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Aventura
5 430 quilômetros a nado Esse
será o desafio do atleta esloveno Martin Strel ao percorrer o Rio
Amazonas da nascente à foz  Rafael
Corrêa
O
mundo dos superatletas é feito de proezas que desafiam os limites do corpo
e deixam espantadas as pessoas comuns. O nadador esloveno Martin Strel faz parte
desse time de esportistas de desempenho excepcional. Conhecido como homem-peixe,
sua especialidade é nadar pelos rios de ponta a ponta. Nesta quinta-feira,
Strel dá início à mais ambiciosa de suas aventuras. Ele vai
atravessar o Rio Amazonas desde o Peru, onde ainda se chama Apurimac e recebe
a neve derretida da cordilheira andina, até Belém do Pará,
aonde deverá chegar no dia 11 de abril. Concluída a façanha,
terá nadado 5.430 quilômetros em setenta dias, parando apenas para
almoçar e dormir de três a quatro horas por noite. A cada dia ele
vai nadar uma média de 78 quilômetros, cinco vezes a extensão
da Ponte RioNiterói. No caminho, enfrentará redemoinhos traiçoeiros,
águas infestadas de piranhas, tubarões que vivem em água
doce e, é claro, a célebre pororoca, que forma ondas de até
4 metros na foz do Amazonas. "Essa
é a travessia mais radical que já fiz. Sei que corro riscos, mas
é o sonho de minha vida", disse Strel a VEJA antes de embarcar para o Peru.
À primeira vista, pode-se duvidar que Strel 52 anos, 1,85 metro
de altura, 111 quilos e barriga saliente tenha o físico ideal para
um desafio desse porte. Mas seu currículo é impressionante. Em 2000,
ele superou os 3.000 quilômetros que separam a nascente e a foz do Rio Danúbio,
no continente europeu. Dois anos depois, nadou 3 800 quilômetros no Rio
Mississippi, o maior dos Estados Unidos. Em 2004, o atleta atravessou 4.000 quilômetros
no Yang Tsé, o mais comprido rio da China. Seus feitos esportivos são
comparáveis aos de outro superatleta, o corredor grego Yiannis Kouros,
que detém o recorde de correr 1.036 quilômetros em seis dias. Para
planejar sua nova odisséia, Strel visitou três vezes a região
amazônica. Conversou com moradores ribeirinhos e autoridades locais sobre
os perigos do rio e se certificou das providências que seriam necessárias
para a viagem. O projeto consumiu,
até agora, 1 milhão de dólares, financiados em grande parte
por patrocinadores estrangeiros. Strel será acompanhado por uma equipe
de vinte pessoas, distribuídas em três barcos de apoio. Na equipe
há médicos, guias e até mesmo homens armados. "As armas são
apenas para espantar animais grandes", ele informa. Bagagem imprescindível
nos barcos são as bolsas de sangue, destinadas a atrair os cardumes de
piranhas e mantê-los longe do nadador. Se conseguir escapar ileso de sua
aventura amazônica, Strel pretende nada menos que atravessar o Oceano Atlântico.
"Não deve ser impossível", aposta. Parece uma idéia lunática,
mas, em se tratando dos superatletas, é bom não duvidar. |