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Internacional
Bando de gatunos
Os
dez maiores corruptos dos últimos vinte
anos foram governantes de países pobres

Rosana Zakabi
Há
maus governantes que aproveitam para embolsar algum dinheiro público.
E há governantes ainda piores que saqueiam os cofres públicos
com a voracidade de piratas. A Transparência Internacional,
organização dedicada a combater a corrupção,
levantou os episódios mais escabrosos dos últimos
vinte anos e na quinta-feira passada divulgou uma lista com os nomes
dos dez líderes políticos mais corruptos. Não,
não há nenhum brasileiro no primeiro time. O ranking
é encabeçado por Suharto, ditador da Indonésia
durante 31 anos. A organização afirma que ele desviou
35 bilhões de dólares. Estima-se que seu patrimônio
pessoal tenha chegado a 15 bilhões de dólares nesse
período, aplicados em imóveis e empresas. O segundo
da lista é Ferdinand Marcos, presidente das Filipinas de
1972 a 1986, acusado de ter desviado 10 bilhões de dólares
dos cofres públicos para contas da Suíça. Chama
a atenção o fato de que os dez primeiros colocados
da lista da corrupção são governantes de países
pobres. É uma bola de neve. Estudos mostram que os altos
índices de corrupção estão diretamente
ligados aos baixos índices sociais.
O
dinheiro desviado pelo superfaturamento de obras públicas
e pela sonegação de impostos faz falta para investir
em infra-estrutura e saúde pública. Maracutaias como
essas não apenas diminuem a arrecadação, mas
também têm efeito devastador na criação
de postos de trabalho. Durante os 32 anos em que o ditador Mobutu
Sese Seko governou o Zaire (hoje chamado de Congo), o país
recebeu mais de 12 bilhões de dólares em ajuda internacional,
a maior parte do Banco Mundial. O dinheiro que deveria ter sido
usado para auxiliar no desenvolvimento do país foi parar
nas contas bancárias da Suíça. Seko foi deposto
e morreu de câncer de próstata alguns meses depois
de deixar o governo, mas o dinheiro não voltou para os cofres
públicos do Congo. Estima-se que o general Sani Abacha tenha
desviado 5 bilhões de dólares durante os cinco anos
em que governou a Nigéria. Ele morreu de ataque cardíaco
em 1998. O governo seguinte conseguiu recuperar 825 milhões
de dólares do dinheiro perdido, mas pelo menos 1,3 bilhão
de dólares continua bloqueado em contas da Suíça,
Luxemburgo e principado de Liechtenstein.
Se
a repatriação do dinheiro público é
lenta, a punição dos corruptos vai mais devagar ainda.
Dos dez acusados, apenas o ex-presidente da Nicarágua Arnoldo
Alemán foi condenado a vinte anos de cadeia e multa de 17
milhões de dólares. Slobodan Milosevic, da Iugoslávia,
e Pavlo Lazarenko, da Ucrânia, aguardam julgamento por corrupção
e pelas atrocidades cometidas durante o governo. O ditador Suharto
e o presidente Joseph Estrada, das Filipinas, alegaram saúde
debilitada para escapar da prisão. Jean-Claude Duvalier,
ex-ditador do Haiti, e Alberto Fujimori, ex-presidente do Peru,
vivem numa situação bastante confortável. Duvalier
exilou-se na França em 1986. Fujimori refugiou-se no Japão.
Apesar das solicitações do Peru e de organizações
internacionais, o Japão se recusa a extraditá-lo,
pois o ex-presidente tem cidadania japonesa.
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