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A bela adormecida

sexta-feira, 27 de novembro de 2009 | 12:38

Fechada: vá a capital ao lado

Fechado: Favor ir à capital ao lado

O apagão ainda não chegou a Cidade Luz. No entanto, depois das 23h, Paris toma um tiro mortal. A vida noturna apagada da capital que mais recebe turistas no mundo, menos animada do que Berlim, Londres, Amsterdam ou Barcelona, está criando fama oposta ao famoso mote da canção New York, NewYork, hino popular da metrópole americana de mesmo nome. Agora dizem: “Paris, a cidade que dorme sempre.”

Houve um tempo em que Paris era considerada o paraíso dos boêmios. Isto porque os lugares para varar a noite até o momento quando a cidade é ainda mais esplendorosa - o lusco-fusco brilhante do amanhecer - permaneciam abertos.  Hoje, as autorizações para um estabelecimento funcionar além das 2 horas da madrugada  passam por fino conta-gotas da administração municipal. Outrora, o comportamento nos interiores e proximidades dos estabelecimentos era sujeito a regras menos restritas.

Conter o ruído em uma cidade onde a maioria das construções datam de outros séculos, quando não é impraticável, custa uma dinheirama. A vizinhança residencial recorre com frequência à intervenção policial quando sente-se incomodada pelo barulho. A lei antitabagista, em vigor desde 2008, proibindo fumar nos interiores de lugares públicos  aumentou o problema. Doravante, em frente as casas noturnas, a reunião de animados grupos de fumantes faz parte da paisagem. O dono do Batofar, um barco convertido a bar com shows de música às margens do rio Sena, foi responsabilizado judicialmente por uma briga entre seus clientes a 150 metros do ancoradouro.

A crise econômica reduziu o poder aquisitivo dos franceses. A curva da frequência de bares, restaurantes e discotecas deu um mergulho. Mas é a legislação rigorosa, uma enleada burocracia, que tem causado multas pesadas e a suspensão temporária de licenças que podem chegar até o fechamento definitivo. É o caso da eletrizante boate La Loco, vizinha ao Moulin Rouge, em Pigalle, a região da capital francesa onde a noite é mais festiva. Adicione-se que o metrô, o transporte público mais utilizados pelos parisienses para de circular à 1 hora da madrugada - nos fim de semana opera até às 2h.

No caso dos restaurantes, leis trabalhistas arcaicas como a limitação da jornada de trabalho de 35 horas, tornou à prática de horas extras proibitivas pelo alto custos dos encargos sociais. Os proprietários preferem ir dormir cedo do que contratar. Caso clássico de perda de oportunidade para criação de riqueza. Quem acometido de fome e sede tardia, já não enfrentou a rota do calvário em Paris, indo de porta em porta e ao entrar, recebeu o “Desolé, a cozinha fechou”? Resposta em francês, inglês e português: une poignée, happy few, meia dúzia de gatos pingados.

Um coletivo que tira seu sustento do divertimento noturno criou a campanha “Paris: quando a noite morre em silêncio”. Os organizadores clamam por abrandamento no quadro jurídico. “Qual o sentido de uma lei de saúde pública que no final, impede as pessoas de dançar?”, perguntam eles. Parte da iniciativa é uma petição na internet que já colheu mais de 12.000 assinaturas favoráveis.

Preocupado em desmistificar a imagem de que a sua cidade está se tornando um verdadeiro museu noturno, o prefeito de Paris, Bertrand Delanoë, mandou seu secretário de Turismo, Jean-Bernard Bros, criar um site oficial na internet listando as atrações da noite em Paris. Nos últimos anos, a prefeitura tem promoveu também, sem muito sucesso, a Nuit Blanche (Noite ao Claro), onde acontecem várias manifestações artísticas exclusivamente durante uma madrugada.

No fim dos anos 60, o notívago cantor francês Jacques Dutronc fazia a França cantar o cenário da hora em que ele ia dormir, quando as estrelas do striptease vestiam-se, quando os amorosos estavam cansados da noitada, Il est cinq heures Paris s’eveille (São cinco horas Paris acorda). Hoje, o filho Thomas Dutronc faz sucesso com a canção J’Aime Plus Paris (Eu não amo mais Paris).

Por Antonio Ribeiro

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De São José dos Campos, Milena Popovic

quarta-feira, 25 de novembro de 2009 | 17:41

milenapopovicAntonio,

Sou leitora fanática do seu blog. Vi o post intulado “8 em cada 10 franceses: ‘Não merecemos ir à Copa’” com a foto do quadro de Georges de La Tour e ele trouxe uma lembrança muito agradável, quando fiz esta foto no Louvre.

Isso foi na minha primeira viagem à Europa, aos 29 anos de idade (vá lá, não faz tanto tempo assim, estou com 30!). Depois de 4 anos de curso na Aliança Francesa aqui em São José dos Campos, resolvi passar 20 dias na França, com um intervalo de um final de semana em Londres para ir ver uma ópera (a Flauta Mágica”, de Mozart). Eu sonhava com essa viagem (e com as idas ao Louvre) desde os 11 anos de idade.

Bom, era só isso que eu tinha a dizer! Obrigada pelo blog, sou fã de carteirinha dele!

Milena Popovic

Por Antonio Ribeiro

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O legado de Jean Charles de Menezes

terça-feira, 24 de novembro de 2009 | 13:08

jeancharles

Em 2005, o eletricista mineiro Jean Charles de Menezes, de 27 anos, seguido a uma brutal sequência de erros da Scotland Yard foi confundido com um terrorista e executado com 11 tiros a queima roupa, na estação Stockwell do metrô de Londres. Durante quatro anos em quatro processos judiciais, ninguém foi condenado pelo assassinato. Ontem, a polícia metropolitana londrina disse ter chegado a um acordo para indenizar a família Menezes - o pai e a mãe de Jean Charles são modestos agricultores na região rural de Gonzaga, Minas Gerais. O jornal  Daily Mail fala em 100.000 libras esterlinas (285.000 reais), quantia três vezes menor que o pleito dos advogados da defesa.  (A título de referência: Um tribunal londrino julgou esta semana que o tabloide The News of the World deve pagar 800.000 libras para o reporter Matt Driscoll que alegou ter sido destratado pelo seu chefe Andy Coulson). O acordo, segundo a polícia, coloca ponto final na disputa judicial. A trágica morte de Jean Charles de Menezes fez o governo inglês refletir sobre a concessão à polícia do direito de matar. Na época, VEJA fez uma reportagem sobre a questão. Leia abaixo:

VEJA - Edição 1920 - 31 de agosto de 2005

Inglaterra

Um crime na consciência

A execução do brasileiro confundido  com terrorista em Londres leva os ingleses a refletir sobre a concessão à polícia do direito de matar

Antonio Ribeiro, de Paris

A sociedade inglesa enfrentou o terrorismo com resignação, resistência e o sentimento de que não deveria permitir que os ataques atrapalhassem o seu dia-a-dia. A reação diante da morte de Jean Charles de Menezes é de outra ordem. Respirou aliviada um primeiro momento, quando foi levada a pensar que a polícia tinha conseguido eliminar um terrorista prestes a detonar sua bomba numa das principais estações de metrô de Londres. A intensidade do choque causado pelo reconhecimento posterior de que a Scotland Yard tentou encobrir a morte de um inocente suplanta, de certa forma, a indignação provocada pelos atentados de 7 de julho. À medida que se tomou conhecimento das falsificações de dados, das meias verdades e do desaparecimento das fitas de segurança, a opinião pública começou a perceber que esse tipo de atitude por parte da polícia é mais prejudicial ao seu estilo de vida que o terrorismo propriamente dito. Os ingleses concebem a existência do terror como fenômeno nefasto a ser extirpado, mas não estão dispostos a conviver com uma polícia que desperta desconfiança.

A Scotland Yard é uma corporação lendária pela eficácia decorrente da inteligência e do uso de força moderada. Seus policiais tradicionalmente atuam desarmados. O que há de diferente no momento é o aumento na quantidade de policiais armados nas ruas londrinas e a autorização que muitos deles recebem para atirar na cabeça de alguém suspeito de estar na iminência de cometer ação terrorista e, em certas situações, disparar sem aviso. Essa estratégia, conhecida como Operação Kratos, é uma resposta forte ao terrorismo suicida, até há pouco inédito na Europa. Diante da urgência, e até que coisa melhor seja encontrada, trata-se de uma medida excepcional para tempos sombrios, segundo seus defensores. Representa um solavanco na órbita de uma democracia que enfrentou o terrorismo do IRA durante 36 anos sem abandonar os valores que sempre foram o candeeiro da resistência britânica, a consciência de que é necessário fiscalizar de perto o poder do estado.

Nesse aspecto, a morte de Menezes foi uma lição trágica que levou a sociedade inglesa a refletir sobre as armas de que dispõe na luta contra o terrorismo - e o custo de usá-las. Está ficando óbvio para a maioria que entregar poderes excepcionais à polícia abre a possibilidade de ocorrerem aberrações irremediáveis. A primeira versão posta a circular pela Scotland Yard foi a de que Menezes deu motivos para a polícia abrir fogo. Mais tarde se descobriu tratar-se de lorota vergonhosa. Num processo similar ao que atinge o governo do PT, a situação da Scotland Yard fica pior a cada nova revelação. “A tentativa da Scotland Yard de encobrir os erros no caso Jean abalou mais sua credibilidade do que as falhas propriamente ditas”, disse a VEJA o especialista inglês Charles Shoebridge, ex-policial da força antiterrorismo da Scotland Yard. 

O delicado caso Jean Charles de Menezes será um teste capital para a Comissão Independente de Queixas contra a Polícia (IPCC, na sigla em inglês), responsável pelo inquérito. O organismo foi criado no ano passado pelo governo do primeiro-ministro Tony Blair depois que a Suprema Corte britânica concluiu ser injusta a tradição da polícia de investigar a si própria. Os oitenta agentes da IPCC, entre os quais muitos são descendentes de imigrantes, não podem ter parentes entre os membros da força policial. O efetivo multicultural foi concebido para evitar a inibição e a desconfiança das comunidades minoritárias, que, de acordo com as estatísticas, são as maiores vítimas de abusos policiais. O presidente da IPCC não é juiz, advogado ou servidor público, mas Nick Hardwick, até então diretor executivo do Conselho para Refugiados, ONG de defesa dos direitos humanos de minorias.

Noventa minutos depois da execução em Stockwell, o comissário-chefe da Scotland Yard, sir Ian Blair (nenhum parentesco com o primeiro-ministro), pediu ao Ministério do Interior que impedisse a IPCC de investigar o caso, para não atrapalhar na luta antiterrorista. A proposta foi rejeitada, mas a comissão independente só conseguiu chegar perto dos primeiros indícios quase uma semana depois da morte. Na queda-de-braço entre a polícia e a IPCC, valem até golpes por baixo da mesa. A polícia informou aos investigadores que algumas câmeras do circuito fechado da estação de metrô Stockwell não registram os últimos momentos de Menezes. A empresa responsável pela manutenção das câmeras não detectou nenhuma anomalia no funcionamento do sistema no dia da morte de Menezes. Os documentos e relatos que revelaram a mentira da polícia sobre o caso, vazados à imprensa, saíram dos computadores da IPCC.

O governo brasileiro enviou uma missão diplomática para acompanhar as investigações. Os emissários do Brasil descobriram que a polícia inglesa, enquanto mentia para o público, contou toda a verdade à família da vítima. “Os policiais pediram aos parentes de Jean que não divulgassem essa informação para não atrapalhar o combate interno ao terrorismo”, diz Márcio Garcia, do Ministério da Justiça, um dos três enviados brasileiros. A comissão independente manifestou a intenção de concluir o inquérito até o fim do ano. Ele pode desaguar em processos criminais contra membros da Yard. Quando isso ocorreu no passado, policiais abandonaram o serviço em solidariedade aos colegas condenados. Na atual luta contra o terror, esse efeito seria desastroso para a corporação, cujo efetivo, considerado insuficiente para o desafio da missão, tem trabalhado sob alta tensão num ritmo infernal. Seria pior, contudo, abafar o caso e deixar que a ação da polícia escape do controle da sociedade, como ocorre nas repúblicas bananeiras.

A notoriedade que a morte de Jean Charles ganhou na Inglaterra tem sido usada também para proveito político. Asad Rehman, assessor do parlamentar George Galloway - acusado pelo Senado americano de trabalhar pela ditadura de Saddam Hussein -, proclamou-se “porta-voz” da família Menezes em Londres. Galloway tem capitaneado as entrevistas coletivas dos primos de Jean. As acusações contra a polícia agora se misturam com críticas à presença das tropas britânicas no Iraque. “Infelizmente a família é ingênua. Os parentes estariam melhor nas mãos do embaixador brasileiro”, disse o deputado conservador Brian Coleman. Essa onda foi prevista muito antes de acontecer pela advogada da família, Gareth Peirce, famosa pela defesa que inocentou o grupo de irlandeses condenados injustamente como terroristas do IRA, conhecidos como Guildford Four. A descoberta do erro perpetrado pela polícia é um marco na história do sistema judicial inglês. Gareth Peirce considera as atuais investigações comprometidas. Ela clama por um processo público com ainda mais visibilidade. Não será surpresa se ela evocar sua frase célebre: “Diga terrorismo e isso justifica tudo”.

Por Antonio Ribeiro

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8 em cada 10 franceses: “Não merecemos ir à Copa”

domingo, 22 de novembro de 2009 | 21:41

Le Tricheur à l'as de carreau

Le Tricheur à l'as de carreau

Patrício Kimmel, leitor do blog, escreveu do Rio de Janeiro dando conta de uma pesquisa realizada para o Telefoot, excelente programa sobre futebol do canal francês TF1, revelou que a maioria dos franceses acha que Henry deve permanecer como capitão da equipe nacional de futebol. Em efeito, foi escrito uma das mais longas respostas a um leitor desde abril de 2007, quando o blog De Paris foi ao ar. Quem quiser ler, ela está na área de comentários do post com o título O mais justo é voltar a jogar a partida.

Sustentei aqui: se Thierry Henry tivesse dito ao arbitro “Foi mão”, os torcedores no Stade de France ficariam surpresos em um primeiro instante, caída a ficha, Henry teria sido, muito provavelmente, ovacionado. Bem, com as pesquisas de opinião pública é igual. Uma enquête mias recente do OpinionWay para o canal estatal France 2 indica que entre 10 franceses, 8 acham que a França não merece ir a Copa devido a trapaça de Henry. Que aliás, é reprovada pela mesma pesquisa em igual número de franceses descontentes. Metade dos entrevistados quer o atual treinador,  Raymond Domemenech, fora do comando dos Bleus.

O trapaceiro com o ás de ouros, de Georges de La Tour (1593 - 1652), quadro que ilustra este post, está bem merecidamente no Museu do Louvre.

Por Antonio Ribeiro

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Blog da Copa

sábado, 21 de novembro de 2009 | 22:15

blog-da-copaCaríssimos.

Vocês já notaram na Veja.com que os jornalistas Giancarlo Lepiani, Rafael Sbarai e André Pontes criaram um espaço de ribamba o malho, o Blog da Copa. No Pontapé inicial, o primeiro post, no dia 12 de novembro, eles apresentaram o blog assim:

Dentro de 240 dias, na tribuna de honra do estádio Soccer City, em Soweto, no coração da África do Sul, o troféu da Copa do Mundo será erguido mais uma vez. Diante de 94.700 pessoas nas arquibancadas e mais de um bilhão grudados à TV no mundo todo, o capitão da seleção campeã receberá o tesouro mais cobiçado do esporte mais popular do planeta. Até lá, VEJA.com mostrará neste blog os fatos e personagens marcantes do 19º Mundial - e acompanhará a torcida dos brasileiros pela conquista do hexa. A bola já está rolando.

Recomendo a leitura. Acesse o Blog da Copa aqui.

De Paris, um abraço

Por Antonio Ribeiro

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Henry: “O mais justo é voltar a jogar a partida”

sexta-feira, 20 de novembro de 2009 | 13:32

de-joelhos1

Depois da negativa da FIFA em atender o pedido oficial da Federação Irlandesa de Futebol e no centro de um debate que inflama a Europa, Thierry Henry saiu de sua reserva em uma contrição: “O mais justo é voltar a jogar a partida, mas isso não depende de mim.” Desde o fim do jogo da França contra a Irlanda, Thierry Henry vem sendo aconselhado por um grupo que administra situações de crise, um time zeloso para restaurar a imagem do jogador, garoto propaganda de primeira linha. “Claro que estou incomodado com a maneira como conquistamos a vaga para Copa. Sinto muito pelos irlandeses, eles mereciam ir à África do Sul”, lançou ele, em inglês. A tolerância com a falta de fair play no outro lado do Canal da Mancha é bem menor do que aqui, na França.

Quanto ao lance  irregular que originou o gol da classificação dos Bleus para Copa da África do Sul, Henry justificou com a seguinte falsa inocência:  “Foi uma reação instintiva, a bola estava muito rápida. Nunca deixei de admitir que usei a mão para controlar a bola. Eu disse aos jogadores da Irlanda, ao árbitro e à imprensa depois do jogo. Não sou nem nunca fui desonesto.” Para Thierry a “mão de Deus” de Maradona tem funcionado mais como a “mão do diabo.” Os franceses estão envergonhados. A internet esta infestada de escarnios e ofensas sobre o jogador. O atacante tornou-se piada nos jantares refinados e em papos de bistrô. Não surpreende que o capitão da equipe francesa tome distancia da FIFA na razão oposta que Fausto, personagem principal da obra mais famosa do pai da literatura alemã, Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832), achegou-se ao grão-tinhoso, o capeta.

Eric “Oo! Aah!” Cantona, ex-atacante do Mancherter United, o mais querido jogador francês da história do futebol inglês, foi mais longe. “Honestamente, o que me chocou não foram os toques de mão, mas no fim do jogo este jogador sentar-se a beira do gramado ao lado de Richard Dunne para consolá-lo do efeito de sua trapaça.” E arrematou com a franquesa louvada nas duas margens do Canal da Mancha: “Se eu fosse irlandês, eu teria lhe enfiado a mão, não duraria três segundos.”

Por Antonio Ribeiro

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FIFA diz “não” aos irlandeses

sexta-feira, 20 de novembro de 2009 | 9:04

FIFA: "Para o bem do jogo"

FIFA: "Para o bem do jogo"

A FIFA decidiu não atender a reivindicação dos irlandeses. Não haverá novo jogo entre França e Irlanda. A entidade que governa o futebol mundial justifica a decisão em um comunicado. “O resultado do jogo não pode ser modificado,  a partida não pode ser refeita. Como mencionado, claramente, nas Regras do Jogo (Laws of the Game), durante as partidas, as decisões tomadas pelo arbitro são definitivas.” Em 2005, a FIFA anulou um jogo entre Ubesquistão e Bahrain. Motivo: erro técnico do juiz. Um jogador penetrou na grande área durante a cobrança de um pênalti. O juiz nada marcou. O caso do duplo toque de mão de Henry, 17 minutos antes do fim da dramática prorrogação, que resultou no gol do zagueiro Gallas classificando a França para Copa da África do Sul, é considerado diferente. Trata-se, segundo a FIFA, de uma apreciação do juiz. A questão não é se houve toques de mão — como negar com imagens tão claras? — mas se o gesto foi voluntário ou não. O juiz sueco Martin Hansson, depois de consultar seus auxiliares de arbitragem, decidiu que o gesto foi involuntário.

Ontem, os políticos entraram em campo. Durante uma reunião em Bruxelas, o primeiro-ministro irlandês Brian Cowen abordou o assunto com Nicolas Sarkozy. O presidente francês lavou as mãos: “As instâncias que governam o futebol é que devem decidir.” E adicionou que poderia, uma vez mais, ser criticado por ser hiperativo. O primeiro-ministro francês retrucou seu colega irlandês: “Os políticos não devem se meter no assunto.” Mas nem todos dentro governo francês jogaram no mesmo time. A elegante ministra da Economia, Christine Lagarde, considerada recentemente pelo Financial Times “a mais eficiente da Europa”, saiu da sua habitual discrição: “Foi uma trapaça.”

FIFA: "Meu jogo é limpo"

FIFA: "Meu jogo é limpo"

O lendário treinador do Manchester United, Sir Alex Ferguson, engrossou o coro dos que clamam pela introdução do vídeo para ajudar a arbitragem decidir em lances controversos nas partidas de futebol. “O juiz não poderia ter visto o lance, é obvio que há questão sobre a ajuda tecnológica, mas a FIFA e a UEFA preferem a decisão humana.  Técnicos e jogadores no mundo pensam como eu, a tecnologia pode desempenhar um papel na arbitragem, pode ajudar o juiz.” Contra o argumento que a consulta ao vídeo quebraria o ritmo do jogo, Fergunson diz: “Em jogo de futebol, o tempo médio de ação é 65 minutos, verificar o vídeo leva um minuto. Quando tempo um goleiro retém a bola fazendo “cera”. Quanto tempo um jogador simula contusão paralisando o jogo?”

Por Antonio Ribeiro

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“Mr. Hansson, foi mão”

quinta-feira, 19 de novembro de 2009 | 19:56

foi-mao21

Imagine o leitor se Thierry Henry tivesse dito ao arbitro sueco: “Mr. Hansson, foi mão”.  A frase entraria para história. Seria repetida quando a honestidade fosse tema no esporte e fora dele. O pai diria ao filho, o professor diria ao aluno: “Mr. Hansson, foi mão.” Talvez os torcedores franceses ficassem surpresos em um primeiro instante, mas é bem provável que quando a ficha caísse, o Stade de France aplaudiria. Se Thierry Henry tivesse dito, “Mr. Hansson, foi mão”, ele seria reverenciado para sempre como ícone do fair-play. Ninguém deixaria Henry pagar, durante sua existência, sequer um cafezinho em bistrô que entrasse. A França teria um novo héroi. Agora, estão aí as gerações mais velhas, como aconteceu com a cabeçada de Zinedine Zidane no torax do zagueiro Marco Materazzi, dizendo aos mais jovens que os ídolos são humanos, que aquilo não foi direito. A França está envergonhada e a carreira de um grande atacante com uma baita mancha indelével.

Aqui, as vezes, se esceve sobre esporte, mas notem, não bem sobre esporte, na acepção  literal do substantivo, que se escreve aqui. É sobre algo que transcende.

Por Antonio Ribeiro

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“O futebol parou no tempo”

quinta-feira, 19 de novembro de 2009 | 14:32

lancecesar

Antonio,

Amo futebol. Aprendi com o Velho Augustão, meu pai.

Aprendi a ser Botafogo nos anos 60, quando o alvinegro carioca era o melhor time do Brasil.

Nos gramados, sempre fui um jogador que beirava o patético. Mas era metido a líder, a zagueiro clássico.

E sou fã de Pelé, Jairzinho, Paulo César, Franz Beckenbauer, Carlos Alberto, Cruyff, Diego Maradona, Michel Platini, Zinedine Zidane, Zico, Roberto Rivelino, Romário, Ronaldo, Cristiano Ronaldo, Paulo Roberto Falcão, Baresi, Messi, Marco van Basten.

Mas confesso: está cada vez mais chato ver futebol.

Principalmente devido aos erros estúpidos de arbitragem.

Como me irrita ver um time perder um jogo ou um campeonato - seja ou não o Botafogo - por causa de erro de arbitragem.

Ontem foi a vez dos irlandeses. O sonho de ir à África do Sul acabou graças a mão de Henry. Em casa, com a patroa ao lado, gritei: “Caramba, isso é roubo”.

Não posso pensar em outra coisa. É má-fé, roubaram os irlandeses, para que a França não ficasse fora da Copa.

Sou árduo defensor do uso da tecnologia no futebol.

Tem dúvida, para o jogo. O quarto árbitro, com a ajuda da TV, chama o árbitro principal e juntos tomam a decisão.

Gol de mão? Anula. Gol na banheira? Anula. Falta violenta? Expulsa.

Ah, os puristas vão dizer que isso tiraria a dinâmica do jogo.

Ora bolas, o basquete é o jogo mais veloz do mundo. Tem a tecnologia como aliada. E nunca perdeu dinamismo - mesmo com o excessivo rigor na marcação das faltas.

Tênis tem tecnologia. Vôlei também. Até peteca tem.

Mas o futebol parou no tempo. Errar absurdamente ou roubar faz parte do evento. Fica divertido, faz parte do folclore, aumenta a polêmica.

Embora Nelson Rodrigues afirmasse que o videoteipe é burro, não há mais como abrir mão da tecnologia no futebol.

Do Rio, um abraço alvinegro

César Seabra

OBS - Jornalista brilhante, César Seabra é diretor da GloboNews.

Por Antonio Ribeiro

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Mãos ao alto!

quinta-feira, 19 de novembro de 2009 | 8:35

jornaihenry

Os dois lendários e mais respeitados jornais de esporte da Europa publicaram nas suas primeiras páginas a história do lance vergonhoso — impedimento e toque duplo de mão do atacante e capitão do time, Thierry Henry — que classificou a França para Copa do Mundo da África do Sul. O francês L’Equipe titula: “Mão de Deus”. E faz um comedido editorial — Perfil baixo”— em cima da foto da ação. “Não há comemoração, mas alívio,” escrevem sobre o sentimento hoje entre os torcedores franceses. O italiano La Gazzeta dello Sport, é mais específico. Publica frase do treinador da Irlanda, Giovanni Trapattoni: “Che furto!” Quer dizer: “Que furto!”

Em Paris, os imigrantes e franceses de origem magrebina comemoraram a classificação da Argélia para Copa depois da vitória sobre o Egito. A maioria dos torcedores dos Bleus manifestaram desconforto e diferentes níveis de vergonha após a classificação da França. Em Zurique um porta-voz da FIFA descartou a possiblidade agurmentando que segundo as regras do futebol o arbitro do jogo tem a palavra final. Bem, segundo as regras do fubebol… toque de mão só vale para os goleiros.

Por Antonio Ribeiro

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