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Aviões
na fila de espera em São Paulo: um vôo a cada 66 segundos |
| Foto: Antonio Milena |
Como se não bastasse o congestionamento de carros, um novo problema começa a afligir as metrópoles brasileiras: o engarrafamento aéreo. Os aeroportos das grandes cidades nunca estiveram tão movimentados. O principal motivo é a competição entre as empresas, que reduziu as tarifas, aumentou a oferta de vôos e atraiu um número recorde de passageiros nas linhas nacionais. O Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, é o campeão em pousos e decolagens da América Latina. Desde 1993, o número de passageiros que passam por ali mais que dobrou. Só neste ano, com recessão econômica e tudo, o crescimento foi de 12%. O ritmo de pousos e decolagens no aeroporto paulistano é impressionante: em média, um a cada 112 segundos. Há períodos em que o intervalo entre um vôo e outro cai para apenas 66 segundos. Nessas horas, filas de até dez aviões costumam se formar na cabeceira da pista, à espera de autorização para decolar, enquanto um número igual de aeronaves fica circulando pelos céus da cidade, aguardando sinal verde para pousar.
Resultado do congestionamento, os atrasos são cada vez mais freqüentes, em especial nos vôos da ponte aérea, que liga Congonhas ao Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. Nos horários de pico começo da manhã e final da tarde há casos em que a espera dos aviões na fila para decolar e pousar chega a uma hora e meia, o dobro do tempo de uma viagem normal entre as duas cidades. "Congonhas chegou ao ponto de estrangulamento", diz o diretor regional do Sindicato Nacional de Proteção ao Vôo, Ruy Ciarlini. No final de 1995, o aeroporto implantou um sistema pelo qual as empresas devem reservar horário para voar com 24 horas de antecedência. O número de vôos solicitados é, contudo, sempre maior do que a capacidade do aeroporto. As duas pistas de Congonhas não podem operar simultaneamente por falta de espaço seguro entre elas para manobra dos aviões. O Aeroporto Santos Dumont tem o mesmo problema. Para se ter uma idéia, o Aeroporto O'Hare, em Chicago, o mais movimentado do mundo, opera com seis pistas ao mesmo tempo. O segundo colocado, o Heathrow, de Londres, com quatro.
Comunicação
via satélite O congestionamento aéreo
é hoje um problema mundial. Esse é o tema de uma
assembléia que reúne, nesta semana em Montreal, no
Canadá, representantes da aviação civil de 185
países, incluindo o Brasil. "Em cinco anos teremos
de trocar todo o sistema operacional senão o mundo vai
parar", afirma o brigadeiro Renato Costa Pereira,
que participa do encontro. O objetivo é encontrar meios
para que os aviões fiquem o menor tempo possível nos
pátios. Uma solução é acelerar o tráfego de
passageiros em terra por meio de um método mais veloz de
identificação e controle nas áreas de check-in,
passaporte e despacho de bagagens. No ar, uma novidade
será a troca da comunicação por rádio entre aviões e
aeroportos por um sistema mais ágil e sofisticado,
através de satélites.
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