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Eleições Aposta no milagreNa reta
final da campanha, os aliados de Lula
Os aliados de Lula não sabem mais o que fazer além de esperar um milagre. "Podem ocorrer surpresas nos últimos dias", diz o deputado Luiz Gushiken, coordenador-geral da campanha petista. "Numa crise como essa que o país atravessa, tudo fica imprevisível. Não se pode excluir o imponderável." O próprio Lula tem dado sinais de resignação diante da provável derrota eleitoral. "Ele está tranqüilo", afirma um dos seus colaboradores mais próximos. "Acha que, se perder, pelo menos cumpriu seu dever como candidato da oposição." Desde que estourou a crise na Rússia e os efeitos do desastre começaram a se fazer sentir no Brasil, não se falou mais de outra coisa na campanha do PT. A estratégia da oposição serviu para colocar Fernando Henrique na defensiva, mas não trouxe nenhuma vantagem eleitoral para a esquerda. "O problema é que não soubemos mostrar claramente que temos uma proposta alternativa para o país", afirma o deputado José Genoíno, do PT de São Paulo. O grande temor do PT agora é sair da eleição, além de derrotado, menor do que entrou. Desde que disputou sua primeira campanha presidencial, em 1989, Lula só viu seu eleitorado crescer, ao mesmo tempo que o do atual vice de sua chapa, Leonel Brizola, era reduzido até virar farinha. Unidos pela primeira vez nesta eleição, os dois líderes da esquerda estão preocupados com o risco de encolher. No primeiro turno de 1989, 28% do eleitorado votou nas candidaturas de Lula e Brizola. Hoje, as intenções de voto da chapa formada por ambos somam pouco mais de 20%. "Lula provavelmente sairá enfraquecido das urnas", diz o professor José Augusto Guilhon Albuquerque, cientista político da Universidade de São Paulo, USP. "Ele construiu uma base sólida no eleitorado, mas não consegue ampliá-la." Aumentar a simpatia dos eleitores por Lula revelou-se uma missão quase impossível desta vez. A primeira semana do horário gratuito fez os índices de rejeição do candidato saltarem de 33% para 41%. Depois, eles até diminuíram um pouco, mas continuam sendo maiores do que no início da campanha eleitoral. Ricardo Balthazar
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