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Edição 2093

31 de dezembro de 2008
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NESTA EDIÇÃO
Índice
 

Retrospectiva 2008 Economia
O ano em que o
trem quase parou

Bolhas financeiras resultam de uma combinação
de euforia, falta de regras, desconhecimento de
muitos e esperteza de poucos. Quando estouram,
produzem crises doloridas. A atual interrompeu a
fase mais veloz de criação de riqueza da humanidade,
que já durava seis anos


Giuliano Guandalini

Joshua Lott/ Reuters
A CARA DA CRISE
Mulher assina pintura de Richard Fuld, ex-presidente do Lehman Brothers: a maior falência da história


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Nesta edição
O ano em que o trem quase parou
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Foi como se um maquinista puxasse repentinamente o freio de uma locomotiva em velocidade máxima. Assim, abruptamente, foi interrompida em 2008 a fase mais veloz de criação de riqueza da humanidade. Foi o fim de um ciclo que alavancou mais de 400 milhões de pessoas da miséria. O maior terremoto financeiro desde o crash de 1929 começou em setembro passado com a quebra do centenário Lehman Brothers. Desde então, outros bancos de investimento de Wall Street foram varridos do mapa ou mudaram de ramo. Outras companhias financeiras que pareciam inabaláveis, como a seguradora AIG e o Citibank, só se salvaram após a intervenção do governo. Assim como as montadoras GM, Ford e Chrysler. A crise corroeu metade do valor de mercado das bolsas no mundo. A taxa de desemprego americana chegou a 6,7%, a maior desde outubro de 1993. Não é a primeira vez que a economia mundial salta diretamente da euforia para a depressão. Crises são freqüentes, resultado da combinação entre ganância, irracionalidade, desconhecimento de muitos, esperteza de poucos. Esta crise, como outras, resultou da falta de segurança nas regras do jogo. A confiança necessária entre emprestadores e tomadores de empréstimo descambou para o descontrole. Dívidas foram travestidas de crédito. Crédito foi dado a quem não podia pagar.

Dessa anomalia se formou uma bolha especulativa sem precedentes, a partir do coração financeiro dos Estados Unidos, engrenagem fabulosamente produtiva, com 11 trilhões de dólares de PIB e – torçamos – uma inesgotável capacidade de auto-regeneração. A face desenhada de Richard Fuld (foto), ex-presidente do Lehman Brothers, que quebrou na maior falência da história, tornou-se simbólica. Entre salários, bônus e ações, ele embolsou 485 milhões de dólares até setembro passado. Foi-se a crença nos Fulds de Wall Street. Assim como na teoria segundo a qual países emergentes como o Brasil, a China, a Índia e a Rússia sairiam imunes de um eventual abalo americano. Da China, onde as importações minguaram 18%, na maior retração desde 1993, à pequenina e fria Islândia, dragada pelos excessos financeiros, todos sofreram.



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