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Dança
Comigo?: um quarentão enfrenta tabus da sociedade |
| Foto: Miramax Films |
Há uma nota de rodapé na história do Oscar reservada ao filme Dança Comigo? (Shall We Dance?, Japão, 1996), que estréia nesta semana em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Ele foi impedido de concorrer à estatueta no ano passado, na categoria de melhor filme estrangeiro, por causa de uma condição estúpida imposta pela Academia de Hollywood. Segundo a regra, que acabou sendo revogada neste ano, exatamente por causa da injustiça cometida com Dança Comigo?, nenhuma fita poderia concorrer ao Oscar se já tivesse sido exibida na TV, mesmo em seu país de origem. No Japão, faturou treze categorias do equivalente local ao Oscar. O consolo é que foi também o filme japonês de maior bilheteria americana em todos os tempos.
Embora à primeira vista possa lembrar o australiano Vem Dançar Comigo, de 1992, o similar nipônico é mais humano, discreto e eficiente. O herói é um executivo quarentão, casado e reprimido. Voltando para casa, ele repara numa garota na janela de uma academia de dança. Atraído pela moça, acaba se inscrevendo num curso no local, vencendo as barreiras da inibição e da culpa. Mas o filme não pretende ser uma história de amor: é sobre a libertação de um homem de uma sociedade repleta de tabus. Responda rapidamente: qual foi o último filme que o fez sair do cinema com vontade de dançar desde que Gene Kelly cantou na chuva? Pois logo um filme japonês pode conseguir esse milagre.
Rubens Ewald Filho
Copyright © 1998, Abril
S.A. |