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Turma da eficiência
Apesar da
imagem ruim o Congresso
possui uma elite que trabalha muito
Vladimir
Netto
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Paim: participou de
todos
os projetos trabalhistas
da atual legislatura |
Aloysio
Ferreira: visita
semanal aos ministérios
para checar as emendas |
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José Roberto Arruda:
liderança já no
primeiro mandato |
A atividade de
congressista guarda uma desagradável semelhança com a
de juiz de futebol. Quando se pergunta à população o
que acha dessas categorias profissionais, a resposta é
geralmente: "um bando de ladrões". A
explicação para a imagem ruim é parecida nos dois
casos. O juiz correto e discreto geralmente passa
despercebido. Na Câmara dos Deputados, uma massa
compacta de 513 votantes, também é fácil não ser
notado. Árbitro e parlamentar, porém, vão parar nas
manchetes sempre que dão vexames ou são flagrados em
roubalheiras. É por isso que 90% do eleitorado nem
sequer lembra em quem votou para a Câmara na eleição
passada e tem mais facilidade em apontar deputados
envolvidos em escândalos do que congressistas
respeitáveis. Mas há um número considerável de
parlamentares de alto nível, segundo estudos feitos pelo
Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar,
Diap, e pela Arko Advice, uma empresa de consultoria de
Brasília.
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Suplicy
e Antonio
Carlos Magalhães:
estrelas da tribuna |
Cada uma dessas listas tentou traçar
o perfil da elite do Congresso, os políticos que participam dos grandes
debates, lutam por suas bases e não fogem das comissões nem do plenário.
É um grupo distante do estereótipo do político preguiçoso, inepto e que
não entende direito os assuntos importantes sobre os quais é chamado a
opinar. Há na lista figurinhas carimbadas, estrelas da tribuna e autores
de denúncias, como os senadores Antonio Carlos Magalhães e Eduardo Suplicy,
ou novas lideranças como o senador José Roberto Arruda. Mas, ao lado deles,
há ilustres desconhecidos. Isso acontece porque muitos bons congressistas
se especializam em um tema em geral aqueles enfadonhos porém importantes,
como previdência social ou legislação ambiental e trabalham obsessivamente
sobre ele.
O campeão da
categoria, segundo os estudos das duas consultorias, é o
ex-metalúrgico Paulo Paim, do PT gaúcho. Com formação
escolar até o 2º grau, ele procurou compensar a
deficiência estudando intensamente legislação e
economia. Tornou-se o maior especialista do Congresso em
assuntos trabalhistas. Não importa se a pessoa concorda
ou não com a posição ideológica do petista Paim.
Desde o início da legislatura, passaram por ele todos os
projetos sobre o assunto: quando ele não era o autor,
era o relator. Registram-se muitas faltas ao trabalho
entre os parlamentares, mas isso não é regra geral. O
advogado Aloysio Nunes Ferreira, do PSDB de São Paulo,
se apresenta no gabinete às 9 horas da manhã e só sai
à noite. Seu método inclui passar as terças-feiras
percorrendo ministérios para checar o andamento das
emendas que propôs. "Tenho de fazer que meus
eleitores sejam atendidos. Senão, como eu poderia pedir
votos a eles?", raciocina.
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Eduardo
Jorge:
liderança à esquerda |
Inocêncio:
negociador experiente |
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Sandro
Mabel:
nas duas listagens |
Temer:
referência
para os novatos |
"Há
vários tipos de bons parlamentares", diz o
cientista político Paulo Kramer, que presta consultoria
a deputados em Brasília. "Os que fiscalizam o
Executivo, os que apresentam propostas e os que são bons
negociadores. O Congresso é uma engrenagem grande, que
requer especializações diferentes." É comum ouvir
referências saudosas aos grandes oradores do passado,
como Carlos Lacerda. Mas é preciso lembrar que, na
década de 50, para cada Lacerda havia dezenas de
parlamentares fracos e despreparados. "Hoje, a
média é superior", avalia o cientista político
Jarbas Medeiros, da Universidade Federal de Minas Gerais.
A renovação a cada quatro anos ajuda. Na eleição de
1994, apenas 43% dos ocupantes do Congresso se mantiveram
em suas cadeiras. O índice é mais de dez vezes superior
à renovação registrada no Congresso dos Estados
Unidos.
Fotos: Sergio
Dutti/Roberto Loffel/Ana Araujo/Ricardo Stuckert/Orlando
Brito

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