Lavoura high tech

Uberlândia testa tratores ligados a satélites
e outras novidades tecnológicas no campo

José Edward

Foto: Beto Oliveira
Colheitadeira com GPS e computador (no destaque):
sistema inédito no Brasil

Estrategicamente localizada no coração do cerrado, de onde saem 35% dos grãos produzidos no país, a cidade mineira de Uberlândia sempre apostou em sua vocação natural para a agricultura. Continua, mas nos últimos anos o que chama a atenção é que ela está se firmando como um dos principais pólos de tecnologia do país nessa área. O município tem se destacado em setores como biotecnologia, agribusiness, telecomunicações e, mais recentemente, em uma atividade desconhecida no país, a da agricultura de precisão. "O futuro está aqui", entusiasma-se Erwin Russel, presidente da Agroceres Sementes, que foi adquirida no final do ano passado pela multinacional Monsanto e cuja sede principal foi transferida há três meses de Rio Claro, no interior de São Paulo, para Uberlândia.

Desenvolvida há aproximadamente cinco anos nos Estados Unidos, a agricultura de precisão é a grande esperança mundial para o aumento da produtividade no campo. O método permite o gerenciamento da lavoura por meio do uso de sensores conectados a satélites. Os tratores são equipados com um aparelho chamado sistema de posicionamento global, GPS, que envia e recebe sinais de satélites e mapeia ponto a ponto a área plantada, identificando onde é preciso fazer a correção do solo. "Os dados coletados permitem ajustes na aplicação de insumos com menores custos e maior produtividade, já que é possível identificar onde estão as distorções", explica Marcelo Prado, do Grupo Algar, que se associou às empresas Manah, Case IH e DuPont para aplicar a tecnologia no Triângulo Mineiro.

O agrônomo Uitdewilligen
numa estufa: "Laboratório
natural e de biotecnologia"
Foto: Moreira Mariz  

Supermilho — A Agroceres está implantando no município um centro de pesquisas em biotecnologia para o desenvolvimento e a adaptação ao cerrado de sementes de milho modificadas geneticamente. Em dois anos, a empresa pretende colocar no mercado uma variedade transgênica de milho resistente a lagartas. A Monsanto vai construir dois outros laboratórios de biotecnologia, destinados à pesquisa e ao desenvolvimento de sementes transgênicas de soja e algodão. A suíça Novartis, que há doze anos atua no ramo de experimentação agrícola em Uberlândia, também está montando um centro de biotecnologia. "Aqui é um laboratório natural a céu aberto, porque permite a simulação do clima de quase todas as regiões do país", diz o agrônomo Wilhelmus Uitdewilligen, da Novartis. "Com as ferramentas da biotecnologia, o município está se transformando numa referência em tecnologia de ponta no campo."

Uberlândia leva vantagem sobre outras regiões agrícolas porque não se limitou a produzir grãos em suas lavouras. A cidade empenhou-se também em atrair empresas que atuam em todos os setores da cadeia produtiva de alimentos. Ali, diariamente, cerca de 6.000 toneladas de milho e soja são transformadas em produtos com maior valor agregado, como óleo comestível, ração animal, amido e glicose. A localização em um entroncamento rodoferroviário facilitou a transformação da cidade no segundo maior pólo de armazenagem de grãos do país e sede das maiores empresas nacionais de distribuição de produtos por atacado. Agora, a existência de uma boa infra-estrutura de telecomunicações está motivando o desenvolvimento de um novo ramo de atividade, o da tecnologia da informação. Em um pólo de informática, dezesseis empresas já produzem softwares para exportação. O Grupo Algar, que tem empresas de computação, TV a cabo e fabricação e instalação de redes de fibra óptica, está montando um call center, que oferecerá toda a infra-estrutura para que grandes empresas montem seus centros de atendimento a clientes em Uberlândia.




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