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Brasil
A volta do caos
Controladores de vôo
ameaçam paralisar
os aeroportos brasileiros a partir
de fevereiro

Ricardo Brito
Antônio Milena/AE
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| Controle aéreo: baixos salários
e sobrecarga de trabalho |
Na semana passada, os controladores
de vôo reuniram-se em assembléia e decidiram que o
caos estará de volta aos aeroportos em fevereiro. Não
sabem ainda se já nesta quinta-feira, dia 1º, ou a partir
do próximo dia 15, às vésperas do Carnaval,
quando o movimento de passageiros será mais intenso. Desde
o acidente da Gol que matou 154 pessoas, em setembro, os controladores
realizam uma espécie de greve branca contra as precárias
condições de trabalho. O resultado ainda está
na memória dos brasileiros: atrasos monumentais, cancelamento
de vôos e muita confusão. A nova etapa de protestos
promete ser muito mais radical. Os controladores ameaçam
cruzar os braços, o que poderia paralisar totalmente o tráfego
aéreo no país. A possibilidade de radicalização
do movimento já foi comunicada ao ministro da Defesa, Waldir
Pires, e ao comandante da Aeronáutica, brigadeiro Luiz Carlos
Bueno. Os controladores querem que o governo anuncie se pretende
ou não desmilitarizar o serviço, a principal recomendação
do grupo de trabalho criado para propor uma saída para a
crise.
"A situação está
chegando ao ponto em que ninguém segura mais ninguém",
disse a VEJA um controlador de vôo que participou da assembléia.
"Há colegas defendendo os mais variados tipos de ação
para forçar o governo a resolver o problema." Os controladores
são regidos por normas militares, o que impede a sindicalização
e qualquer movimento de greve. A paralisação, portanto,
pode ser apenas um blefe. Mas isso não muda muita coisa.
Acuada pela suspeita de que o acidente da Gol foi motivado por negligência
do controle aéreo, a categoria iniciou um movimento por melhores
salários e passou a denunciar as precárias condições
de trabalho. Os controladores não precisaram fazer greve.
Como se sabe, bastou-lhes apenas seguir os regulamentos de segurança
para que o caos se estabelecesse nos aeroportos.
Patricia Santos/AE
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| Atrasos e cancelamentos de vôo marcaram
o fim do ano |
"A gente autoriza uma decolagem
a cada dez minutos em Congonhas. O resto do sistema entra em colapso",
explica um controlador que é contra a greve total. Informado
da ameaça, o ministro Waldir Pires reuniu-se no Palácio
do Planalto com o presidente Lula antes de sua viagem a Davos e
apresentou um esboço da proposta de desmilitarização
do setor. O presidente determinou que o assunto fosse tratado com
a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Na quinta-feira,
Pires foi conversar com Dilma. Segundo a assessoria da Casa Civil,
nem sequer trataram da proposta de desmilitarização.
A conversa versou sobre outros temas referentes à burocracia
do Ministério da Defesa. Ponto para o caos.
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