O superconde

TVA exibe série milionária baseada em clássico francês

Filho mulato de um militar arruinado e de uma ex-escrava haitiana, o escritor Alexandre Dumas (1802-1870) escapou do preconceito e da quase miséria para tornar-se uma das mais exuberantes personalidades da literatura francesa. Como disse um de seus biógrafos, "ele pertencia à estirpe dos conquistadores". No século XX, o cinema e a TV se curvaram a Dumas. Prova disso é a minissérie O Conde de Monte Cristo, que o Eurochannel da TVA apresenta nesta semana. A superprodução custou 18 milhões de dólares, o mesmo que um filme médio de Hollywood. Exibida no começo do mês na França, foi o recordista de audiência deste ano no país de Napoleão. Cerca de 12 milhões de espectadores ficaram grudados à tela para assistir às aventuras de Edmond Dantès, o homem que, depois de ficar vinte anos aprisionado sob falsa acusação, retorna à sociedade como um misterioso e riquíssimo conde, disposto a tudo para vingar-se daqueles que o traíram.

Quem gosta de filmes históricos já tem bom motivo para ver a série: a reconstituição de época é bastante elaborada. Além disso, há o atrativo do elenco, encabeçado pelo indefectível Gérard Depardieu e pela belíssima Ornella Muti (quando jovens, os personagens de ambos são interpretados pelos respectivos filhos). Até por disfarçar-se muito durante a história, o Conde de Monte Cristo é uma figura difícil de representar. Suas ações e emoções são as de um super-homem e, freqüentemente, ele se compara a um deus. Assim, seria fácil para um ator cair no excesso. Mas Depardieu escapa desse perigo, bem como do perigo contrário — o de fazer um conde "normal" demais.

A respeito de O Conde de Monte Cristo, o ensaísta italiano Umberto Eco disse certa vez: "É o melhor romance mal escrito de todos os tempos". Como estilista, Dumas era mesmo um desastre. Mas esse desleixo era largamente compensado por sua imaginação prodigiosa e grande espirituosidade. Fiel ao romance, a série de TV está cheia de passagens mirabolantes e outras espantosamente verossímeis (como a armadilha de Monte Cristo para um de seus inimigos, envolvendo a bolsa de valores e ações de uma empreitada russa...). É divertido. Vale a pena conferir.

Carlos Graieb




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