendência criada em 1976 e que se queria a “fração bolchevique da Polop”. A Polop era a sigla de “Política Operária”, um grupo bastante presente nas universidades desde o começo dos anos 60, que se  fragmentou em vários outros. A militância do MEP era constituída, sobretudo, de jovens de classe média, que nunca tinham visto o chão de fábrica. Boa parte só foi conhecer a classe operária na cadeia. Um político ligado ao MEP que ganhou projeção nacional e teve um fim trágico foi Celso Daniel, prefeito de Santo André, assassinado no dia 18 de janeiro de 2002.

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Por Reinaldo Azevedo

A NOTA DE PAULO DE TARSO, O DONO DA MATISSE

sexta-feira, 27 de novembro de 2009 | 19:08

Num papel impresso da agência Matisse, uma das mais bem-aquinhoadas com verba publicitária pela Secretaria de Comunicação, chefiada por Franklin Martins, o publicitário Paulo de Tarso Santos divulgou a seguinte nota sobre o artigo escrito por César Benjamin (os grifos são meus). Comento em seguida:

São Paulo, 27 de novembro de 2009.

Aos profissionais da imprensa.

A respeito do artigo publicado na Folha de São Paulo, nesta quinta-feira, dia 27 de novembro, sob o título “Os filhos do Brasil” (pg. A8), de autoria do cientista político César Benjamin, onde sou citado nominalmente como participante de um almoço acontecido durante a campanha de 1994, com a presença do atual Presidente da República, Luis Inácio Lula da Silva, e outros interlocutores, gostaria de me manifestar publicamente para que não pairem dúvidas sobre a minha versão do acontecido:

1- O almoço a que se refere o artigo de fato ocorreu. O publicitário americano mencionado se chamava Erick Ekwall e nos tinha sido recomendado pelo empresário Oded Grajew.

2- Eu, Paulo de Tarso, então responsável pela campanha publicitária do atual Presidente, não me recordo da presença de César Benjamin nesse almoço - embora ele trabalhasse conosco na campanha.

3- Confirmo a informalidade do almoço, mas absolutamente não confirmo qualquer menção sobre os temas tratados no artigo.

4- Não compreendo qual a intenção do articulista em narrar os fatos como narrou (como disse, sequer me lembro de sua presença na mesa).

5- Não concordo com o conceito do que foi escrito - um ataque particular à figura do Presidente da República que, na minha opinião como cidadão, independente de quem seja, deve receber o respeito da sociedade brasileira como representante maior das instituições democráticas.

Sem mais.
Atenciosamente,
Paulo de Tarso da Cunha Santos.

Comento
Parece, não estou dizendo que seja, uma nota lida com lupa por advogados. A língua dispõe de dois recursos de uma absurda simplicidade para se referir à realidade: um é o  “sim”; o outro é o “não”. Mas tenho alguns queridos amigos advogados que já me instruíram sobre todos os matizes — e “matisses” (perdão! Não resisti) — do “mais ou menos”.

Leio, releio e leio de novo a nota de Paulo de Tarso Santos e não consigo encontrar ali uma cosa simples e sem ambigüidade como: “É mentira! Isso não aconteceu”. Leiam e releiam vocês mesmos.

E, com isso, não estou dizendo, evidentemente, que asseguro que Benjamin esteja dizendo a verdade. Eu não! Paulo de Tarso, que estava lá, não consegue dizer que ele mente, por que eu, que não estava, vou assegurar que ele fala a verdade, não é mesmo?

“Não confirmar” alguma coisa, em juridiquês, é diferente de “negar”. Pesquisem os seus doutores. Paulo de Tarso também apela a um eventual apagão da memória: não se lembra de Benjamin àquela mesa e diz não compreender a sua narrativa “como narrou”.

O item 5 me deixou encafifado. Releiam:
Não concordo com o conceito do que foi escrito - um ataque particular à figura do Presidente da República que, na minha opinião como cidadão, independente de quem seja, deve receber o respeito da sociedade brasileira como representante maior das instituições democráticas.

Sem entrar no mérito da história, digo eu que não entendo esse “Item 5″. O que quer dizer “não concordar com o conceito”?

PS - Bem que Paulo de Tarso poderia ter-se dispensado de divulgar a sua nota num papel impresso da Matisse. Se o fizesse, teria sido em benefício do próprio Lula e de si mesmo.

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Por Reinaldo Azevedo

Comentários

sexta-feira, 27 de novembro de 2009 | 18:33

Caras e caros,

Neste momento, há 368 comentários na fila. Sejam pacientes. Darei conta deles aos poucos.

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Por Reinaldo Azevedo

GOVERNO DO DF - QUEM ERROU TEM DE PAGAR. E CARO!

sexta-feira, 27 de novembro de 2009 | 18:16

“É estranho que esse fato apareça agora no fim de ano, às vésperas do processo eleitoral. É um processo nebuloso que ainda precisa de esclarecimentos. Não ficou claro se envolve o governador. O DEM mantém a confiança no nosso governador para esclarecer tudo, tanto do ponto de vista da acusação, como da defesa”.

A fala acima é do líder do PFL no Senado, José Agripino Maia (RN). Acho compreensível. É o que um petista, tucano ou peemedebista diria se um dos seus estivesse no lugar de José Roberto Arruda, governador do Distrito Federal. Afinal, não se conhecem ainda todos os detalhes da investigação. Há poucos dias, a própria Dilma Rousseff lembrava que ninguém é culpado até estar condenado, coisa que Lula também vive falando para proteger os seus. Sei: a companhia não é das melhores…

Farei, sem que tenham me pedido, como sempre, uma lembrança ao DEM e uma advertência: justificar o injustificável é um atalho para a desmoralização. Se a gravação do tal secretário de Arruda for tão inequívoca como se diz, cumpre não ficar velando cadáver adiado. Porque ele procria e contribui para minar o partido.

Sendo a coisa como se noticia, é de duvidar que o governador José Roberto Arruda resista, o que seria uma pena no que concerne à administração: vinha fazendo uma boa gestão. MAS A LEI VALE TANTO PARA OS GOVERNOS COMPETENTES COMO PARA OS INCOMPETENTES, TANTO PARA OS GOVERNOS POPULARES COMO PARA OS IMPOPULARES.

Acho até compreensível que o senador Agripino estranhe que o único governo do DEM seja alvo de investigação e que nada se conheça sobre os gigantes morais do PMDB ou mesmo do PT. MAS ISSO, ATENÇÃO!, NÃO MUDA O CONTEÚDO DA GRAVAÇÃO. Pode-se e deve-se apurar se há investigação seletiva. Mas que isso não sirva para condescender com o erro.

Errou, pagou! Que triunfe a lei!

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Por Reinaldo Azevedo

UM FURACÃO NO GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL

sexta-feira, 27 de novembro de 2009 | 17:34

“Não vai falar sobre a operação da Polícia Federal contra o governo do Distrito Federal?” Vou! Como não? E vou falar nos termos em que sempre falo, basta consultar o arquivo, quando há coisas dessa natureza. Primeiro aos fatos.

O ministro Fernando Gonçalves, do STJ, autorizou, e a PF cumpriu mandados de busca e apreensão num anexo da residência oficial do governador José Roberto Arruda (DEM), onde fica seu chefe de gabinete, Fábio Simão. Casas e gabinetes de deputados distritais e de secretários do governador também foram alvos da operação, batizada de “Caixa de Pandora”, que investiga fraudes em licitações.

As respectivas casas dos seguintes auxiliares de Arruda foram visitadas pelos agentes: Omézio Pontes, assessor de imprensa; José Luiz Valente (secretário de Educação); José Geraldo Maciel (secretário-chefe da Casa Civil), e Durval Barbosa (secretário de Relações Institucionais). Fizeram-se ainda buscas e apreensões nas casas e gabinetes dos seguintes deputados: Leonardo Prudente (DEM), presidente da Câmara; Eurides Britto (PMDB), líder do governo; Rogério Ulysses (PSB), presidente da CCJ, e Pedro do Ovo (PRP), suplente. Domingos Lamoglia, membro do Tribunal de Contas do DF e ex-chefe de gabinete de Arruda, também teve o gabinete visitado.

Todo cuidado é pouco nesses casos, mas a situação do governo do Distrito Federal não parece das melhores. Consta do despacho do ministro Fernando Gonçalves que Durval Barbosa instalou na roupa aparelhos de escuta ambiental e gravou o governador Arruda determinando que R$ 400 mil fossem repassados à base aliada, além de outros “R$ 200 mil para o mesmo destino”. Em troca da colaboração, foi oferecida a Barbosa a sua inclusao no programa de proteção à testemunha.

São investigadas também as seguintes empresas, suspeitas de pagamentos irregulares a pessoas ligadas ao governo:  Infoeducacional, Vertax, Adler e Linknet. Todas prestam serviços ao governo do Distrito Federal.

Já cansamos de ver mega-operações da PF não darem em grande coisa, não porque a Justiça não puna ninguém, mas porque não se apresentam provas consistentes. Espera-se que não seja o caso. Que o imbróglio, até aqui, pareça de extrema gravidade para o governador José Roberto Arruda, isso é inegável. A principal peça que o coloca no centro do problema vem da cozinha do seu governo. Vamos ver.

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Por Reinaldo Azevedo

“Loucura, psicopatia”, reage o Planalto, mas Lula não vai processar Benjamin

sexta-feira, 27 de novembro de 2009 | 16:05

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria classificado de “loucura” a afirmação de César Benjamin, segundo quem o agora presidente confessou a um grupo de pessoas, do qual fazia parte Benjamin, que tentara violar um jovem na cadeia, o que só não teria se consumado porque o “menino do MEP” resistiu bravamente, com chutes e cotoveladas.

Gilberto Carvalho, chefe de gabinete de Lula, classificou a acusação de “coisa de psicopata”. Mas Lula não vai processar Benjamin: “Vamos nos sujar se fizermos isso”.

Bem, então tá. Benjamin diz, vejam post anterior, que outras pessoas presenciaram a confissão. É grave o que ele escreve? É, pouco importa o ângulo pelo qual se olhe a coisa, e certamente causará surpresa a muitos que Lula não queira levá-lo aos tribunais.

Se Benjamin fala a verdade, estamos diante de um caso flagrante de contradição entre a pregação de um afigura pública e suas práticas de vida, especialmente num caso em que sua potencial vítima tinha chances reduzidas de defesa. Se o articulista mente, o agravo precisa ser reparado. Afinal, Lula não é um homem qualquer. É o presidente da República, o “filho do Brasil”.

Tal postura corre o risco de alimentar aquela máxima de que “quem cala consente”.

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Por Reinaldo Azevedo

LEIAM ABAIXO

sexta-feira, 27 de novembro de 2009 | 5:45

- DIAS SÓRDIDOS;
- Uma entrevista de César Benjamin;
- CHEGOU!;
- AGÊNCIA DA ONU ACUSA O IRÃ E DESMORALIZA O GOVERNO LULA E OS - ALOPRADOS DE AMORIM;
- DEU A LOUCA EM PROCURADORES DO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL;
- A frase;
- ESTUPIDEZ INESGOTÁVEL E INSACIÁVEL;
- Lula, o melhor e o pior;
- UMA QUESTÃO DE RESPEITO À VONTADE DO ELEITOR;
- Segundo pesquisa, 87% conhecem Dilma, só 13,5% fazem questão de votar nela, e 34,4% não querem nem ouvir falar…;
- LULA E SEUS GOLPISTAS DE ESTIMAÇÃO;
- “Lula” e “Dilma” em propaganda de papel higiênico;
- A TENTAÇÃO NEO-INTEGRALISTA

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Por Reinaldo Azevedo

DIAS SÓRDIDOS

sexta-feira, 27 de novembro de 2009 | 5:35

É, meus caros leitores… Encarem este post até o fim!!!

Permito-me abrir este post verdadeiramente espantoso com algo que escrevi aqui há menos de uma semana: não me interessa a vida privada de homens públicos, a menos que ela esteja em contradição com a sua pregação e com as escolhas políticas que anunciam. Dito isso, adiante.

Vocês sabem quem é César Benjamin? Então começo por sua biografia sintetizada hoje na Folha de S. Paulo:
CÉSAR BENJAMIN, 55, militou no movimento estudantil secundarista em 1968 e passou para a clandestinidade depois da decretação do Ato Institucional nº 5, em 13 de dezembro desse ano, juntando-se à resistência armada ao regime militar. Foi preso em meados de 1971, com 17 anos, e expulso do país no final de 1976. Retornou em 1978. Ajudou a fundar o PT, do qual se desfiliou em 1995. Em 2006 foi candidato a vice-presidente na chapa liderada pela senadora Heloísa Helena, do PSOL, do qual também se desfiliou. Trabalhou na Fundação Getulio Vargas, na Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, na Prefeitura do Rio de Janeiro e na Editora Nova Fronteira. É editor da Editora Contraponto e colunista da Folha.

Como se nota por sua biografia, Benjamin — conhecido por Cesinha — não é alguém por quem eu nutra qualquer simpatia ideológica. No arquivo, vocês encontrarão várias referências a ele e também à sua editora, que publica bons livros. À diferença do que dizem, sei manter divergências civilizadas com civilizados. Adiante.

A Folha publica hoje alguns textos sobre o filme hagiográfico “Lula, O Filho do Brasil”. Benjamin escreve um longo depoimento — íntegra aqui — em que narra todos os horrores que sofreu na cadeia, preso que foi aos 17 anos. Entre outras coisas, e sabemos que isto é tragicamente comum nas cadeias brasileiras até hoje, foi entregue para “ser usado” pelos presos comuns, o que, escreve ele, não aconteceu. E faz um texto que chega a ser comovido sobre o respeito que lhe dispensaram na cadeia.

Depois de narrar suas agruras, interrompe o fluxo da memória daquele passado mais distante para se fixar num mais recente, 1994, quando integrava a equipe que cuidava da campanha eleitoral de Lula na TV — no grupo, estava um marqueteiro americano importado por alguns petistas. E, agora, segue o texto estarrecedor de Benjamin sobre uma reunião.

(…)
Na mesa, estávamos eu, o americano ao meu lado, Lula e o publicitário Paulo de Tarso em frente e, nas cabeceiras, Espinoza (segurança de Lula) e outro publicitário brasileiro que trabalhava conosco, cujo nome também esqueci. Lula puxou conversa: “Você esteve preso, não é Cesinha?” “Estive.” “Quanto tempo?” “Alguns anos…”, desconversei (raramente falo nesse assunto). Lula continuou: “Eu não aguentaria. Não vivo sem boceta”.

Para comprovar essa afirmação, passou a narrar com fluência como havia tentado subjugar outro preso nos 30 dias em que ficara detido. Chamava-o de “menino do MEP”, em referência a uma organização de esquerda que já deixou de existir. Ficara surpreso com a resistência do “menino”, que frustrara a investida com cotoveladas e socos.

Foi um dos momentos mais kafkianos que vivi. Enquanto ouvia a narrativa do nosso candidato, eu relembrava as vezes em que poderia ter sido, digamos assim, o “menino do MEP” nas mãos de criminosos comuns considerados perigosos, condenados a penas longas, que, não obstante essas condições, sempre me respeitaram.

O marqueteiro americano me cutucava, impaciente, para que eu traduzisse o que Lula falava, dada a importância do primeiro encontro. Eu não sabia o que fazer. Não podia lhe dizer o que estava ouvindo. Depois do almoço, desconversei: Lula só havia dito generalidades sem importância. O americano achou que eu estava boicotando o seu trabalho. Ficou bravo e, felizmente, desapareceu.

Num outro ponto se seu longo texto, Benjamin comenta o filme sobre a vida de Lula e lembra aqueles que não o molestaram na cadeia:

(…)
A todos, autênticos filhos do Brasil, tão castigados, presto homenagem, estejam onde estiverem, mortos ou vivos, pela maneira como trataram um jovem branco de classe média, na casa dos 20 anos, que lhes esteve ao alcance das mãos. Eu nunca soube quem é o “menino do MEP”. Suponho que esteja vivo, pois a organização era formada por gente com o meu perfil. Nossa sobrevida, em geral, é bem maior do que a dos pobres e pretos.

O homem que me disse que o atacou é hoje presidente da República. É conciliador e, dizem, faz um bom governo. Ganhou projeção internacional. Afastei-me dele depois daquela conversa na produtora de televisão, mas desejo-lhe sorte, pelo bem do nosso país. Espero que tenha melhorado com o passar dos anos.

Mesmo assim, não pretendo assistir a “O Filho do Brasil”, que exala o mau cheiro das mistificações. Li nos jornais que o filme mostra cenas dos 30 dias em que Lula esteve detido e lembrei das passagens que registrei neste texto, que está além da política. Não pretende acusar, rotular ou julgar, mas refletir sobre a complexidade da condição humana, justamente o que um filme assim, a serviço do culto à personalidade, tenta esconder.

Voltei
Peço-lhes prudência nos comentários — mesmo! A política, no ritmo em que vai, está palmilhando todos os caminhos da sordidez, da abjeção, da absoluta falta de limites. Que alguém tenha notado que certas visões de mundo são úteis para vender papel higiênico expõe de modo galhofeiro e trágico o triunfo da vulgaridade: ancha, arrogante, bravateira.

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Por Reinaldo Azevedo

Uma entrevista de César Benjamin

sexta-feira, 27 de novembro de 2009 | 5:33

Quanto estourou o escândalo do mensalão, César Benjamin concedeu uma entrevista a Wilson Tosta, do Estadao, em que narrava como tudo começou. Foi publicada no dia 19 de agosto de 2005:

Militante do PT de 1980 a 1995, o editor César Queiroz Benjamin, de 51 anos, situa no início dos anos 90, com a atuação do então representante da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Delúbio Soares, no Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), o início da mudança que levou o partido à atual crise. De acordo com Benjamin, com repasses do FAT para sindicatos Delúbio Soares fortaleceu a tendência Articulação, da qual fazem parte o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o deputado José Dirceu (SP), que assim dominou a máquina partidária.

Na direção do PT, conta ele, Delúbio, com aval do hoje presidente e do ex-ministro da Casa Civil, formou com outros petistas o grupo conhecido como “os operadores”, cujo objetivo prioritário era dinheiro.

“Então esse grupo consolida a sua hegemonia”, diz Benjamin, que não apresenta provas, mas alega que no PT “todos sabiam” do que ocorria. Ele deixou o partido há uma década, denunciando o que chamou de “ovo da serpente”, a entrada maciça na legenda de dinheiro de bancos e empreiteiras. Hoje, acha que suas previsões se confirmaram e avalia que Lula sabia das irregularidades. “Eu, que já estava fora do PT, sabia. Como o Lula poderia não saber?”

O senhor acha que as previsões que fez ao sair do o PT se cumpriram?
Vamos situar a saída. Na campanha de 1994, eu era da direção e da coordenação da campanha. E depois ficou claro que tinha havido uma série de financiamentos que desconhecíamos. De bancos e empreiteiras, para a campanha do Lula.

Eram financiamentos ilegais?
Do ponto de vista partidário não eram legais. Porque tanto a direção quanto a militância nunca souberam disso. Tentei discutir na direção nacional, não houve possibilidade, e resolvi levar ao Encontro Nacional do PT de 1995, que era o primeiro na seqüência da eleição. E aí ficou claro para mim que já estava havendo no PT o início do esquema que agora vem à luz, inclusive com os mesmos personagens. Eu tive a percepção de que isso continha um perigo extraordinário, que era a entrada no PT, pesadamente, de esquemas de financiamento que teriam um impacto grande na vida interna do partido. O Dirceu foi eleito para a presidência, esse grupo que agora está nas manchetes assume cargos-chave, e fica claro que o partido tinha tido uma inflexão para pior. Ser direção passava a ser gerenciar interesses. E saí, eu me lembro que no meu pronunciamento no Encontro Nacional disse que estávamos diante do ovo da serpente que ia nos devorar. Então, quando vejo essa situação atual, tenho consciência de que não começou agora e é a expressão de uma prática continuada e sistêmica, que foi introduzida através do Lula e do Zé Dirceu.

Pode-se dizer que o processo de corrupção começou em 1994?
Talvez tenha começado antes.

Quando?
Há notícias de processos semelhantes no Fundo de Amparo ao Trabalhador. Não por coincidência o representante da CUT no FAT chamava-se Delúbio Soares e se multiplicaram notícias de esquemas de financiamento heterodoxos.

O que houve?
Até essa época, a Articulação, que é o grupo do Lula e do Dirceu, ainda disputava a hegemonia no PT cabeça com cabeça. A minha interpretação é a de que esse grupo usou esquemas de financiamento heterodoxos para fortalecer a Articulação. Porque o FAT faz convênios com sindicatos. E assim fortaleceu as finanças da Articulação, que passa a manejar poder financeiro que é uma arma nova na luta. Passa a ter capacidade de financiar candidaturas, trazer pessoas, estabelecer pontes. Delúbio se tornou figura paradigmática. Foi tesoureiro da CUT, foi para o PT como tesoureiro. E esse grupo começa a ser conhecido como “os operadores”.

Quem eram Delúbio, Sílvio?
Silvio Pereira, depois Marcelo Sereno… Esse grupo estabelece influência crescente no PT e na CUT. Ser da Articulação significava fazer campanhas muito caras. E se combina com o esvaziamento da militância. Então esse grupo consolida a hegemonia. Passa a operar em vários esquemas. Santo André é um deles. Passa a procurar maneiras de levantar dinheiro. E com a chegada ao governo federal as práticas ganham escala e um potencial de crescimento e visibilidade muito maior.

E o presidente Lula nisso tudo?
O Lula garante que foi traído, que não sabia. Mas eu não acredito nisso. Foram práticas sistemáticas durante mais de dez anos, do grupo que era mais próximo do próprio Lula. Me parece completamente inverossímil que ele fosse o único a não saber. Todos sabíamos. Eu, que já estava fora do PT, sabia. Como o Lula poderia não saber?

Qual é o efeito disso?
O principal legado é que a liderança do Lula dissolveu por dentro os valores da esquerda. Se você pegar para trás, Luiz Carlos Prestes morre pobre. Nunca tínhamos tido uma liderança que disseminasse o antivalor.

O que é isso?
O grande legado do Lula é essa disseminação do antivalor. O valor da esperteza, o valor de se dar bem, de não estudar, ter orgulho de não estudar… Eu diria que o Lula sempre foi um grande guarda-chuva para os oportunistas no PT. Uma coisa é o partido ter um líder que é honesto, honrado. Então, quem quer ser picareta fica meio acuado. Pode até querer ser picareta, mas não é a regra. Outra coisa é você estar num ambiente em que veio de cima o exemplo. Então, sob a liderança do Lula, eu diria que se formou a pior geração de militantes da esquerda brasileira de toda a sua história: pragmática, oportunista, individualista, carreirista.
(…)

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Por Reinaldo Azevedo


 
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