Retrospectiva 2008 Memória
Paul
Newman
83 anos, ator
O
azul dos olhos de Paul Newman era tão radioso que ultrapassava os limites
do preto-e-branco assim como o vestido vermelho de Bette Davis em Jezebel
(alguém aí se lembra?). Durante vinte anos, ele foi admirado como
o homem mais bonito de Hollywood e, portanto, do mundo (dividia o segundo pódio
com o francês Alain Delon). Newman não sucumbiu ao outono de sua
beleza, graças a seu talento dramático. Quando cedeu ao romantismo,
protagonizou cenas memoráveis, como o antológico passeio de bicicleta
com Katharine Ross em Butch Cassidy (1969). Indicado dez vezes ao Oscar, ganhou
um por A Cor do Dinheiro (1986). Piloto de corridas, empresário de sucesso,
cozinheiro bem acima da média americana, doou os lucros de suas iniciativas
mais de 200 milhões de dólares à caridade.
Manteve, ainda, um casamento de cinqüenta anos com a atriz Joanne Woodward.
De várias perspectivas, foi um homem perfeito. (em setembro)
"Ele
era generoso, leal e discreto. Tinha um compromisso sério com a profissão
e com a responsabilidade social."
Robert Redford,
ator
Bobby Fischer
64
anos, enxadrista
Philippe
Halsman/Magnun/Latinstock
 | O
americano Bobby Fischer transpôs a Guerra Fria para o tabuleiro de xadrez
e venceu. Em 1972, tomou o título de campeão mundial do russo
Boris Spassky, ao massacrá-lo em uma série de 21 partidas. Fischer
encarnou o estereótipo do gênio louco. Dizia ter o mesmo QI de Albert
Einstein e tinha um comportamento excêntrico, até para os padrões
um tanto largos do enxadrismo. Em 1992, enfureceu o governo de seu país
ao jogar e ganhar uma revanche com Spassky na Iugoslávia,
país então tratado como pária pela comunidade internacional,
por prática de genocídio na Bósnia e outras violações
aos direitos humanos. (em janeiro)
|
"Foi
o fundador do xadrez profissional."
Garry Kasparov,
enxadrista
Dorival Caymmi
94
anos, músico
| As
canções de Dorival Caymmi são tão emblemáticas
que se confundem com a identidade nacional. Entre as que se tornaram clássicas,
estão Samba da Minha Terra, Só Louco, Modinha para Gabriela,
É Doce Morrer no Mar e O que É que a Baiana Tem? (que
ajudou uma portuguesa chamada Carmen Miranda a alcançar o estrelato e virar
símbolo do Brasil nos anos 40). Por toda a vida, cantou o amor à
sua mulher, Stella Maris, com quem teve Nana, Dori e Danilo Caymmi, todos músicos
de talento. Depois que problemas cardíacos levaram Stella ao coma, Caymmi
desistiu de se alimentar e de lutar contra um câncer renal. Morreu em uma
semana. Onze dias mais tarde, aos 86 anos, Stella o seguiu. (em agosto) |  |
"Caymmi
é um dos maiores, se não o maior. Influenciou toda a música
brasileira, todos os músicos geniais, como Tom Jobim e João Gilberto."
Gilberto
Gil, músico
Heath Ledger
28
anos, ator
Kimberly
French/Focus Features/Corbis
 |
Há
décadas, o cinema não via um talento desabrochar e fenecer tão
bruscamente como o de Heath Ledger. Sua interpretação de um cowboy
que tenta reprimir a homossexualidade em O Segredo de Brokeback Mountain
lhe rendeu uma indicação ao Oscar e comparações com
Marlon Brando, um dos titãs de Hollywood. Primou pela originalidade ao
viver um assombroso Coringa em Batman O Cavaleiro das Trevas. O
ator não sobreviveu para ser aclamado pelo novo êxito. Morreu por
causa de uma overdose acidental de medicamentos. (em janeiro)
"Trazia
ao personagem mais do que se podia imaginar: uma sede de vida, de amor, de verdade
e uma vulnerabilidade que fizeram com que todos os que o conheceram o amassem."
Ang
Lee, diretor de cinema
Ruth Cardoso
77
anos, ex-primeira-dama
Valéria
Goncalves/AE
 | Num
país que perdeu a compostura, que já era pouca, a discrição
e a elegância da antropóloga Ruth Cardoso fazem ainda mais falta.
Durante a presidência de seu marido, Fernando Henrique, ela exerceu notável
influência sobre as políticas sociais brasileiras. Ruth extinguiu
a Legião Brasileira de Assistência (LBA), antro de corrupção
e assistencialismo eleitoreiro, e a substituiu por projetos de educação
e amparo geridos com a participação da sociedade civil. (em junho) |
"Dona
Ruth exercia política com P maiúsculo, a política
que é sinônimo do bem comum."
Marco Maciel,
senador e ex-vice-presidente da República
Cyd
Charisse
86 anos, atriz e
dançarina
Nos anos 50, Fred Astaire
e Gene Kelly disputavam o posto de melhor dançarino de Hollywood, mas concordavam
em um ponto: entre as mulheres, não havia concorrência para Cyd Charisse.
Dona de pernas esculturais (que chegaram a ser seguradas em 5 milhões de
dólares), ela hipnotizava platéias com coreografias que transbordavam
sensualidade. Ao lado de Kelly, entrou para a história ao co-estrelar Cantando
na Chuva, de 1952. Com Astaire, brilhou nos musicais A Roda da Fortuna
(1953) e Meias de Seda (1957). (em junho)
"Uma
linda dinamite."
Fred Astaire, ator e dançarino
Sydney Pollack
73 anos, cineasta
|
Ele não revolucionou
o cinema, mas trabalhou um bocado como ator, diretor,
roteirista e produtor. Assinou sucessos como Tootsie
(1982), Entre Dois Amores (com o qual ganhou
o Oscar de melhor diretor de 1986), A Firma (1993)
e A Intérprete (2005). Bom de bilheteria,
amigo dos grandes astros, dono de uma produtora, era
um dos nomes mais influentes da indústria cinematográfica
dos Estados Unidos. Em seus últimos dias, abatido
pelo câncer, usava os intervalos das sessões
de quimioterapia para gravar narrações
para documentários. (em maio)
"Sydney fez
do mundo um lugar melhor, fez do cinema algo melhor
e até mesmo fez de jantares algo melhor."
George Clooney, ator
|
Nicolas Guerin/Latinstock
 |
Yves
Saint Laurent
71 anos, estilista
Foi
por captar o momento em que as filhas deixaram de querer se vestir como as mães
e as mães passaram a querer se vestir como as filhas que o argelino Yves
Saint Laurent se tornou o maior nome da moda depois da era de Chanel, Dior e Balenciaga.
Dos anos 60 em diante, moldou nas roupas as mudanças do tempo. Lançou
a jaqueta de couro com suéter preto de gola rulê, o estilo safári,
as túnicas indianas, as saias flower power e o smoking feminino. À
vontade no figurino de estilista genial, o que incluía um fraco pelas drogas,
sofria de depressão. Em 2002, esgotado, aposentou-se. (em junho)
"Foi
um dos poucos a alcançar a perfeição em cada coisa que tocava."
Vivienne
Westwood, estilista
Arthur
Clarke 90 anos, cientista
e escritor O britânico Arthur Clarke
era fascinado pela observação dos astros, por viagens espaciais
e por computadores. Em 1945, escreveu um artigo científico que lançou
as bases teóricas para a construção dos atuais satélites
de transmissão de dados. Em 1968, ganhou fama mundial ao escrever, com
o diretor Stanley Kubrick, o roteiro de 2001: uma Odisséia no Espaço,
um marco da ficção científica. Apaixonado pelos povos
do Sudeste Asiático e por mergulho, esporte que dizia lhe dar a sensação
de flutuar no espaço, emigrou para o Sri Lanka. Mesmo embaixo dágua,
vivia com a cabeça na lua. (em março) | Gemunu
Amarasinghe/AP Photo
 |
"Clarke
acreditava que a exploração do espaço pode ajudar a transformar
a humanidade."
Alan Stern, cientista da Nasa
Getty
Images
 | Roy
Scheider 75 anos, ator A
figura ossuda de Roy Scheider protagonizou o primeiro filme da história
do cinema a ultrapassar a marca de 100 milhões de dólares em faturamento:
Tubarão (1975), de Steven Spielberg. Ele interpreta o chefe de polícia
medroso que se desdobra para evitar uma carnificina de banhistas e acaba
por superar a sua própria poltronice. Scheider também atuou em Operação
França e All That Jazz, ambos dos anos 70, trabalhos pelos quais
recebeu duas indicações ao Oscar. Depois disso, nunca mais teve
muito sucesso no cinema. (em fevereiro) |
"Ele
não teve o reconhecimento que merecia. Sua atuação em All
That Jazz é uma das melhores de um americano no cinema."
William
Friedkin, diretor
Rubens
de Falco 76 anos, ator O
paulistano Rubens de Falco representou 100 personagens, mas só precisou
de um para alcançar o estrelato: o vilão Leôncio Almeida,
algoz de Escrava Isaura, novela de 1976 protagonizada por Lucélia
Santos. O tipo composto por Rubens de Falco foi odiado em oitenta países.
Dez anos depois, ele e Lucélia reviveram o sucesso em Sinhá Moça
ele travestido de Barão de Araruama e ela, do papel-título.
Falco dedicou-se com afinco ao seu ofício e se revoltou quando a TV e o
teatro foram invadidos por modelos e celebridades cujo maior atributo é
serem célebres. (em fevereiro) | Adhemar
Veneziano
 |
"Foi
dos colegas mais admiráveis que encontrei: generoso, talentoso e um grande
ator. Aprendi muito com ele."
Lucélia Santos, atriz
Charlton
Heston
84 anos, ator
Bettman/Corbis
 | Ninguém
interpretou épicos como Charlton Heston. O seu papel mais lembrado é
o de Ben-Hur, o príncipe judeu que se converte ao cristianismo depois de
ter a alma iluminada pela palavra de Jesus e a mãe e a irmã leprosas
curadas milagrosamente. A seqüência do filme em que Heston disputa
uma corrida de bigas é das mais estonteantes já produzidas por Hollywood.
Também alcançou enorme sucesso com as interpretações
de Moisés, em Os Dez Mandamentos (1956), e de Michelangelo, em Agonia
e êxtase (1965). Nos últimos anos, havia virado alvo da patrulha
politicamente correta, por estar à frente da Associação Nacional
do Rifle, entidade que defende ferozmente o direito ao porte de armas dos cidadãos
americanos. (em abril) |
"Foi
um dos atores mais bem-sucedidos da história do cinema e também
era um homem íntegro e com grande coração."
George
W. Bush, presidente dos Estados Unidos
Olavo
Setubal
85 anos, empresário
e banqueiro
Bia
Parreiras
 |
Um
empréstimo de 10 000 dólares permitiu que Olavo Egydio Setubal construísse
um dos maiores grupos empresariais e financeiros do país. Com o dinheiro,
fundou a metais Deca, em 1947. Doze anos depois, passou a dirigir o futuro Itaú,
hoje o maior banco da América Latina. Prefeito de São Paulo nos
anos 70, foi impedido pela ditadura de se candidatar a governador. Voltou na Nova
República como ministro das Relações Exteriores. Deixou a
vida pública em 1986, mas não a política. Queria que o Brasil
construísse estruturas tão sólidas quanto as que ele ergueu
em seus negócios. (em agosto)
"Olavo
Setubal foi um dos pilares da geração que edificou o sistema financeiro
brasileiro."
Pedro Moreira Salles, banqueiro
Waldick
Soriano 75 anos, músico
Símbolo máximo da cafonice legítima, antes que ela vestisse
a roupagem do brega calculado na ponta do lápis pela indústria fonográfica,
Waldick Soriano embalou fossas e dores-de-cotovelo no país inteiro. A indefectível
Eu Não Sou Cachorro Não foi apenas a mais conhecida das suas
500 canções. Talvez por se apresentar com o figurino do herói
do seriado de TV Durango Kid (óculos escuros, roupas e chapéu
pretos), talvez por suas músicas caírem tão facilmente no
gosto do público, talvez pelas duas coisas somadas, foi sempre desprezado
por todos os grandes nomes da música popular brasileira. (em setembro) | Paulo
Salomão
 |
"Se
há uma elite, é a dos que têm ou tiveram grande intuição
artística. Waldick era um desses."
Caetano Veloso,
músico
Alexander Soljenitsin
89
anos, escritor
Soldado russo
condecorado por bravura durante a II Guerra, Soljenitsin enviou uma carta a um
amigo para contar novidades do front. Nela, inseriu piadas sobre Stalin. Foi o
que bastou para ser condenado a doze anos de trabalhos forçados. Libertado,
descreveu em livro os horrores do totalitarismo soviético. Em 1970, em
plena Guerra Fria, foi premiado com o Nobel de Literatura. Seu Arquipélago
Gulag (sigla, em russo, para Diretório Geral de Campos) retrata as
prisões para dissidentes políticos. Em 1974, o Kremlin retaliou-o
com o desterro. No exílio, tornou-se um símbolo de resistência
e lucidez contra a opressão comunista. (em agosto)
"Foi
uma das primeiras pessoas a falar abertamente dos aspectos desumanos do regime
de Stalin."
Mikhail Gorbachev, ex-presidente soviético
Jefferson
Péres
76 anos, político
| Ele
marcou sua passagem pelo Senado com uma postura simples, mas férrea: a
defesa de que todo político acusado de corrupção deve se
afastar do cargo até provar sua inocência. A causa, justa, ganhou
poucas adesões, como era previsível. Decepcionado com a política
e os políticos, Jefferson Péres decidiu não concorrer a nenhum
outro cargo público depois que expirasse seu mandato, em 2011. "Para
cá, não quero mais voltar, não", declarou em 2006, no
Senado, diante de seus colegas constrangidos (ma non troppo, infelizmente).
(em maio) | Celso Junior/AE
 |
"Ele
sempre se pautou pela defesa intransigente da ética."
Luiz
Inácio Lula da Silva, presidente da República
Robert
Rauschenberg
82 anos, artista
plástico
Quem construiu a ponte
entre o expressionismo de Jackson Pollock e a pop art de Andy Warhol foi Robert
Rauschenberg. Ele viu uma pintura pela primeira vez somente aos 19 anos. Seguindo
a trilha do francês Marcel Duchamp, usou objetos do cotidiano para compor
telas e esculturas. Suas colagens com imagens de políticos, astronautas
e soldados no Vietnã estão entre as melhores traduções
dos anos 60. (em maio)
"Nenhum
artista americano inventou mais que Rauschenberg."
Jasper
Johns, pintor americano
Dercy
Gonçalves 101 anos, atriz Emperiquitada
com cílios postiços e muita maquiagem, Dercy Gonçalves era
o escracho em pessoa. Aos 17 anos, fugiu de casa para ser cantora. Logo, descobriu
que tinha outro talento: representar. Como comediante, fez história no
teatro de revista, nas chanchadas cinematográficas e na TV. À medida
que envelhecia, foi-se tornando mais e mais personagem de si mesma, por meio de
entrevistas desbocadas, em que reclamava do que lhe desse na veneta e desfiava
um cabeludíssimo repertório de palavrões. (em julho) |  |
"Ela
dizia palavrões em uma época em que atriz tinha de ter cuidado para
não ser vista como prostituta."
Marília
Pêra, atriz
Mark Felt
95
anos, ex-diretor do FBI
A fonte
que ajudou o Washington Post a desvendar o caso Watergate e levou Richard
Nixon a renunciar à Casa Branca permaneceu anônima por trinta anos.
Em 2005, Mark Felt assumiu ser o "Garganta Profunda", o mais famoso
informante do jornalismo. Com suas dicas, os repórteres Bob Woodward e
Carl Bernstein provaram que, em 1972, Nixon autorizou a invasão do comitê
democrata no edifício Watergate, em Washington. Felt era, então,
o número 2 do FBI. Conhecia tanto os porões do governo que foi apelidado
de "Garganta Profunda", uma referência jocosa ao filme pornô
homônimo cujo diretor, Gerard Damiano, morreu em outubro.
(em dezembro)
"O
número 2 do FBI até que não era má fonte."
Ben
Bradlee, ex-editor-chefe do Washington Post
Paulo
Ruy Barbosa
 | Dora
Bria 49 anos, windsurfista
Até
o início dos anos 80, pouquíssima gente sabia o que era windsurf
no Brasil. Até que surgiu Dora Bria e o esporte ganhou as praias e represas
do país. Com olhos da cor do mar, na sua variante esverdeada, e rosto de
princesa eslava, ela se tornou musa mesmo de quem só sabia nadar no estilo
cachorrinho. Conquistou seis títulos brasileiros e três sul-americanos.
Em 1993, posou nua para a revista Playboy. Um desastre de carro a matou.
(em janeiro) |
"Ela
foi a primeira velejadora do Brasil a ser admirada nacionalmente."
Lars
Grael, velejador
Edmund
Hillary 88 anos, alpinista No
dia 29 de maio de 1953, o neozelandês Edmund Hillary e seu guia nepalês
Tenzing Norgay inscreveram seus nomes na história ao pisar pela primeira
vez o topo do Monte Everest, a mais alta montanha do planeta. Essa não
foi a única conquista de Hillary. Em 1958, integrou uma equipe britânica
que alcançou o Pólo Sul. Em 1985, acompanhado pelo astronauta Neil
Armstrong, voou em um bimotor até o Pólo Norte. Tornou-se, assim,
o primeiro homem a alcançar três extremos da Terra o ponto
mais alto e seus dois pólos. Como diplomata, lutou para melhorar a vida
dos povos do Himalaia. (em janeiro) | Bettman/Corbis
 |
"Fecha-se,
com a morte de sir Edmund, um dos grandes capítulos do desbravamento do
mundo."
Pen Hadow, explorador polar
Mohammad
Suharto
86 anos, ditador
Sob
a tirania de Suharto, que durou 32 anos, a Indonésia viu morrerem centenas
de milhares de pessoas e ele e sua família amealharem 35 bilhões
de dólares. Militar de carreira, Suharto abriu a bala o caminho para o
poder. Em 1965, desbaratou uma guerrilha comunista para tomar o poder definitivamente
em seguida. Apesar dos muitos crimes, a ditadura modernizou a economia de uma
nação fragmentada em 17 500 ilhas. Apeado do governo em 1998,
morreu sem ser julgado por suas atrocidades e foi enterrado como chefe de estado.
(em janeiro)
"Ele ensangüentou
a Indonésia."
José Ramos Horta, presidente
do Timor Leste
Jamelão
95
anos, cantor
Jorge
Cecilio/Futura Press
 |
Era
sua a voz do Carnaval carioca. Por meio século, Jamelão anunciou
o início do desfile da escola de samba Mangueira sempre da mesma forma:
"Olha a Estação Primeira aí". Deve-se a ele a instituição
da figura do puxador de samba-enredo, embora Jamelão, conhecido ranheta,
detestasse ser classificado assim. Engraxate e jornaleiro na infância, já
fazia sucesso na adolescência como cantor romântico. Nesse tempo,
abandonou o nome de batismo, José Bispo Clementino dos Santos, para adotar
o apelido, que remete a um fruto escuro e doce como o timbre da sua voz. (em
junho)
"Era um imenso
cantor e o melhor mau humor do Brasil."
Chico Buarque,
músico