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Bolso
A mesada certa
Ela é
mais do que o dinheiro dos filhos.
É parte da formação
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Por
segurança e para ajudar
a controlar os gastos, muitos
pais preferem depositar a
mesada numa conta corrente
e dar ao filho um cartão de
débito bancário. "Sem ele,
gastaria tudo de uma vez",
diz o estudante Juliano Sakakibara,
de 17 anos, de São Paulo |
| Foto:
Antonio Milena |
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Definir
o valor da mesada dos filhos é um cálculo difícil.
Vários pais se sentem inseguros quanto ao destino que
será dado ao dinheiro e têm o hábito de estabelecer um
valor abaixo das necessidades do filho. Outros costumam
ser excessivamente generosos, mas por razões
equivocadas. "Alguns pais tentam compensar com uma
mesada gorda sua falta de presença na vida dos
filhos", diz a psicóloga Maria do Carmo Camarotti,
do Recife, especialista em crianças e adolescentes.
"Isso é um erro." A mesada não deve ser vista
apenas como o dinheiro para o lanche na escola, as
passagens de ônibus e o cinema no fim de semana. Ela
deve ser encarada como uma parte significativa do
processo de educação e pode ser, inclusive, uma chave
para melhorar a relação entre pais e filhos.
Autonomia
A criança que tem no bolso dinheiro
suficiente para as despesas do dia-a-dia aprende desde
cedo a tomar decisões. "Ela passa a considerar sua
privacidade mais respeitada porque não precisa dar
explicações sempre que quiser fazer uma compra",
afirma a psicóloga Anne Lise Silveira Scappaticci, da
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, PUC. O
valor, é claro, depende das possibilidades financeiras
de cada família e do bom senso dos pais. Uma solução
para chegar a uma quantia razoável é elaborar em
conjunto com cada filho uma lista de gastos que incluam
as despesas diárias e um extra para o lazer. Ter no
bolso dinheiro para esses gastos, dizem os psicólogos,
reforça na criança o sentido de autonomia.
Exageros
O valor da mesada nunca poderá ser
calculado com base no padrão de vida dos pais, e sim
numa lista razoável de gastos. "A mesada não pode
dar à criança a sensação de que ela sempre terá tudo
o que deseja", comenta a psicóloga Maria do Carmo
Camarotti. O atacante Túlio, do Botafogo do Rio de
Janeiro, dá 100 reais por semana a cada uma de suas
filhas, Gabriele, de 9 anos, e Marcela, de 6. Ou seja,
400 reais por mês. O valor parece alto, mas inclui tudo
o que as meninas compram, inclusive os ingressos para os
filmes a que assistem em companhia dos pais. "Se
elas querem alguma coisa mais cara perguntam quantas
semanas de mesada terão de economizar", conta
Alessandra Costa, mãe das crianças.
Poupança
O procedimento de Túlio e Alessandra é
coerente. A mesada deve ser vista como uma boa
oportunidade para ensinar às crianças o sentido da
poupança. O cálculo da quantia sempre deve levar em
conta um extra que poderá ser economizado para bancar as
despesas não previstas no orçamento mensal estimado em
conjunto. Se o filho gastar mais do que recebeu e
precisar de mais dinheiro para chegar ao fim do mês, o
valor tem de ser descontado do pagamento seguinte.
Castigo
Mesada não é recompensa por boas notas
nem por manter o quarto sempre em ordem. Por esse motivo,
não deve ser suspensa como punição por mau desempenho
na escola nem por outra falha qualquer. Se os pais agirem
assim, a criança condicionará seu desempenho ao prêmio
e ficará frustrada caso não receba a cada atitude
positiva. Também não pode ser paga em qualquer
circunstância. Se os pais estão comprando uma casa nova
ou se um dos dois perdeu o emprego, o dinheiro pode ser
cortado ou reduzido sem peso na consciência.


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