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Atletismo O outro RonaldoCorredor
brasileiro surpreende em Berlim ao
Ronaldo treina normalmente nos campos de Descoberto, pequena cidade mineira onde nasceu. Embarcou para a Alemanha confiante. As coisas saíram melhor do que se esperava. Depois de uma semana de chuva, o domingo amanheceu com sol, pouca umidade no ar e temperatura de 10 graus. O percurso levemente descendente de Berlim ajudava ainda mais. A capital alemã, ao lado de Roterdã, na Holanda, tem um dos percursos mais favoráveis para tentar o recorde da maratona. Quatro das cinco melhores marcas do mundo foram obtidas nessas duas cidades. Ronaldo chegou à metade da corrida em uma hora e cinco minutos, como havia planejado. Foi a partir daí que se deu a surpresa. Em vez de manter a marcha ritmada dos formidáveis corredores quenianos e etíopes que dividiam com ele a liderança, o brasileiro acelerou. Desgarrou do grupo de frente numa atitude temerária. Foi um tiro certo. Sentia-se tão leve e solto que aceitou dar entrevistas, em espanhol, para a televisão alemã, enquanto corria. Num fenômeno raro, conseguiu fazer a segunda metade da corrida quase quatro minutos mais rápido do que a primeira. Ao cruzar a linha de chegada, risonho e relaxado, o ex-menino pobre que queria ser jogador de futebol era o novo herói do esporte mundial. Estava também financeiramente descansado, com o prêmio de 100.000 dólares no banco. O cachê que cobra para participar de corridas saltou de 7.000 para 15.000 dólares.
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