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Perfil
Ele chama, o PIB vai
Com espírito de vendedor e trabalho duro, João Doria Jr. especializou-se
em reunir a nata do empresariado em alegres confraternizações.
E ganha muito dinheiro com isso  Sandra
Brasil
Manoel
Marques
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Quem é capaz de pôr presidentes de grandes bancos de braços
esticados, dançando a Macarena? Ou, apito na boca, distribuir tarefas
para chefões da indústria e respectivas senhoras? E, ainda, vestir
todo mundo de estampa de oncinha, de verde-e-amarelo ou algum outro figurino coletivo?
Resposta: João Doria Jr., 49 anos, publicitário, jornalista, empresário
e, acima de tudo, talentosíssimo no trato com os poderosos. Doria é
presidente, membro e mola propulsora do Grupo de Líderes Empresariais (Lide),
uma espécie de clube que ele fundou em 1996 e do qual são sócios
atualmente 406 dirigentes e donos de empresas com faturamento acima de 200 milhões
de reais, condição indispensável para entrar na turma. Juntos,
compõem cerca de 40% do produto interno bruto do Brasil. Ao longo do ano,
essa elite da elite do empresariado nacional, com suas mulheres (que adoram as
gentilezas e são as mais animadas), parte para exclusivíssima confraternização:
Doria fecha um resort e todos desfrutam quatro ou cinco dias de boa comida, esportes,
dança, shows, palestras. Entre uma e outra caipirinha à beira da
piscina, muitos contatos são feitos e muitos negócios, alinhavados.
"É um ganha-ganha. Quem vai ganha amigos, clientes, informação,
conteúdo, negócios. A prova é que nunca houve quem não
quisesse voltar", gaba-se Doria. No ano passado, foram catorze encontros. Para
este ano, estão previstos vinte, começando pelo Family Workshop,
um "seminário para famílias" com lista de presença de 149
empresários e seus familiares ao todo, 450 pessoas em Mogi
das Cruzes, a 65 quilômetros de São Paulo, de 25 a 28 de janeiro.
Tema do encontro: "pais felizes, líderes capazes".
No programa de atividades dos membros da Lide (mensalidade: 500 reais), as mais
esperadas e comentadas são o Fórum Empresarial, realizado todo mês
de abril na Ilha de Comandatuba, no sul da Bahia, e o Meeting Internacional, em
setembro, no exterior (o último, em Bariloche, reuniu 320 pessoas). Não
se trata de boca-livre. "Os participantes são convidados a investir no
evento, num sistema de cotas diferenciadas. É um negócio", explica
Doria. As cotas de participação variam de 80 000 a 2 milhões
de reais, dependendo da colocação do empresário na hierarquia
de patrocínios. Doria administra o dinheiro, dá nota fiscal e ganha
para organizar os encontros. Apresentador há catorze anos de um programa
de entrevistas com políticos e empresários, o Show Business,
ele percebeu antes de todo mundo que: 1) os donos das empresas estavam dando lugar
a executivos profissionais; 2) esses executivos tinham interesse em se conhecer
melhor. Arregaçou as mangas (mera figura de linguagem ele nunca
é visto de manga arregaçada; sem terno, faz o tipo elite paulistana
arrumadinha, de calça, camisa social e suéter jogado nos ombros),
montou o primeiro encontro e não parou mais. A competitividade no meio
estimula o comparecimento, com base num raciocínio simples: se meu concorrente
vai, se meu cliente vai, se meu fornecedor vai, tenho de ir também. Com
tanto peso-pesado na lista de presença, fica fácil arrebanhar palestrantes
já falaram nos encontros ministros, governadores e o ex-presidente
Fernando Henrique Cardoso (cachê: 50 000 dólares), de quem Doria
é amigo há anos. Quem participa viaja em avião fretado, tem
cobertura total de saúde e segurança de altíssimo nível.
Sem falar nos brindes "delicadezas", prefere Doria , de roupão
a celular, que começam a pipocar antes do embarque ("Quero que as pessoas
cheguem felizes e saiam mais felizes ainda") e continuam durante a estada no hotel.
"No primeiro encontro a que fui, ficava igual criança esperando Papai Noel:
não via a hora de ir para o quarto ver o que tinham deixado na minha cama",
lembra com bom humor Paulo Zottolo, ex-presidente da Nivea que, em abril, assume
o comando da Philips. Há festa toda noite, cada uma com sua cor ou tema
expressos no convite, para o pessoal ir preparado. "Já tenho um guarda-roupa
de coisas que fiz para os encontros do João. Até hoje guardo o longo
de oncinha da festa africana", diz Kátia, mulher de José Carlos
Grubisich, presidente da Braskem. Fotos
Deyse Chibli, Marcos Rosa
 | | Com
Ivan Zurita, da Nestlé, Michel Klein, das Casas Bahia, e Fernando Henrique,
amigo de longa data: empresário, político ou artista, ninguém
recusa convite para os encontros que Doria promove |
Doria é admirado pelo que faz, e o faz com verdadeiro espírito empreendedor
e evidente prazer. Ganha muito dinheiro também, o que não é
visto como demérito. "Todo mundo que vai aos encontros quer ganhar dinheiro.
É legítimo que o João também enriqueça", diz
um sócio da Lide. Filho do deputado federal cassado João Doria,
começou a trabalhar aos 13 anos em uma agência de publicidade. Envolveu-se
com a política e tornou-se uma espécie de afilhado do peemedebista
histórico e ex-governador Franco Montoro. Foi secretário municipal
de Turismo e presidente da Paulistur e da Embratur. Além da Doria Associados,
empresa que toca a Lide e atividades promocionais diversas, é dono de um
centro de exposições, de uma produtora de vídeo e de uma
editora. Em patrimônio pessoal, calcula-se que tenha amealhado algo em torno
dos 70 milhões de reais. Mora com a mulher, Bia, e os três filhos
num casarão no Jardim Europa, vizinho de três Diniz (grupo Pão
de Açúcar) e um Ermírio de Moraes (Votorantim). Tem um helicóptero
Bell 407 e acaba de fazer uma encomenda não confirmada de um novíssimo
jato executivo Phenom, da Embraer, com entrega prevista para 2008. Trabalhador
compulsivo, chega antes das 8 horas ao escritório de 1.200 metros quadrados
onde trabalha com uma equipe de 58 pessoas e só volta para casa depois
da 1 da manhã. "Com tudo isso, ainda arranja tempo de levar os filhos à
escola. Perto do João, eu sou Dorival Caymmi", compara o publicitário
Nizan Guanaes, sócio da Lide e célebre workaholic. Geraldo Alckmin,
outro amigo do peito, aponta mais uma característica: "Apesar de trabalhar
muito, o João parece estar sempre chegando de férias" referência
à perene boa disposição e à aparência impecável.
"É o cabelo penteado que passa essa impressão", brinca Doria. "Uso
gel desde os 9 anos."
AS DICAS DE DORIA
Táticas espertas para fazer amigos e influenciar poderosos:
• Nunca falar mal de ninguém, "nem de quem merece"
• Brilho nos olhos e sorriso aberto
ao cumprimentar, voz alegre ao telefone, dar parabéns no aniversário
(por cartão ou e-mail), responder a todos os recados "o segredo
do sucesso está nos detalhes" •
Convidar para almoços, jantares ou um joguinho de futebol na sua própria
casa e empenhar-se em ser um anfitrião impecável
• Nos dias que antecedem um encontro de empresários,
enviar à casa deles brindes ou melhor, "delicadezas" para
"aumentar as expectativas" * Ao organizar
um desses encontros, contar a concorrentes que o outro confirmou presença.
E, na lista de participantes, ter só de vice-presidente para cima
• Promover leilões e outras atividades com renda revertida
para programas de educação de crianças carentes |
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