Ancelmo Gois

Política
A todo o galope

Desde que o presidente Fernando Henrique foi para a TV dizer que é grave a crise, o ibope de sua candidatura subiu 3 pontos — bateu em 50%, na sexta-feira. Deve ser caso único na história política um candidato crescer na preferência do eleitor depois de dizer que pode aumentar impostos.

O papel da política

A eleição deste ano já consumiu cerca de 20.000 toneladas de papel. Para transportar essa montanha seriam necessárias 800 jamantas. A conta é da turma do setor.

Dom Antonio vem aí

Lá para o dia 5 ou 6 próximos (portanto depois que a urna acabar de falar), o senador Antonio Carlos Magalhães desembarcará em Brasília com todo o gás. Vai disposto a convidar a oposição a entrar no time das reformas. "Se o preço para eles entrarem é taxar os ricos, eu topo", desafia.

Um pouco de mágica

O governo parece mesmo disposto a fazer os cortes na própria carne. Mas tem hora em que a equipe econômica joga para a arquibancada. Exemplo: quer transferir despesas de 300 milhões de reais do caixa do Tesouro para a Previdência Social. É a verba que se destina ao pagamento dos deficientes até dezembro. O truque ajuda o discurso de que o governo fez sua parte, mas a Previdência Social é problema do Congresso.

Parque
O negócio é brincar

A Universal Studios parece firme na idéia de fazer um parque temático no Brasil. Os sócios locais são os empresários José Isaac Peres e Júlio Bozano. Os dois têm a maior coleção de shoppings do país.

Burocracia
O feitiço virou

O Tribunal de Contas da União está sendo vítima do remédio que aplica nos outros. O posto de gasolina que abastece sua frota fica na Ceilândia — distante vinte minutos da sede do tribunal. Foi escolhido, como manda a lei, porque oferecia o menor preço. Só que esqueceram de dizer para a lei levar em conta o tempo e a gasolina que são gastos para ir até o posto naquela cidade-satélite e voltar.

Polícia
Bom irmão

Um grupo de vinte agentes da Polícia Federal foi aos EUA fazer um curso no DEA, o órgão de combate ao narcotráfico. Apenas um não foi escolhido pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes. O sortudo foi o agente Paulo Chelotti — irmão do diretor da PF, Vicente Chelotti.

Economia
Conta amarga

Veja essa teoria e uma conta feita por um economista que, naturalmente, não nutre simpatia pela equipe econômica do governo. Se o país não fosse tão vulnerável e dependente de recursos externos, poderia ter nos últimos anos uma reserva tranqüila de 40 bilhões de dólares. Mas, como não havia outro jeito, saiu por aí catando dólares que nem louco. Essa estratégia de reservas além da conta produziu um custo fiscal de 10,9 bilhões de reais de julho de 1995 para cá.

Hora das compras

A Brahma tem a metade do mercado de cerveja, três quartos do lucro do setor e uns 700 milhões de reais em caixa (segundo um banco). Nessa hora, dá uma coceira danada de comprar uma cervejaria no exterior. Além do que a crise baixou o preço das empresas.

Educação
Todos na escola

Em 1998, em relação ao ano passado, já há 1,6 milhão de crianças a mais matriculadas no ensino fundamental. O censo está na reta final.

Cultura
Dinheiro alto

Está nos retoques finais um empréstimo de 250 milhões de dólares do Banco Interamericano de Desenvolvimento para o setor cultural brasileiro. É muito dinheiro.

Casa de boneca

Foto: Sergio Berezovsky
Mesmo com a economia nublada, a indústria de brinquedos está despejando nas lojas cerca de 45 milhões de bonecas, para a temporada que vai do Dia da Criança até o Natal. Uma pesquisa da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos mostra que uma boneca usa em média sete roupas por ano ­ o que daria 315 milhões de vestidos. Um número de fazer inveja aos fabricantes de roupas para gente de carne e osso.

Corrupção
Perdeu a taça

O bem-humorado jornal Última Hora de Assunção diz que o Paraguai "subornou" a ONG Transparency International — aquela que lista os países mais corruptos. Só assim, acrescenta o jornal, se explica por que na reta final o país perdeu para Camarões o troféu mundial da roubalheira.

Aviação
Sem fundo

A Varig deve 311 milhões de reais ao fundo de pensão dos seus empregados.

Memória
A maldição

Para quem acha que o povo não sabe votar. Virou um inferno a vida dos três governadores da bancada dos precatórios. Divaldo Suruagy, de Alagoas, renunciou. Miguel Arraes, de Pernambuco, e Paulo Afonso, de Santa Catarina, estão perdendo na urna. Também o prefeito de São Paulo, Celso Pitta, come o pão que o diabo amassou.

Desemprego
Curto-circuito

Entre 1995 e 1997, o setor elétrico público e privado demitiu exatos 34.467 empregados. Quase dá para lotar o estádio de futebol do Pacaembu.

Ronaldo da Costa
Mesmo sem ser especialista em maratonas, o corredor brasileiro bateu o recorde mundial da prova.

Justiça de Alagoas
O Tribunal Regional Eleitoral vai exigir a apresentação do documento de identidade aos eleitores na hora do voto. A medida tenta diminuir o efeito da falsificação de títulos eleitorais.

Trânsito no Brasil
O Conselho Nacional de Trânsito criou penas mais duras para quem dirigir embriagado e resistir ao teste do bafômetro.

Ministério da Saúde
Depois de distribuir kits para exames de colo de útero com falhas de fabricação, o ministério decidiu não recolher o material, confiando que os médicos percebam o defeito antes de usar.

Justiça do Rio
A 30ª Vara Cível acatou ação contra Mário Zagallo pela derrota na Copa, apesar de ter outros 4.000 processos para julgar.

Trânsito do Paraná
O governador Jaime Lerner anistiou quase 90.000 motoristas que cometeram infrações consideradas pouco graves.


Colaboraram: Julio Cesar de Barros e Lauro Jardim




Copyright © 1998, Abril S.A.

Abril On-Line