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Investimentos Até eles quebraramFundo
comandado por financistas premiados O Long Term Capital Management era o Rolls-Royce, o carro que nunca quebra, dos fundos de investimentos americanos. Para estupefação geral o fundo quebrou na semana passada. Pilotado por um gênio de Wall Street, John Meriwether, em sociedade com dois prêmios Nobel de Economia, Myron Scholes e Robert Merton, o Long Term capotou. Apostas financeiras, especialmente no mercado russo, deram errado, provocando prejuízo de 3,5 bilhões de dólares aos seus cotistas e ameaçando detonar mais um efeito dominó nas frágeis finanças mundiais. O desastre só não foi maior porque o Federal Reserve, Fed, o banco central americano, passou o chapéu entre os quinze maiores bancos de investimentos do mundo e recolheu os 3,5 bilhões de dólares necessários para tapar o rombo. Bancos como Merrill Lynch, Goldman Sachs, J.P. Morgan ou Salomon Smith Barney só toparam abrir a carteira porque tinham fortunas aplicadas no Long Term e, se ele fosse à falência, perderiam muito mais. A maior ironia é que o Long Term era considerado um dos fundos de risco mais seguros do mundo se é que risco e segurança podem andar juntos. Afinal, dois de seus sócios, Scholes e Merton, eram reverenciados como mestres das finanças. No ano passado, eles ganharam o Nobel por ter desenvolvido teorias que prometiam reduzir o perigo das operações com derivativos apostas simultâneas em vários índices, como os das bolsas de valores, dos juros ou das taxas de câmbio. Com esses crânios à frente do negócio, milionários de todo o mundo e os bancões de Wall Street fizeram fila para aplicar no Long Term. Era tanta procura que desde 1996 os administradores do fundo não aceitavam novos cotistas. O charme do Long Term, além da suposta segurança, apoiava-se numa rentabilidade espantosa. Quem aplicou 10 milhões de dólares, o capital mínimo exigido para entrar no fundo, viu seu patrimônio crescer para 30 milhões nos últimos quatro anos. Estava dando tão certo que grandes bancos, além de aplicar no Long Term, ainda emprestavam dinheiro a seus administradores para que o fundo pudesse crescer. Ninguém sabe direito quanto dinheiro o Long Term manejava, mas calcula-se que seria uma bolada entre 90 e 120 bilhões de dólares. As apostas, feitas especialmente nos mercados dos países emergentes, eram decididas em programas de computador criados para identificar chances de máximo retorno com o mínimo de risco. A crise financeira mundial foi tão violenta que nem mesmo os computadores e seus programas refinados conseguiram avaliar os desdobramentos. "Eles trabalham com modelos estatísticos que têm índice de 99,9% de acerto. Desta vez, deu o 0,1% de erro", diz Flavio Teles de Menezes, diretor do Patrimônio, sócio brasileiro do banco americano Salomon Smith Barney. As dificuldades do Long Term explodiram em Wall Street e nas principais praças financeiras do mundo. Os investidores se perguntaram: se um fundo comandado por dois prêmios Nobel não sabe o que está fazendo, quem saberia? "É preciso disciplinar a atuação dos fundos de investimentos. Eles movimentam tanto dinheiro quanto os bancos. Precisariam ser tão vigiados quanto eles", diz o banqueiro Marcelo Steuer, do Rendimento, um banco de negócios de São Paulo. Há uma chateação adicional provocada pela derrocada do Long Term. Numa hora em que os países ricos tentam convencer os grandes bancos privados a ajudar as economias emergentes, as principais instituições financeiras do mundo se viram obrigadas a aceitar um gasto extra para salvar o Long Term. O prejuízo veio de onde só se esperavam lucros.
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