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| Foto: Renata Ursaia |
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| Crianças
descem uma corredeira no Rio Juquiá, em São Paulo: programa familiar |
O programa exige uma pitada de coragem. Requer, principalmente, braços dispostos a remar duas ou três horas rio abaixo sem parar. O rafting, um esporte cada vez mais popular no Brasil, é uma versão aquática e ecológica das montanhas-russas. Consiste em descer corredeiras a bordo de um bote com meia dúzia de pessoas. É diferente da canoagem, na qual o remador desce o rio sozinho, dentro de uma canoa ou caiaque. No rafting, feito sempre em botes grandes, todos os remadores são obrigados a usar capacetes e coletes salva-vidas. É emocionante mas, na maioria das vezes, não oferece perigo. Tanto que, em muitos rios do interior do país, se transformou num programa familiar. A modalidade chegou por aqui há mais de quinze anos e só ultimamente espalhou-se por quase todo o país, com roteiros organizados e pacotes turísticos que dão suporte aos viajantes pouco afeitos às aventuras muito radicais. A Confederação Brasileira de Canoagem estima que uma média de 25.000 pessoas pratique rafting no Brasil. O número cresceu cerca de 30% no último ano. Existem 25 agências oficiais de rafting em todo o país. Só em São Paulo, uma média de 300 passeios por semana são vendidos pelas agências.
Por que tanta popularidade? Fazer rafting é uma brincadeira tão animada quanto ir a um parque de diversões. Dentro do bote, conduzido por guias experientes, todo mundo grita, leva sustos, fecha os olhos para não ver a próxima queda, mas no fim sai gargalhando, pedindo mais. "Muitos não remam até o fim, sempre tem um ou outro que pára no meio e os mais fortes acabam assumindo tudo", conta Jota Marincek, 30 anos, dono da Venturas & Aventuras, uma das primeiras agências a oferecer rafting em São Paulo. Agora os pacotes incluem, além da descida de corredeiras, outros atrativos, como um belo almoço em locais equipados com piscina, sauna e banheiros ou passeios combinados a esportes como o rappel (descida de cachoeiras por cordas) e caminhadas. Os preços variam muito. Só a descida do rio, com direito ao equipamento básico e ao guia, sai em média entre 25 e 35 reais por pessoa. Com almoço ou piquenique nas margens do rio pode custar 50 reais. Chega a 150 reais com lanche, jantar e transporte até o local da aventura. Em pacotes que combinam o rafting a outros esportes ou a mais passeios, o valor aumenta bastante. A Maracajá, agência gaúcha, promove uma excursão de cinco dias pelo Rio Grande do Sul que, além do rafting, inclui cavalgada, caminhada e passeios por cânions. Custa 790 reais por pessoa, com hospedagem e alimentação.
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Rio
Jacaré Pepira, na cidade de Brotas: duas horas de remadas em bote inflável |
| Foto: Lilian Soja |
Níveis de dificuldade Antes de embarcar no bote inflável, os passageiros recebem o equipamento obrigatório (remo, capacete e colete salva-vidas). Os guias ensinam como remar direito, a melhor posição nas quedas-d'água, o que fazer se alguém cair no rio. "Os guias são experientes, estão prontos para tudo", garante Lilian Soja, da Special Way, em São Paulo. Sua agência faz raftings nos três rios mais conhecidos para a prática desse esporte no Estado: Juquiá, na cidade de Juquitiba, Jacaré Pepira, em Brotas, e Paraibuna, em São Luís do Paraitinga. Em geral, pessoas de todas as idades podem entrar no bote, embora crianças pequenas não sejam muito bem-vindas. Em rios mais tranqüilos, como o Formoso, na cidade de Bonito, Mato Grosso do Sul, é comum ver passageiros idosos fazendo rafting.
No mundo todo o rafting é qualificado por graus de dificuldade. O rio com corredeiras mais suaves recebe nota 1. Os mais violentos, 6. "As corredeiras brasileiras estão entre os níveis 2 e 3 (pequena e média dificuldade) e algumas chegam ao nível 4", diz Alexandra Iwer, proprietária da Maracajá. Ela promove descidas nos rios Paranhana, das Antas e Santa Cruz, todos em território gaúcho e de dificuldade média para cima. A classificação, em qualquer lugar, pode variar de acordo com o volume de chuvas, já que os rios mais caudalosos naturalmente formam corredeiras mais fortes. Os níveis de dificuldade também podem ser diferentes num mesmo rio. É o caso do Itajaí-Açu, em Santa Catarina, que tem trechos de corredeiras bem radicais e outros mais suaves.
Para ousados Há também expedições de longa duração, que muitas vezes percorrem um rio da nascente à foz. É um programa para os mais ousados. O grupo entra na água e só sai quatro dias depois. É preciso remar várias horas por dia, com alguns intervalos e acampamento à noite nas margens. "Qualquer um pode fazer, basta gostar da natureza", garante Ivã Ramón do Amaral, dono da Ixion Geo, que faz raftings no Paraná e criou a expedição ao Jalapão, no Tocantins. Com rios classificados como nível 2 e 3 e com uma corredeira de grau de dificuldade 4, atravessa um cenário intocado, com dunas de areia branca e lagos cristalinos. A viagem completa dura uma semana, com transporte até o local, hospedagem em hotel três estrelas em Palmas e alimentação. Custa 700 dólares por pessoa. Outra expedição bem mais suave é feita em Goiás. É uma variação do rafting, em canoas canadenses, como aquelas do desenho Pocahontas. São três dias remando pelas levíssimas corredeiras do Rio Araguaia. Custa 360 reais e inclui seis horas de remo diárias.

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