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As precauções para tornar
O vôo
confortável
Rachel
Verano e Sérgio Teixeira Jr.
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A
modelo Shirley Mallmann
faz até três viagens internacionais
por mês e evita as refeições
a bordo. Prefere as frutas
durante o vôo. "Se como
qualquer coisa mais pesada
não consigo dormir", diz.
Para evitar que a pele fique
ressecada, leva creme
hidratante na bolsa |
| Foto:
Claudio Rossi |
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Quem
entra num jato para uma viagem longa tem a certeza de que
passará horas desconfortáveis a bordo. A umidade do ar
na cabine é de apenas 10%. A taxa ideal para o organismo
é cinco vezes maior. A temperatura de 22 graus não
incomoda no começo, mas a longa exposição a ela
resfria muito o corpo. O oxigênio é bem mais rarefeito
que no nível do mar. A pessoa respira com a mesma
dificuldade de quem está no topo de uma montanha de
1.500 metros de altitude. A pressão atmosférica também
é mais baixa que em terra firme. A pele fica ressecada,
os pés tendem a inchar e a cabeça pode doer. Esses são
os sintomas mais freqüentes da reação do corpo às
condições da cabine do avião. A maioria dos
passageiros sofre ainda com o desconforto das poltronas e
com a falta de espaço para movimentar as pernas. Segundo
Caio Luiz de Carvalho, presidente do Instituto Brasileiro
de Turismo, Embratur, agência do governo que regulamenta
o setor, dos 4,5 milhões de pessoas que viajarão para o
exterior neste ano, 85% embarcarão na classe econômica,
em que o problema de espaço é ainda mais sentido.
"O ambiente na cabine de um avião é basicamente
nocivo ao organismo", diz a médica Thais Russomano,
do Rio Grande do Sul, especialista em medicina
aeroespacial. "Existem, no entanto, algumas
providências que, se forem tomadas, podem tornar a
viagem mais agradável."
O
kit básico Os sinais de incômodo
começam a surgir minutos depois da decolagem. Com o
tempo, a garganta e os olhos parecem estar arranhados. A
pele, principalmente do rosto e das mãos, fica
ressecada. Os passageiros mais sensíveis chegam a
apresentar sangramento no nariz. Para evitar esses
desconfortos, resultados da desidratação causada pela
baixa umidade do ar, é bom incluir três itens extras na
bagagem de mão: um vidro de colírio, um tubo de creme
hidratante e um umidificador nasal. São acessórios que
ajudam a contornar o problema da desidratação a bordo
"Uma boa providência é tomar um copo d'água a
cada hora", afirma a americana Diana Fairechild, que
trabalhou durante 21 anos como comissária da Pan Am e da
United Airlines e escreveu dois livros, inéditos no
Brasil, sobre o conforto dos passageiros durante os
vôos. É bom que seja água mesmo, e sem gás, ou então
sucos. Os refrigerantes devem ser evitados. A baixa
pressão na cabine provoca a expansão dos gases no
organismo, e isso pode causar cólicas abdominais e dar a
sensação de mal-estar.
O
uísque a bordo As bebidas alcoólicas
também ajudam a acelerar o processo de desidratação do
organismo. Além disso, seu efeito é mais intenso num
ambiente de baixa pressão atmosférica, como o interior
do avião. O recomendável é evitar o consumo antes e
durante o vôo. Quem viaja a trabalho e tem reuniões
agendadas horas depois do desembarque, por exemplo,
chegará bem mais disposto caso mantenha distância do
uísque. Se a viagem for de turismo, uma ou duas doses
não representarão um problema tão grave assim. Na pior
das hipóteses, o pouco de álcool aumentará a
sonolência no primeiro dia de férias. O executivo
Mário Kudo, diretor de marketing da fabricante de
equipamentos eletrônicos LG, toma uma ou outra dose de
uísque quando visita amigos ou vai a um restaurante. Mas
nas quatro viagens internacionais que faz a cada ano, uma
delas para a Coréia do Sul, onde fica a sede da empresa,
nem olha para a bebida. "O efeito do álcool nas
alturas é muito mais forte", diz ele. "O
melhor é evitar."
O piloto de Fórmula
Mundial
André Ribeiro sempre volta
ao Brasil entre as corridas.
Isso dá uma viagem a cada
quinze dias. Para tornar os
vôos menos desgastantes,
usa roupas confortáveis e
se alimenta antes do
embarque para não ser
incomodado na hora das
refeições de bordo |
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Foto: Raul Junior |
Síndrome
da classe econômica A modelo Shirley
Mallmann faz até três viagens internacionais por mês.
Muitas vezes, embarca na classe econômica. Com 1,81
metro de altura, Shirley não se sente, como a maioria
dos passageiros, confortável no assento. "Minhas
pernas ficam dormentes", diz ela. Como as poltronas
na classe econômica são muito próximas umas das
outras, o passageiro tem pouco espaço para se
movimentar. A posição desconfortável, associada à
baixa pressão atmosférica na cabine, dificulta a
circulação do sangue, sobretudo nas pernas e nos pés,
o que provoca a sensação de dormência e inchaço
neles. Em alguns casos raros, estimula a formação de
coágulos no sangue e o quadro, em situações mais raras
ainda, pode evoluir para uma trombose. Isso é conhecido
como síndrome da classe econômica e pode manifestar-se
até uma semana depois do desembarque. Seus sintomas são
dores persistentes e inchaço na panturrilha. Para evitar
o problema, o ideal é fazer como Shirley Mallmann.
Deixar a poltrona de vez em quando e caminhar pelo
corredor. "É preciso esticar as pernas e andar a
cada hora de vôo", afirma o cardiologista Sérgio
Timerman, do Hospital Albert Einstein, de São Paulo,
especialista nessa área.
Agravantes
O cigarro a bordo do avião, além de
incomodar a legião cada vez maior de não fumantes,
ajuda a piorar as condições do ar na cabine. "A
quantidade de oxigênio no avião já é mais baixa que
no solo", diz a médica Thais Russomano. "E a
brasa do cigarro ajuda a diminuir ainda mais a quantidade
de ar respirável." Outro cuidado que se deve ter é
com a alimentação. As refeições precisam ser leves e
em quantidades moderadas. Alimentos pesados, de digestão
mais difícil, podem provocar cólicas intestinais e
náuseas. A maioria das companhias oferece mais de um
tipo de refeição a bordo. Os passageiros dos vôos
internacionais podem escolher entre cinco e seis opções
diferentes. Algumas companhias, como a Varig, aceitam
pedidos de comidas especiais, que devem ser feitos até
24 horas antes do vôo.
Jetlag
Remédios para dormir não são
recomendados. Eles podem dificultar, em viagens para a
Europa ou para a costa oeste dos Estados Unidos, por
exemplo, a adaptação do passageiro ao horário do lugar
de destino. Viagens que implicam mudanças significativas
de fuso horário provocam a falta de sincronia entre o
relógio biológico do passageiro e a hora do local de
destino. Quem decola à meia-noite de São Paulo chega a
Paris, por exemplo, depois de onze horas de viagem. Tem a
sensação de estar desembarcando antes do meio-dia, mas
os relógios locais marcam 4 da tarde. O corpo continua a
funcionar de acordo com o horário do lugar de onde saiu.
O principal efeito desse fenômeno, conhecido como
jetlag, é a sensação de cansaço e de indisposição.
O sono profundo a bordo retarda a adaptação da pessoa
ao novo horário, e é por essa razão que os soníferos
devem ser evitados. "A melhor maneira de se preparar
para isso é começar a mudar os hábitos alguns dias
antes do vôo e tentar habituar o organismo aos horários
do local de destino", diz o professor Luiz Menna
Barreto, do Instituto de Ciências Biomédicas da
Universidade de São Paulo. Isso nem sempre é possível.
"Procuro sempre reservar algum tempo, antes do
primeiro compromisso profissional, para uma corrida ou
alguma outra atividade física", diz Sergio Vianna,
diretor de distribuição da filial brasileira da
Microsoft. Vianna viaja pelo menos seis vezes por ano
para Redmond, no extremo noroeste dos Estados Unidos,
onde fica a sede da empresa, e para outras cidades
americanas. "Fazer exercícios ajuda a diminuir o
efeito do jetlag."
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