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Edição 1993 . 31 de janeiro de 2007

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Negócios
O "light" caducou

Pepsi e Coca-Cola tentam conquistar o público jovem com refrigerantes em que "zero" é tudo


Chrystiane Silva

NESTA REPORTAGEM
Quadro: Águas revoltas

O Tab, primeiro refrigerante diet, foi criado em 1963 pela Coca-Cola e carregava o gosto amargo da sacarina, então usada como adoçante artificial. O sucesso, instantâneo, durou até que o adoçante entrou no rol de produtos suspeitos de causar câncer – tolice desfeita anos depois. Para substituí-lo, a Coca lançou em 1982 sua nova versão sem açúcar, a Diet Coke, à base de aspartame. A bebida logo se transformou no terceiro refrigerante mais vendido nos Estados Unidos, criou seu filhote Light e virou símbolo de uma geração. A indústria de bebidas propaga agora uma nova onda de inovações. No Brasil, a Pepsi e a Coca-Cola identificaram que os jovens passaram a enxergar nas palavras light e diet uma conotação desgastada, pertencente a um público mais velho. Ou, em seu jargão, "coisa de tiozinho". Os jovens também rejeitam o sabor das "velharias", muito diferente do sabor dos refrigerantes convencionais.

Com esse diagnóstico, a Coca-Cola e a Pepsi passaram a lançar novos produtos. Em uma linha, atacaram com versões renovadas das bebidas clássicas. Em outra, apareceram as águas com sabor – também chamadas de flavorizadas (do inglês flavor). O mais conhecido desses novos produtos é o H2OH!, lançado no Brasil pela Pepsi em setembro. O paladar do produto se encaixa entre o do refrigerante diet e o da água com sabor. Por enquanto, só é vendido em São Paulo e no Rio de Janeiro, mas caiu no gosto do consumidor. Abocanhou rapidamente participação no mercado da líder Coca-Cola Light (veja o quadro) e já está em falta nos principais distribuidores. As vendas já superam todo o mercado da Pepsi no Chile. A produção, que inicialmente ocuparia apenas uma fábrica, precisou ser ampliada para outras três unidades. A bebida tem suco natural de limão, menos adoçante, metade do gás dos refrigerantes tradicionais e inclui o complexo da vitamina B. "O mundo passa por um processo de reinvenção da água. A Pepsi foi feliz em construir uma ponte entre os refrigerantes e as águas com sabor", diz o consultor Marcos Gouvêa de Souza. A Coca-Cola também disputa participação no mercado de águas com sabor com a linha Aquarius, lançada em março de 2006 – mas com vendas muito menores que as da H2OH!.

A Pepsi descobriu outro problema nas definições light e diet. Além do caráter vetusto, elas também eram relacionadas ao público feminino. Por isso, lançou a Pepsi Max, uma versão cola sem açúcar e com o mesmo sabor da bebida tradicional. "Investimos nesse novo nicho de mercado quando percebemos que os garotos achavam que as bebidas light eram coisa de meninas", diz Gustavo Siemsen, diretor de marketing da multinacional. O refrigerante começou a ser vendido no Rio Grande do Sul e deve chegar ao resto do país nos próximos meses. Para concorrer com o produto, a Coca-Cola colocou também nas prateleiras gaúchas a Coca-Cola Zero. Como a bebida da concorrente, o produto não tem açúcar e persegue o sabor do refrigerante original.

Esse novo capítulo da briga pelo segmento de bebidas não alcoólicas foi aberto nos Estados Unidos há uma década. Os primeiros sinais de resistência do público jovem à onda sem açúcar surgiram em 1997, quando a Coca começou a substituir suas latinhas Diet pelas Light. Naquele momento, a empresa notara que o termo diet remetia a privação, regimes e doenças. E que seu sabor, muito diferente do da versão original, afugentava os consumidores. Na versão light, o sabor foi modificado para se aproximar do da Coca clássica. Só agora essa briga chega de vez ao Brasil, palco que ganha importância no mercado mundial de bebidas. O país fica apenas com a 19ª posição na lista dos maiores consumidores, mas tende a crescer. "O aumento da renda das pessoas está elevando o consumo de bebidas", diz Ricardo Fort, diretor de marketing da Coca-Cola. É esse crescimento que entusiasma as empresas a investir no mercado brasileiro.

 
 
 
 
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