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Sarravá, mon pai!
Uma
história das religiões à moda chata dos franceses
As boas intenções, de que o inferno está cheio, garantiram
uma estréia na lista de mais vendidos de VEJA. É A Viagem de Théo
(tradução de Eduardo Brandão, Companhia das Letras; 625 páginas;
29,50 reais), em que a romancista francesa Catherine Clément propõe uma
excursão pelo mundo das religiões, repetindo a fórmula e os problemas
de outro sucesso internacional: O Mundo de Sofia. Nenhum dos dois
vence o gosto requentado, tão comum na literatura destinada aos jovens.
A despeito de muitas passagens curiosas e algumas belas, A Viagem de
Théo traz 600 páginas de literatura tão chata quanto a escrita pelo
norueguês Jostein Gaarder.
Na história, Théo tem 14 anos e é
desenganado pelos médicos. Guiado por uma tia, começa a
investigar como as diferentes culturas abordam a vida e a
morte. A aventura é proposta como um jogo e inclui o
cardápio completo do fast food religioso, sem esquecer
uma passagem pelo candomblé da Bahia. A maneira
independente e compreensiva de tratar as expressões do
misticismo constitui, sem dúvida, um ponto forte dessa
obra. Mesmo assim, a viagem nunca perde o ar de aula de
religião, com suas discussões intermináveis. Talvez
funcione com os franceses, cujo esporte predileto é
discutir. Mas custa acreditar que os adolescentes
brasileiros gastarão sua mesada com o livro, típico
presente de mamãe ou titia. Se lerem, na certa vão se
irritar com a infantilidade de Théo. Quando os adultos
vão aprender que jovem não é criança?
Mirian
Paglia Costa
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