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Ação milagrosa
Neozelandês
recebe primeiro transplante
de mão retirada de um doador morto
Uma equipe de oito
cirurgiões de vários países conseguiu, pela primeira
vez, implantar em um paciente amputado a mão de uma
outra pessoa. A operação de mais de treze horas foi
realizada na quarta-feira passada em um hospital de Lyon,
na França. O empresário neozelandês Clint Hallam, de
48 anos, recebeu a mão e parte do antebraço de um
francês não identificado que teve morte cerebral. O
transplante só foi possível graças a uma nova
combinação de drogas para evitar a rejeição de
tecidos. A técnica para o implante já existe há anos.
Ela é feita rotineiramente, também no Brasil, para
recolocar pernas, braços, dedos, pés e mãos amputados
de uma mesma pessoa. Mas a aceitação pelo corpo de pele
e músculos estranhos era considerada um obstáculo para
os transplantes. "Se o novo método der certo,
haverá esperança para milhões de vítimas de acidentes
no trabalho ou de minas explosivas e para pessoas com
deformações congênitas", afirmou o médico
Jean-Michel Dubernard, que lidera a equipe.
O implante foi feito mediante a fixação
dos ossos e a costura das artérias, veias, nervos, tendões, músculos,
e, por fim, da pele (veja
quadro). Os próximos dias
serão decisivos para definir como o organismo do paciente reage à operação.
A esperança dos médicos é que a nova combinação de quatro remédios consiga
inibir a ação do sistema imunológico do paciente, evitando que seus anticorpos
ataquem o membro implantado. A cada dia, por meio do ultra-som, eles vão
observar como está a irrigação sanguínea na região. Se o sangue continuar
a irrigar os tecidos da mão recém-colocada, significa que a infecção estará
sob controle.
Na hipótese mais otimista, se o corpo
de Hallam reagir bem, as doses dos imunodepressores serão gradualmente
reduzidas. Caso contrário, se a rejeição não for debelada, a nova mão
terá de ser amputada. O empresário, no entanto, precisará tomar os remédios
até o fim da vida, o que tornará seu sistema imunológico enfraquecido
e mais suscetível a infecções e possivelmente ao câncer. Apostar nesse
risco para ter um órgão não vital é uma decisão criticada por muitos médicos.
Hallam, que perdeu a mão numa serra há catorze anos, tinha feito um reimplante
que não lhe devolveu a sensibilidade nem os movimentos. Por isso, decidiu
cortá-la cinco anos depois e considerou a possibilidade do transplante
uma dádiva. "Eu sonho abraçar minha mulher e meus quatro filhos de
novo", explicou antes da operação.


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