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| Foto: Ana Araujo |
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| Simulação
de savana no zôo de Brasília e aperto na velha jaula onde viviam os ursos de Curitiba (abaixo): reformas e mais espaço para reduzir o stress |
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| Fotos: Jader da Rocha |
Espremidos em duas jaulas de 50 metros quadrados, os quatro ursos do zoológico do Passeio Público de Curitiba têm despertado mais pena do que admiração nos visitantes do parque. Há trinta anos eles vivem num desconforto de dar dó. As jaulas são pequenas demais para animais de até 200 quilos e ficam ao lado de algumas das avenidas mais barulhentas da cidade. O ruído de ônibus e caminhões estressa os ursos dia e noite. A diversão deles resume-se a arranhar troncos de árvores e morder as grades da jaula. Até o final de outubro, a vida deles vai mudar. Eles serão transferidos do centenário Passeio Público para o moderno zoológico do Parque Iguaçu. Ali vão morar em uma área de mais de 1.000 metros quadrados, onde a única fonte de ruído será a algazarra das crianças. Com muro em lugar das grades, o cercado terá um lago artificial, gangorras e balanços feitos com troncos de eucalipto.
A mudança de vida dos ursos de Curitiba é um exemplo de uma bem-vinda novidade que está acontecendo em vários zoológicos brasileiros. Pouco a pouco, jaulas encardidas, grades enferrujadas e maus-tratos aos bichos estão cedendo lugar a amplos cercados, câmaras com temperatura regulada e assistência veterinária 24 horas por dia. O motivo dessa transformação é uma norma regulamentadora do funcionamento dos zoológicos publicada em 1989 pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis, Ibama. Os técnicos do órgão fizeram visitas aos parques e enumeraram as medidas que cada um deveria providenciar. O resultado começa a aparecer agora. Entre outros detalhes, a legislação exige a presença em tempo integral de biólogos e veterinários nos parques e determina como devem ser os cercados e a alimentação de cada animal.
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Macaco-da-noite: aquecimento ameniza o inverno curitibano |
Sem banho Para se enquadrar às regras do Ibama, os parques estão precisando passar por uma reforma geral. Em um ano e meio, o governo baiano investiu 1 milhão de reais no zoológico de Salvador. Reformou 70% das jaulas, construiu uma maternidade, um felinário para leões, onças e tigres, um novo espaço para os hipopótamos e mais de 1.500 metros de grades de proteção. Em Curitiba, além da nova área para os ursos, o macaco-da-noite ganhou uma casa climatizada para não padecer no inverno. No zôo do Rio de Janeiro, silenciosos carrinhos elétricos funcionam como ambulâncias para os bichos e um moderno pingüinário reproduz grutas e areia a 5 graus Celsius. O zôo de Brasília inaugurou, há poucos meses, uma área de 35.000 metros quadrados chamada de Galeria África para abrigar casais de elefantes, girafas, gnus, zebras, gazelas e antílopes, num ambiente típico das savanas africanas.
Dos 146 zoológicos existentes no Brasil, 34 já conseguiram atender a todas as determinações do Ibama, obtendo o registro. O restante está correndo com as reformas para se enquadrar. Quem não consegue é obrigado a cerrar as portas. Há quase um mês, foi fechado o zôo Murycana, em Parati, no litoral sul do Rio de Janeiro. As telas e grades de proteção estavam enferrujadas e não havia nenhum veterinário em tempo integral. Seus 87 animais já foram transferidos para o Rio de Janeiro, Manaus e Goiânia. O próximo a encerrar as atividades deve ser o zôo de Ariquemes, em Rondônia. Ali faltam bebedouros e tanques para banho, o cardápio não foi adaptado às necessidades das espécies, os funcionários não têm treinamento e também há denúncias de falta de comida para os animais. Até o fim de outubro, as cinqüenta espécies que vivem ali serão encaminhadas para outros zoológicos.
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