Edição 1847 . 31 de março de 2004

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Internacional
Bando de gatunos

Os dez maiores corruptos dos últimos vinte
anos foram governantes de países pobres


Rosana Zakabi

Há maus governantes que aproveitam para embolsar algum dinheiro público. E há governantes ainda piores que saqueiam os cofres públicos com a voracidade de piratas. A Transparência Internacional, organização dedicada a combater a corrupção, levantou os episódios mais escabrosos dos últimos vinte anos e na quinta-feira passada divulgou uma lista com os nomes dos dez líderes políticos mais corruptos. Não, não há nenhum brasileiro no primeiro time. O ranking é encabeçado por Suharto, ditador da Indonésia durante 31 anos. A organização afirma que ele desviou 35 bilhões de dólares. Estima-se que seu patrimônio pessoal tenha chegado a 15 bilhões de dólares nesse período, aplicados em imóveis e empresas. O segundo da lista é Ferdinand Marcos, presidente das Filipinas de 1972 a 1986, acusado de ter desviado 10 bilhões de dólares dos cofres públicos para contas da Suíça. Chama a atenção o fato de que os dez primeiros colocados da lista da corrupção são governantes de países pobres. É uma bola de neve. Estudos mostram que os altos índices de corrupção estão diretamente ligados aos baixos índices sociais.

O dinheiro desviado pelo superfaturamento de obras públicas e pela sonegação de impostos faz falta para investir em infra-estrutura e saúde pública. Maracutaias como essas não apenas diminuem a arrecadação, mas também têm efeito devastador na criação de postos de trabalho. Durante os 32 anos em que o ditador Mobutu Sese Seko governou o Zaire (hoje chamado de Congo), o país recebeu mais de 12 bilhões de dólares em ajuda internacional, a maior parte do Banco Mundial. O dinheiro que deveria ter sido usado para auxiliar no desenvolvimento do país foi parar nas contas bancárias da Suíça. Seko foi deposto e morreu de câncer de próstata alguns meses depois de deixar o governo, mas o dinheiro não voltou para os cofres públicos do Congo. Estima-se que o general Sani Abacha tenha desviado 5 bilhões de dólares durante os cinco anos em que governou a Nigéria. Ele morreu de ataque cardíaco em 1998. O governo seguinte conseguiu recuperar 825 milhões de dólares do dinheiro perdido, mas pelo menos 1,3 bilhão de dólares continua bloqueado em contas da Suíça, Luxemburgo e principado de Liechtenstein.

Se a repatriação do dinheiro público é lenta, a punição dos corruptos vai mais devagar ainda. Dos dez acusados, apenas o ex-presidente da Nicarágua Arnoldo Alemán foi condenado a vinte anos de cadeia e multa de 17 milhões de dólares. Slobodan Milosevic, da Iugoslávia, e Pavlo Lazarenko, da Ucrânia, aguardam julgamento por corrupção e pelas atrocidades cometidas durante o governo. O ditador Suharto e o presidente Joseph Estrada, das Filipinas, alegaram saúde debilitada para escapar da prisão. Jean-Claude Duvalier, ex-ditador do Haiti, e Alberto Fujimori, ex-presidente do Peru, vivem numa situação bastante confortável. Duvalier exilou-se na França em 1986. Fujimori refugiou-se no Japão. Apesar das solicitações do Peru e de organizações internacionais, o Japão se recusa a extraditá-lo, pois o ex-presidente tem cidadania japonesa.

 

 
 
 
 
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