Edição 1933 . 30 de novembro de 2005

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LIVROS

Sherlock Holmes, Volume 1, de Arthur Conan Doyle (tradução de Maria Luiza X. de A. Borges; Jorge Zahar Editor; 496 páginas; 89,50 reais) – Reunindo doze contos escritos pelo escocês Arthur Conan Doyle (1859-1930), esse livro é o primeiro de uma coleção de seis volumes que vai coligir todas as histórias protagonizadas por Sherlock Holmes – ainda hoje o mais popular detetive da ficção mundial – e seu fiel amigo doutor Watson. O grande diferencial dessa edição são as mais de 600 notas, a cargo do advogado americano Leslie Klinger, uma autoridade "sherlockiana". Elas esclarecem os mais diversos detalhes, da vida urbana de Londres no século XIX às armas usadas por Holmes e Watson. O livro é enriquecido ainda por uma introdução de John Le Carré e pelas ilustrações das revistas em que os contos foram originalmente publicados. Leia trecho.

Berenice Procura, de Luiz Alfredo Garcia-Roza (Companhia das Letras; 184 páginas; 29 reais) – Nos cinco romances anteriores de Luiz Alfredo Garcia-Roza, os crimes eram investigados por Espinosa, um perspicaz delegado de polícia. Nesse novo volume, o autor – que, além de seus excelentes policiais, é também muito reputado por obras teóricas de psicanálise – resolveu investir numa nova protagonista: Berenice, uma motorista de táxi do Rio de Janeiro. É ela quem desce ao submundo carioca para investigar o assassinato do travesti Valéria. A cena que abre o livro já dá uma mostra do clima da história: o cadáver de Valéria, enterrado na areia, é encontrado por uma criança que brinca na Praia de Copacabana. Leia trecho.

 
Jim Watson/AFP
Hollinghurst: sátira à era Thatcher  

A Linha da Beleza, de Alan Hollinghurst (tradução de Vera Whately; Nova Fronteira; 464 páginas; 49,90 reais) – Nick Guest é um estudante da Universidade de Oxford que, nos anos 80, vive num quarto alugado na mansão de Gerald Fedder, membro conservador do Parlamento inglês. Nick se torna amante de um cocainômano desocupado que vive da fortuna do pai. Com esses personagens muito ricos, mas pouco admiráveis, o escritor inglês Alan Hollinghurst traçou um retrato ácido da sociedade inglesa na era Thatcher – a própria dama de ferro, aliás, faz uma aparição cômica no livro. Apesar da veia satírica que permeia a narrativa, a história acaba com tintas trágicas, com o surgimento da aids. Essa combinação de humor e melancolia rendeu à obra o prestigioso Prêmio Booker de 2004. Leia trecho.

 

DVD

Coleção Andrzej Wajda (Aurora) – Em meados da década de 50, o cineasta polonês Andrzej Wajda, então apenas entrando nos 30 anos, irrompeu no cenário cinematográfico mundial com uma trilogia brilhante – e fortíssima – sobre as transformações que a Polônia vinha experimentando, da ocupação nazista à anexação pelo bloco soviético. Geração (1955), Kanal (1957) e Cinzas e Diamantes (1958) são protagonizados por atores diferentes, mas seus personagens são todos recortados do mesmo tecido: uma mescla de desilusão, cinismo e rompantes de idealismo. Visto em conjunto, esse tríptico (finalmente disponível no Brasil) compõe um instantâneo de um país partido até a espinha por toda sorte de catástrofe – um retrato tanto mais duradouro pela propensão de Wajda a combinar o realismo de sua narrativa a fortes tons simbólicos e uma encenação altamente teatral, no melhor sentido da palavra.

 

DISCOS

 
Divulgação
System of a Down: rock com tintas étnicas e políticas  

Hypnotize, System of a Down (Sony/BMG) – Esse quarteto americano é o principal representante da nova onda de grupos de rock pesado que invadiu as paradas. Somente neste ano, o System of a Down lançou dois discos. Em maio saiu Mezmerize, que vendeu cerca de 2 milhões de cópias nos Estados Unidos. Hypnotize é uma espécie de continuação do disco anterior, mas traz idéias mais bem estruturadas. Descendentes de ucranianos, os roqueiros turbinam o timbre de suas guitarras com influências de música étnica e letras de forte conteúdo social e político. É o caso de Holy Mountains, na qual eles denunciam o massacre de ucranianos pelo governo turco, no início do século passado. Outro destaque é Vicinity of Obscenity, que critica o abuso sexual de menores.

 
Divulgação
A dupla Audio Bullys: mestres na mistura de dance music e hip hop  

Generation, Audio Bullys (EMI) – Encabeçada pelo DJ e produtor Tom Dinsdale e pelo vocalista Simon Franks, essa dupla inglesa combina elementos de dance music e hip hop. O estilo tem sido burilado por diversos astros do pop inglês, mas poucos têm a competência de Franks e Dinsdale. O Audio Bullys ganhou destaque na mídia em 2003, ao lançar Ego War, disco eleito um dos melhores do ano pelas principais publicações musicais da Inglaterra. O novo CD da dupla, Generation, mantém o clima de festa do álbum anterior. Traz diversas faixas dançantes e letras sobre o cotidiano dos jovens ingleses. Shot You Down (com o sample de My Baby Shot Me Down, sucesso da cantora Nancy Sinatra) e I'm Love serão apreciadas mesmo por aqueles que não entendem patavina do que Franks está cantando.

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Siciliano, Nobel, Fnac; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano, Travessa, Argumento; Porto Alegre: Saraiva, Siciliano, Cultura; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano, Cultura; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano, Livrarias Catarinense; Goiânia: Siciliano, Saraiva, Leitura; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva, Livrarias Curitiba; Londrina: Livrarias Porto; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura; Maceió: Sodiler; Belém: Clio; Vitória: Leitura; internet: Cultura, Laselva, Leitura, Saraiva, Sodiler, Nobel, Fnac, Siciliano, Submarino.

 
 
 
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