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Atenção com eles
Com a
maior safra da década de políticos tentando a
reeleição no Congresso, é bom separar o joio do trigo
André
Petry
Alceste, Cleonâncio, Enivaldo. Se você
tem pouca ou nenhuma familiaridade com esses nomes, tudo
bem. Eles são deputados que, durante os quatro anos do
mandato que agora se encerra, só se notabilizaram pelo
pouco que fizeram. Alceste Almeida, de Roraima, elegeu-se
pelo PTB, pulou para o PPB, depois se filiou ao PFL, hoje
está no PMDB e, apesar de toda essa faina partidária,
nunca apresentou um único projeto individual, para lei
ordinária ou complementar, muito menos uma emenda
constitucional. Cleonâncio Fonseca, de Sergipe, está
hoje no PMDB, depois de passar por outras três siglas, e
também nunca apresentou projetos. Enivaldo Ribeiro, do
PPB da Paraíba, não é um saltimbanco de legendas, mas
tem zero projetos individuais em toda a legislatura e
aproveitou o mandato para dar emprego a dois parentes em
seu gabinete. Os três fazem parte da massa de 443
deputados que estão em campanha para voltar ao Congresso
a bordo de um novo mandato.
Nesta década, nunca tantos parlamentares
estiveram na batalha da reeleição. Desta vez, 86% querem voltar. Na última
eleição, foram 80%. Em 1990, apenas 73%. Diante de tantos recandidatos,
e faltando somente uma semana para a eleição, é recomendável que o eleitor
conheça mais a fundo a atividade de cada parlamentar e identifique aqueles
que se destacaram seja pelo aspecto positivo, seja pelo negativo.
Para produzir essa radiografia, VEJA apurou uma lista dos melhores parlamentares
(veja reportagem) e dos que sobressaíram pela má qualidade. A partir
de oito critérios definidos com auxílio de cientistas políticos e institutos
que estudam o Congresso, VEJA chegou a uma relação de 65 parlamentares
de primeira linha e pelo menos 140 que chamam a atenção pelos defeitos
(veja quadro com os critérios adotados).
Juntos, eles equivalem a 34% dos 594 deputados e senadores. Os demais
têm uma atuação que se situa numa zona intermediária: não são ruins, nem
excelentes. Ora melhoram, ora pioram.
Como é impossível avaliar
cientificamente o que é um bom ou mau político, pois
essa análise é profundamente subjetiva, esses números
servem mais para se ter uma noção da qualidade do
Congresso do que, propriamente, como dado estatístico.
Alceste, Cleonâncio e Enivaldo, a tróica que tenta novo
mandato, portanto, não são os três piores políticos
da Câmara, mas com certeza estarão presentes em
qualquer lista de deputados fracos da atual legislatura.
Além da troca excessiva de partidos, da inatividade ou
do nepotismo, eles não desempenham nenhuma função de
relevância não são negociadores nem
debatedores, não articulam votações nem servem de
bússola para formação da opinião pública. Jairo
Carneiro, do PFL da Bahia, que não tem sequer uma dessas
características positivas, também não apresentou
projetos e ainda emprega parentes no seu gabinete. Mauro
Fecury, do PFL do Maranhão, está na mesma situação de
seu colega baiano, com uma desvantagem adicional: ele
faltou a votações cruciais, como a criação de fundo
de recursos para a educação, sem apresentar
justificativa não estava em missão oficial, nem
doente ou de licença.
O Congresso,
certamente o poder mais aberto e mais acessível de
todos, é uma instituição vital para o país, é a
própria essência do regime democrático. Quando suas
portas são fechadas à força, como aconteceu na
ditadura militar, anula-se o saudável confronto de
idéias e a sociedade perde a forma organizada de que
dispõe para influir nos destinos da nação. Por isso,
é preciso separar as pessoas da instituição. Existem
parlamentares de quinta categoria, é verdade, mas isso
não significa que o Congresso seja um poder
desimportante. Um país sem Parlamento aberto e ativo é
como uma sociedade sem voz. O Congresso, com seus 594
membros, é um reflexo da sociedade brasileira
ali, como na vida comum, há bons e maus, honestos e
desonestos, ignorantes e cultos, há gente preparada e
franco-atiradores. Seria ideal que, mesmo sendo espelho
da sociedade com suas qualidades e defeitos, o Congresso
fosse composto só de políticos bons, honestos, cultos e
preparados. Há uma quantidade expressiva de políticos
que atendem a todos esses quesitos, mas também existe
uma massa de dar dó.
Há três senadores e seis deputados com
processos criminais pesados correndo na Justiça. Melhor
dizendo: parados na Justiça, devido à imunidade
parlamentar, que, por um desses absurdos do Congresso, é
estendida até a quem cometeu crimes não políticos. O
senador Ronaldo Cunha Lima, do PMDB da Paraíba, é o
caso mais conhecido. Tentou matar um adversário
político com dois tiros. O deputado Oscar Goldoni, do
PMDB de Mato Grosso do Sul, é acusado de contrabando,
uso de documento frio e falsidade ideológica. É
suspeito de comprar carro roubado no Paraguai e legalizar
o veículo no Brasil com documento falso. Na quarta-feira
dia 23, o deputado Davi Alves Silva, do PPB do Maranhão,
foi assassinado com dois tiros em Imperatriz, cidade da
qual já foi prefeito. O suspeito de matá-lo é seu
ex-cunhado, que se suicidou no mesmo dia. Ainda não se
sabe o motivo do crime, mas Davi Alves Silva era o tipo
do parlamentar enrolado em coisas cabeludíssimas. Tinha
dois processos: por estelionato e por receptação.
Os
pilantras Cidadãos com esse tipo de
currículo jamais deveriam estar no Congresso nacional.
É por essas e outras que, em junho passado, o instituto
Vox Populi perguntou ao brasileiro em quem ele jamais
confia. A resposta de 46% foi: no Congresso, que perdeu
até para uma das instituições mais criticadas do
país, a polícia. No início do ano, a agência de
publicidade Propeg realizou 1.700 entrevistas para saber
quem o brasileiro acha que menos contribui para o
progresso do país. De novo deu Congresso na cabeça,
atrás de Igreja, governos, empresários, imprensa,
militares e até banqueiros, outro grupo sempre mal
cotado pelo público. Há dados que ajudam a entender por
que o Congresso tem essa péssima imagem. Trata-se de uma
Casa mais aberta que outros poderes, ou mesmo mais que
bancos, igrejas, quartéis ou redações de jornais e
revistas. Além disso, os políticos, numa injusta
generalização, são considerados "ladrões" e
"corruptos", gente que "ganha sem
trabalhar" e "só pensa no seu próprio
interesse", como diz a mesma pesquisa da Propeg.
Claro que isso não é verdade, mas a população só
expressa essa opinião porque sabe que há pilantras da
maior cara de pau dentro do Congresso.
Seria aconselhável que os parlamentares
evitassem batalhar pelos assuntos que eventualmente lhes possam trazer
vantagens, como fazem os juízes diante de certos processos. Assim, se
evitariam as freqüentes acusações ao Congresso de ser uma Casa onde se
estabeleceu um grupo que só pensa em extrair benefícios pessoais do mandato.
O deputado Nelson Marquezelli, do PTB de São Paulo, cometeu esse erro.
Citricultor de mão-cheia, dono de onze fazendas que produzem 12.000 toneladas
de laranja por ano, Marquezelli resolveu, no seu primeiro projeto nesta
legislatura, propor a inclusão do suco de laranja na merenda de escolas
e quartéis. Podia até ser uma boa iniciativa, mas a idéia, vindo de quem
veio, pegou tão mal que ninguém pensou em aprová-la. Ainda assim, ele
tem suas qualidades, tanto que aparece na lista dos parlamentares mais
influentes, elaborada por duas entidades (veja
a lista). Uma turma de cinco
deputados chegou ao ponto de reunir-se numa comissão, quase em segredo,
para aprovar o projeto que legaliza os cassinos e o jogo do bicho. Não
espalharam a notícia com receio de que, sendo amplamente debatida, a medida
fosse rejeitada. Por que fizeram isso? Porque os cinco tinham interesse
pessoal em montar cassinos nas suas cidades. Poucas coisas ajudam tanto
a desmoralizar o Congresso e os políticos como esses comportamentos.
No que se refere à
essência da atividade parlamentar, a proposição de
leis, a coisa também fica feia em alguns casos. Há 46
deputados que, em toda a atual legislatura, nunca
apresentaram um projeto de lei individual ou emenda à
Constituição. É um número muito elevado, dado o fato
de que um parlamentar é, antes de tudo, um legislador.
Quem, depois de quatro anos no Parlamento, não teve uma
única idéia de projeto dá a impressão de ser um
gazeteiro contumaz entregue à vagabundagem. Isso é
verdade, mas só em parte. Não apresentar projeto não
significa necessariamente que os 46 deputados recebem
salário sem trabalhar. O deputado Moreira Franco, do
PMDB do Rio, nunca fez um projeto, mas ninguém pode
considerá-lo mera decoração de plenário ele
foi o relator da reforma administrativa e está incluído
na lista dos políticos mais expressivos da Casa. Paulo
Heslander, do PTB de Minas, é líder do seu partido,
cuja bancada tem mais de vinte parlamentares. Mussa
Demes, do PFL do Piauí, é o relator da reforma
tributária, tema crucial em análise na Câmara. Roberto
Brant, tucano de Minas, que também não apresentou
projetos, é um político bastante ativo. O ex-presidente
Tancredo Neves, que passou 23 anos de sua vida no
Parlamento, era um zero à esquerda em projetos, mas não
era mau político. Era dos melhores.

Foto: Ricardo Stuckert
Em 1991 foi montada uma comissão
para sugerir reformas que melhorassem o
funcionamento do Congresso. Uma das doze
sugestões enumeradas foi proibir a contratação
de parentes. Por causa disso, até agora a
reforma não saiu do papel.
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Às vezes,
apresentar projetos é uma empulhação. Na legislatura
passada, que terminou em 1994, houve um deputado que
propôs um projeto de regulamentação para cada um dos
245 artigos da Constituição. Seus projetos apenas
repetiam o texto de cada artigo, mas, na pura
contabilidade oficial, ele aparecia como uma notável
usina de idéias. "O apelido desse tipo de
parlamentar é deputado-estatístico, que não faz nada,
só número", conta o deputado Miro Teixeira, do PDT
do Rio. São casos de farsa explícita, pois, além de
não terem uma atuação correta, ainda procuram enganar
o eleitor. O deputado Wigberto Tartuce, do PPB de
Brasília, é um dos recordistas em projetos. Apresentou
uma emenda constitucional e 67 projetos de lei. Há
coisas relevantes, como leis sobre transplante, uso de
arma de fogo ou a venda de bebidas alcoólicas nas
estradas. Mas, nesse bolo, também há muitas
insignificâncias, como a criação do "dia do
assessor legislativo", a instituição da figura do
"motorista padrão" e até normas para
"rateio da gorjeta" entre empregados de um
estabelecimento.
"É um
engano" Outro aspecto vital
para explicar a imagem ruim do Congresso está numa velha
praga nacional, que desembarcou no Brasil junto com
Cabral o nepotismo. Entre os 81 senadores,
dezessete empregam parentes em seus gabinetes. Dos 513
deputados, 46 abrem vagas para quem tem o mesmo sangue
nas veias. O nepotismo é uma das falhas que a
população, em geral, não perdoa, e reforça a idéia
de que os políticos estão no exercício do mandato
apenas para cuidar de si próprios. "Eu durmo com
ele e sempre trabalhei com ele aqui no Senado. E a mãe
dele o pariu", justifica-se Maria Marlene Borges,
mulher do senador Gilvam Borges, do PMDB do Amapá, que,
além da esposa, também emprega sua progenitora, Cicera
Pinheiro Borges. O senador Ney Suassuna, do PMDB da
Paraíba, é um político produtivo e desenvolto, além
de estar bem de vida, dono que é de mais de 200
imóveis. No seu gabinete, emprega a sobrinha Silvia
Ligia Suassuna de Vasconcelos. Pode até se justificar o
emprego de uma sobrinha, mas nem ela acha isso, tanto que
se esconde. "É um engano. Meu nome é Silvia Ligia
de Vasconcelos. Nem tenho Suassuna no nome", disse
ela, para só admitir o parentesco depois de ouvir a
leitura do ato de sua nomeação, onde consta seu nome
completo.

Foto: Ana Araujo
Nunca houve tantos deputados e
senadores disputando a reeleição como agora.
São 86% do Congresso Nacional, contra 73% em
1990 e 80% em 1994. Na última eleição, apenas
43% das cadeiras continuaram em poder de seus
ocupantes.
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Desdobrando-se os
números do nepotismo no Congresso, porém, constata-se
que o quadro não é tão dramático. Dos dezessete
senadores que contratam parentes, só quatro empregam
mais de um. Entre os deputados, essa lista é de apenas
dois. A quantidade, é certo, não justifica o tamanho do
pecado, mas o nepotismo é bem mais disseminado em outros
poderes, em especial no Judiciário, onde há juízes
como Severino Marcondes Meira, que chegou a colocar 75
parentes no Tribunal Regional do Trabalho na Paraíba.
Mas há no Congresso uma tremenda resistência a tomar
uma decisão simples: proibir a contratação de
parentes. O senador Roberto Freire, do PPS de Pernambuco,
fez dois projetos nesse sentido. O primeiro, aprovado no
Senado, foi arquivado na Câmara. O segundo também
passou pelo Senado e está até hoje parado na Câmara.
Em 1991, o deputado Miro Teixeira montou uma comissão
para fazer reformas no Congresso. Coisas simples, como
formas de agilizar votações e evitar que a pauta do
Congresso fosse congestionada por projetos bobos. A
comissão elaborou doze projetos. Um deles proibia a
contratação de parentes no Congresso. Pronto. Por causa
disso, a reforma nunca saiu do papel.
Resultado:
zero Com tantos defeitos e um bom número
de parlamentares que não honram o voto que receberam, o
Congresso também tem seu lado positivo. A Casa não
funciona na segunda-feira e o fim de semana dos
parlamentares já começa na quinta. De fato, trabalha-se
pouco. Mas as faltas sem justificativa são muito mais
raras do que se pensa. VEJA selecionou dez votações na
Câmara e oito no Senado, entre as mais importantes desta
legislatura, para verificar a presença dos
congressistas. O resultado é que eles faltam muito às
sessões desimportantes, em que se vota projeto que troca
nome de rua, mas, na hora de tratar de assuntos de maior
relevância, estão quase todos lá. Nas oito votações
cruciais do Senado, ninguém faltou de forma exagerada.
Nas dez da Câmara, apenas dois deputados, Alvaro Valle,
do PL do Rio de Janeiro, e Fausto Martello, do PPB de
São Paulo, deixaram de votar em 40% das sessões mais
importantes. Eles estavam no Congresso, assinaram a
presença, mas não se deram ao trabalho de ir ao
plenário para votar a favor, contra ou se abster. VEJA
também investigou o número de políticos que nunca
participaram de uma comissão ou relataram projetos
e o resultado, na Câmara e no Senado, é zero.
Todos os 594 congressistas fizeram uma coisa ou outra.
Apurou-se, ainda, quantos aparecem atualmente em
denúncias sob investigações de CPIs ou da corregedoria
do Congresso. Mais uma vez, o número encontrado foi
zero. Bom sinal.
O Congresso
brasileiro não é pior nem melhor que os demais pelo
mundo afora. Aqui, há qualidades que não existem lá
fora e vice-versa. Sua atividade está cada vez mais
intensa. De acordo com uma pesquisa do cientista
político Fabiano dos Santos, do Instituto Universitário
de Pesquisas do Rio de Janeiro, Iuperj, até a
convocação da Constituinte, de 1988, apenas 20% das
leis aprovadas no Congresso eram de sua iniciativa
o restante vinha do governo. De 1995 para cá, o volume
de produção própria subiu para 55%, muito semelhante
ao nível que o Congresso exibia até antes do golpe de
64. Outro dado importante é que a Câmara e o Senado
têm uma sensibilidade social mais aguçada que o
governo. Nos últimos três anos, 75% das leis propostas
pelo Planalto eram sobre temas econômicos ou
administrativos. Das leis nascidas no Legislativo, 79%
diziam respeito a questões sociais e direitos do
cidadão. "Esta foi uma das legislaturas mais
produtivas da História, considerando-se o volume de leis
aprovadas", contabiliza o professor Jairo Nicolau,
também do Iuperj.
Os bons resultados
do Congresso acontecem porque, no fundo, os maus
parlamentares têm impacto próximo de zero sobre o seu
funcionamento geral. A expressão de cada indivíduo,
ali, só tem valor e peso quando se une a uma corrente de
pensamento mais ampla, de modo a englobar outros
políticos. Sozinho, um congressista pouco faz
para o bem ou para o mal. Por isso, é importante uma
liderança capaz de aglutinar em torno de si e dar
conseqüência às propostas. A gestão do deputado Luís
Eduardo Magalhães, morto em abril passado, como
presidente da Câmara, foi altamente produtiva devido a
essa característica. Ele conhecia cada um dos deputados,
rompeu com o chamado "colégio de líderes",
instância informal de cardeais da casa que decidia tudo,
e chamou a massa para o plenário. Pronto. A Câmara
ficou mais ativa e atuante. Para funcionar como máquina
azeitada, no entanto, o Congresso precisa mudar. Precisa
ser mais ágil, antecipar-se aos problemas, e não apenas
discuti-los quando já apareceram. Precisa, em resumo,
entender com mais profundidade que seu papel é
co-governar junto com o Executivo. No meio de uma crise
econômica como essa em que se meteu o Brasil, o
Congresso não deveria estar atônito e inerte como
está. Ele faz parte ativa da solução (ou deveria
fazer). Em muitos momentos decisivos, como a reforma da
Previdência ou a reforma administrativa, o Congresso, ao
contrário, fez parte do problema.
Há também a
questão de como a máquina legislativa está montada
para funcionar. Como está, tudo ali conspira para que um
projeto leve uma eternidade para ser aprovado. Na
Assembléia da França, existe uma comissão só para
analisar projetos antes de iniciarem tramitação.
Chamada de "comissão guilhotina", ela se
encarrega de excluir projetos inúteis, como mudar nome
de praça ou criar o dia do morango. Assim, a pauta de
votações jamais fica entupida, como acontece aqui, com
excesso de bobagens. Na Inglaterra, o parlamentar recebe
um papel do seu partido informando se deve ir à sessão
e como deve votar e é obrigado a fazê-lo. Na
Alemanha, todo projeto tem de ser votado em trinta dias.
Aqui, deputado falta quando quer, vota quando quer ou nem
vota. A infidelidade partidária é um dos maiores
entraves à agilidade congressual. Os deputados até
respeitam a orientação dos seus líderes. Segundo um
estudo recente, apenas 10% votam contra seus partidos. O
problema é que nunca se sabe qual o partido de alguns.
Nesta legislatura, 168 deputados e quinze senadores
trocaram de legenda. Não existe limite de vezes para
mudar de sigla, e a troca também não resulta em perda
do mandato, como acontece em alguns países. Por isso,
existe o deputado Francisco Rodrigues, de Roraima. Ele
foi eleito pelo PTB, correu para o PSDB, atracou-se ao
PPB, desviou-se para o PFL e, pelo menos até a semana
passada, estava empoleirado no PTB. Que compromisso com
idéias partidárias terá um cidadão desse tipo?
Fora
do painel
VEJA
pesquisou dez votações importantes desta
legislatura. Dois deputados faltaram a pelo menos
quatro delas:
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Alvaro
Valle (PL-RJ):
hoje no sexto mandato,
diz que não se lembra
das votações a que faltou |
Fausto Martello
(PPB-SP): faltou a
votações da reforma
da Previdência e
da reeleição |
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Os critérios
da avaliação
Como não
existe um método científico para analisar a
atuação de um parlamentar, VEJA examinou os
pontos mais objetivos e impessoais possíveis.
Para chegar à lista dos maus parlamentares,
consultaram-se três entidades que costumam fazer
radiografias do Congresso. O Instituto
Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro,
Iuperj, o Departamento Intersindical de
Assessoria Parlamentar, Diap, e o Instituto de
Estudos Sócio-Econômicos, Inesc, ajudaram a
definir oito critérios, que englobam aspectos
éticos (como ter processo criminal ou estar
envolvido em denúncias), políticos (como trocar
de partido exageradamente) e outros ligados à
essência da atividade parlamentar (como fazer
projetos ou votar nas sessões). Feito isso, VEJA
ouviu dez cientistas políticos, de diversas
correntes de pensamento, para avaliarem cada um
dos pontos, informando quais devem ter maior e
menor peso. Feita a média das opiniões, a falta
mais grave é a do político que apresenta
projetos em benefício pessoal. A falta menos
grave é a do político envolvido em denúncias,
já que acusação nem sempre é expressão da
verdade. Cento e quarenta deputados e senadores
apareceram em pelo menos um dos oito critérios
que definem o mau parlamentar.
Para
avaliar quem são os melhores, VEJA recorreu ao
levantamento do Diap, em que são apontados os
100 políticos mais influentes do Congresso. O
Diap checa se o político ocupa cargos no
Congresso, se tem liderança sobre os colegas, se
desfruta credibilidade e qual a sua formação.
De posse dessa lista, VEJA comparou-a com outra,
produzida pela consultoria política Arko Advice,
na qual 103 políticos são selecionados com base
na sua atuação em comissões, plenário, nos
projetos que propõem e no reconhecimento dos
seus pares. Consideraram-se como bons só os
deputados que apareciam nas duas listas: são 47.
Não há lista de senadores, porque eles só
foram avaliados pelo Diap.
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Com
reportagem de Alexandre Oltramari,
Expedito Filho, Leonel Rocha, de Brasília;
Ricardo Balthazar,
Maurício Lima e Alexandre Secco, de São Paulo

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