Amazônia

Asfalto na selva

Estrada liga Amapá e Roraima a países vizinhos

Último trecho a ser
aberto: túneis sob
a estrada para a
circulação dos animais
Foto: Elson Martins  

Estão quase prontas as obras de um projeto que deve tirar do isolamento uma das regiões de acesso mais difícil na Amazônia. É uma estrada de 2.346 quilômetros que vai ligar as capitais dos Estados do Amapá e Roraima, passando pela Guiana Francesa e dois países vizinhos, Suriname e Guiana (veja mapa ao lado). Um trecho de 80 quilômetros, o último que faltava para completar o traçado, começou a ser aberto há algumas semanas em meio à densa floresta da Guiana Francesa. Quando ele estiver concluído, dentro de alguns meses, será possível viajar pela primeira vez de carro entre Macapá e Boa Vista. Por enquanto, a viagem só poderá ser feita durante o verão. Cerca de 1.000 quilômetros do percurso ainda são em estrada de terra, intransitável na época das chuvas — o chamado inverno amazônico. A previsão é asfaltar tudo isso até o ano 2000.

Juntos, Roraima e Amapá respondem por apenas 0,23% do produto interno bruto, PIB. Com a estrada, chamada de Transguianense, que deve custar 500 milhões de reais divididos pelos quatro países, a expectativa é de que a economia local dê um salto. No Amapá, ela vai criar uma nova alternativa para o escoamento da produção agrícola e abrir caminho para que os 30.000 turistas franceses que visitam a Guiana Francesa todo ano dêem uma esticadinha até o Brasil. Estima-se que o Estado vá faturar 5 milhões de reais por ano com o turismo e 35 milhões com investimentos nas margens da estrada.

No trecho a ser recortado agora na Guiana Francesa, a obra tem cuidados ecológicos. Em determinados pontos, a largura da estrada diminui de 40 para 10 metros, para que as copas das árvores continuem-se encontrando e o passeio dos macacos não seja interrompido. Foram providenciados túneis sob a pista para a livre circulação de roedores, tartarugas e outros animais. Apesar das boas intenções, teme-se que a estrada agrave o problema do narcotráfico. Com a Transguianense, o Suriname, principal entreposto na rota da cocaína colombiana para a Europa, poderá usar o Brasil para escoar a droga. "Se fosse possível, faríamos a rodovia sem passar pelo Suriname", diz o diretor-geral do Departamento de Estradas de Rodagem, DER, de Roraima, Carlos Lewisk. "Como é inevitável, vamos reforçar o policiamento nas fronteiras."

Klester Cavalcanti




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