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Brasil
Um caso de miséria construída
Destruído por sucessivas
gestões ruinosas, Alagoas entra em colapso novamente

Leonardo Coutinho
O Jornal
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| Teotonio Vilela: ele encontrou os cofres vazios
e uma feroz e organizada resistência |
Há dez
dias, uma greve sem precedentes levou 70% dos funcionários
públicos do estado de Alagoas a cruzar os braços.
Médicos se recusam a atender pacientes. A Polícia
Civil abandonou os cidadãos à própria sorte.
Os professores fecharam as escolas. Sindicalistas acamparam na Secretaria
da Fazenda. Maceió, a capital, foi tomada por sem-terra,
índios e estudantes que gritavam palavras de ordem contra
o governador recém-empossado, Teotonio Vilela Filho. A convulsão
começou em 15 de janeiro, quando Teotonio editou um decreto
anulando um aumento de 100% nos salários de todos os servidores
do estado. A benesse, concedida por seu antecessor, Ronaldo Lessa,
começaria a valer integralmente neste mês. Ao assumir,
Teotonio encontrou 5 milhões de reais no caixa e dívidas
vencidas de 410 milhões de reais. Por isso, mesmo eleito
com a ajuda de Lessa, ele decidiu cancelar o benefício.
A penúria de Alagoas se
arrasta há vinte anos. No fim dos anos 80, o então
governador Fernando Collor isentou os usineiros de pagar o imposto
sobre circulação de mercadorias e serviços
(ICMS). O efeito foi desastroso. A participação do
setor sucroalcooleiro, o motor da economia local, na arrecadação
caiu de 47% para 5%. As contas do governo entraram em colapso, e
nunca se recuperaram. Em 1997, a perda de receita e a gestão
perdulária dos sucessores de Collor levaram o estado a atrasar
os salários dos servidores em oito meses. O governador Divaldo
Suruagy renunciou. Lessa assumiu em 1999. De lá para cá,
a situação não melhorou. Para se ter uma idéia
do descalabro atual, o estado deve 41 milhões de reais a
bancos que concederam empréstimos consignados aos servidores.
Motivo: o governo descontou as prestações dos salários,
mas não repassou o dinheiro aos bancos.
Ailton Cruz/O Jornal
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| Greve em Maceió: servidores pararam
para garantir aumento de 100% nos salários |
Hoje, as dívidas de Alagoas
equivalem ao dobro de sua receita anual. O estado gasta mais do
que arrecada, e o desperdício é crônico. Tudo
o que entra no caixa é usado para sustentar a máquina
pública. As condições de vida da população
são as piores do país. Teotonio adotou um plano de
emergência para as contas públicas e convenceu a Petrobras
a antecipar o recolhimento de impostos. Com esse dinheiro, pagará
o aumento salarial prometido por Lessa. Seus colegas Aécio
Neves, de Minas Gerais, e José Serra, de São Paulo,
enviaram técnicos para ajudá-lo a equilibrar as contas.
No receituário estão demissões de servidores,
o bloqueio do pagamento de fornecedores oficiais e a renegociação
de todos os contratos firmados em gestões anteriores. A missão
não é simples. Teotonio precisa destruir um legado
de gerações de má gestão.
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