
Tenho 28 anos, sou mãe e amo meu filho. Não tenho dúvida alguma em relação a isso. Porém, em alguns momentos, eu perco o controle e agrido o menino que só tem 1 ano e meio. Já fiz isso várias vezes. Não é algo recorrente, mas, sob forte stress, quando ele se recusa a dormir e eu estou exausta, acabo dando um beliscão ou apertando seu bracinho… Logo após a catarse, me sinto péssima. Me acho uma mãe horrível apesar de todo amor e carinho que sinto por ele. Minha mãe também perdia o controle e batia na gente… Será que sou a reprodução pura e simples dela? Quanto estou traumatizando meu filho?
Hoje, depois do súbito ataque, disse a ele: “me perdoa filho por eu sucumbir tão facilmente à raiva”. Às vezes, penso que nunca vou me libertar deste monstro que faz parte de mim. Mas como ser humano, dotado de razão e cultura judaico-cristã, que alimenta a culpa sinto vontade de desaparecer. Morrer não seria o suficiente. Será que posso ser maior do que a raiva que carrego?
Não sei por que você usa a palavra catarse, que designa o efeito salutar provocado pela lembrança de um fato traumatizante até então reprimido. A palavra é originária do grego e designava para Aristóteles o efeito moral e purificador da tragédia, cujas situações dramáticas de extrema intensidade provocam sentimentos de terror e piedade, proporcionando alívio aos espectadores. O ato de bater no seu filho não tem nada de catártico, pelo contrário, deixa você péssima.
Claro que você só faz isso porque a sua mãe perdia o controle e batia nos filhos, o comportamento foi autorizado por ela. Agora, você não é a reprodução pura e simples da sua mãe. Tem a liberdade de encontrar um caminho diferente e se tornar capaz de se conter. Tem e deve, para que o seu filho não bata no seu neto. Ou seja, para mudar o padrão de comportamento da família. Isso nunca é fácil, implica um verdadeiro empenho.
Possível que você reincida neste padrão para depois fazer o mea-culpa e confirmar o pertencimento à cultura judaico-cristã. Você tem um trabalho importante a fazer consigo mesma, por você e pelo seu filho. E, na minha opinião, este trabalho não deve ser adiado. O adiamento acabará custando muito caro. Quanto antes você parar de sucumbir à raiva e de pedir perdão, melhor.






















