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Tricô
clássico e de noite: o frescor da viscose e o charme dos fios metálicos |
| Fotos: Domingues |
O tricô clássico, aquele dos agasalhos de inverno que a vovó fazia, mudou de cara e de estação. Fabricado com fios mais leves, que se misturam e recebem tratamento tecnológico para não criar bolinhas nem deformar, chega agora às vitrines com o frescor e a maciez que pede o verão. De carona na moda desestruturada, os novos tricôs extrapolam o molde comportado dos cardigãs para dar o ar da graça também em calças, tops, regatas, vestidos e biquínis. Audaciosos, avançam sobre o mercado masculino, em camisas pólo e camisetas. E chegam ao topo de um movimento de ascensão iniciado há cerca de dois anos, ganhando o glamour da noite em roupas de fios metálicos, fluorescentes, peludos ou bordados em paetês.
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| Efeito rasgado: vestido de fio sintético com tramas irregulares, usado com body de tricô de algodão |
"O look de hoje é uma saia longa e um pulôver de tricô", diz a consultora de moda Costanza Pascolato. "Tricôs são perigosos, pois marcam muito mais o corpo do que os blazers. Mas são chiques e resgatam a suavidade da silhueta." Os pontos, variadíssimos, permitem a criação de tramas exclusivas, das mais simples às mais sofisticadas, como as peças esburacadas com falhas cuidadosamente planejadas. "O que todo mundo sempre evitou no tricô, aqueles buracos no meio de uma peça, é o que mais exploramos", diz Carlos Miéle, da griffe M. Officer, que coloca em suas lojas uma coleção de verão carregada de roupas produzidas com fitas grossas de fios sintéticos, em tramas cheias de irregularidades. Tudo para criar um efeito propositadamente "rasgado", inspirado, imaginem só, nos mendigos de rua. "Eles, sim, usam roupas autênticas e não copiam a moda de ninguém", entusiasma-se Miéle. Tranqüilizem-se, gatinhas fãs da griffe. Ninguém corre o risco de sair vestida de sem-teto: as roupetas esburacadas são provocantes e sensuais. Na moda masculina, o tricô finca pé em modelos de camisa pólo, camiseta e blusa de buclê (um ponto em alto-relevo). "Os homens acordaram para o tricô porque ele é confortável e fica chique, tanto sozinho quanto por baixo de um paletó", apregoa o estilista Renato Loureiro, que dedicou 25% de sua coleção de tricotados ao guarda-roupa masculino.
Bem tricotada, a roupa de fio de algodão não encolhe. Como? Primeiro, é moldada em tamanho gigante. Depois, passa por vários processos de lavagem, encolhendo tudo o que tem para encolher até chegar à modelagem ideal. Também não há perigo de formar bolinhas depois de tingida, é banhada numa solução de enzimas, que destrói o excesso de algodão responsável pelos malfadados carocinhos. Por fim, a tática para impedir que a roupa pinique: amaciado à base de silicone, o fio sai suave como seda. "É um trabalho chinês, mas o resultado é fantástico. Minhas peças podem ser lavadas a máquina e até centrifugadas, sem problemas", garante a estilista Marisa Ribeiro.
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| Masculino,
esportivo e noite: algodão, listas e fio fluorescente |
O que também vem com garantia contra deformação é o fio de modal, nome dado a uma novíssima fibra de celulose importada da Áustria. Misturado à poliamida, o fio resulta no modal stretch, herdeiro legítimo da maciez e do brilho do pai e da elasticidade da mãe. "Sua superfície superlisa impede que retenha as bolinhas", afirma José Francisco Cestare, gerente de marketing da empresa Pégaso Têxtil, que desenvolve o produto em São Paulo. Igualmente macio e flexível é o fio de elastic, mistura de acrílico e viscose acoplada por um processo de torção ao elastano, resultando em uma textura agradável e escorregadia, que dispensa ferro de passar. "O elastic permite que a roupa fique bem estruturada no corpo e não amarrote. É só lavar a mão e secar em cima de uma toalha", orienta Wilma Saldanha, uma das sócias da griffe mineira Patachou. Modernizado, prático e fresquinho, o tricô é uma arma polivalente para conquistar o calor com elegância.
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S.A. |