País de Clintons

Americanos aparecem em primeiro lugar
no ranking dos parceiros mais infiéis

A exposição em explícitos detalhes da agenda extraconjugal do presidente Bill Clinton já era um indício. Agora, uma pesquisa confirma: em matéria de traição amorosa, os americanos, com sua fama de puritanos, estão na liderança mundial, com metade dos entrevistados confessando pular a cerca. A conclusão faz parte da Durex Global Sex Survey 1998, pesquisa de comportamento sexual realizada todo ano por um grande fabricante de preservativos, que aponta outra surpresa: à frente de franceses, italianos e espanhóis, em cujas veias corre o supostamente fogoso sangue latino, na Europa quem mais trai são os britânicos (42%) e os russos (43%), quase empatados. O Brasil não aparece entre os catorze países pesquisados neste ano, mas um estudo realizado em 1997 pelo Datafolha aponta uma nação comportadíssima — só 13% confessaram ser infiéis. Questão de caráter nacional, de parcerias bem resolvidas ou, já que os americanos tanto discutem o assunto, de divergências sobre o que exatamente é sexo? Melhor creditar a diferença à pouca sinceridade que assola as sondagens nessa área.

Pesquisas sobre sexo nunca devem ser interpretadas ao pé da letra. "Nesse tipo de entrevista, os homens tendem a exagerar seus feitos e as mulheres, a subestimá-los", analisa o psicólogo Ailton Amélio da Silva, professor de três disciplinas sobre relacionamento amoroso no Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. Só para se ter uma idéia da dança dos números nesse assunto: outra pesquisa, de 1987, cravava em liberalíssimos 70% o número de americanos que admitiam ter tido algum caso extraconjugal. O estudo mais respeitado na área, realizado em 1994 pela Universidade de Chicago, fixa em 25% a porcentagem de maridos americanos que já tiveram atividades extramatrimoniais.

Os franceses (9º lugar no ranking da traição) são os campeões da freqüência: em média, fazem sexo 141 vezes por ano, segundo o levantamento da Durex. Bem mais que espanhóis e tailandeses, com 82 e oitenta relações anuais, respectivamente. "As pessoas dedicam cada vez menos tempo aos momentos de intimidade, porque têm cada vez maior dificuldade para se entregar", arrisca o médico e psicoterapeuta Moacir Costa. Deve ser verdade. Os mesmos franceses, campeões em assiduidade, gastam escassos dezesseis minutos em cada relação sexual, muito menos que os 28 minutos em média declarados pelos americanos.

 



 




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