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Internacional
Abusos do presidente
Katsav, de Israel, é afastado para responder às acusações
de assédio sexual e estupro  Thomaz
Favaro
Kevin
Frayer/AP
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Katsav: quando ele trancava a porta do gabinete... |
De tão freqüente, não causa surpresa a notícia de um
presidente denunciado por corrupção, tráfico de influência
ou mesmo por deslizes sexuais no exercício do mandato. O que torna especial
a situação de Moshe Katsav, presidente de Israel, é a quantidade
de seus pecados: ele está sendo acusado por nada menos que dez casos de
assédio sexual, alguns agravados por estupro. Na semana passada, abatido
pelas provas que permitiram que fosse indiciado pela Justiça israelense
por quatro dessas denúncias, Katsav pediu licença do cargo. É
irônico que o assunto tenha sido inicialmente levado à polícia
pelo próprio presidente. Em julho, ele se queixou de estar sendo chantageado
por uma ex-secretária. Investigada, ela contou ter sido forçada
a fazer sexo várias vezes com o presidente, sob ameaça de demissão.
Outras nove mulheres que trabalharam com Katsav em diversas fases de sua carreira
contaram histórias semelhantes à polícia. "Quando eu entrava
no escritório, ele trancava a porta", disse uma delas. "Todos sabiam que
era proibido importuná-lo quando eu estava lá dentro."
Moshe Katsav, de 61 anos, tinha uma trajetória política respeitável,
que incluía uma infância pobre e uma rápida ascensão
ao poder. Nascido no Irã, Katsav mudou-se para Israel com 5 anos de idade.
Aos 24, tornou-se o mais jovem prefeito do país e com 36 já ocupava
o cargo de ministro. Levou décadas para construir uma imagem positiva,
de político responsável, que lhe garantiu a escolha para presidente
em 2000. Só agora aparece seu lado obscuro. Casado há 37 anos e
pai de cinco filhos, Katsav disse que é inocente e que tudo não
passa de um complô armado por seus inimigos políticos, com a ajuda
da polícia, da Justiça e da imprensa israelenses. Argumentos semelhantes
usou o vice-presidente da África do Sul, Jacob Zuma, julgado e inocentado
no ano passado da acusação de estuprar uma amiga da família.
O escândalo de Katsav virou motivo de chacota internacional. Num encontro
recente com o primeiro-ministro Ehud Olmert, o presidente russo Vladimir Putin
não resistiu: "Katsav não parece um homem que daria conta de dez
mulheres", ironizou. |