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Em campanha contra a crise
Diante de quase
todo o primeiro escalão, durante uma cerimônia no
Ministério das Relações Exteriores, na semana passada,
o presidente Fernando Henrique Cardoso finalmente
resolveu dizer o que o governo precisa fazer para
enfrentar o quadro da atual crise econômica. Reconheceu
a gravidade da situação, admitiu a possibilidade de
retração da economia e prenunciou tempos difíceis, de
aperto de cinto para o brasileiro, até que o país possa
retomar o crescimento. Anunciou a intenção de tomar
medidas duras, as que forem necessárias, para que o
Brasil não seja devastado pelo terremoto financeiro que
já deixou um rastro catastrófico na Ásia e na Rússia.
Foi uma atitude inesperada, inédita no Brasil, para um
político a dias de ser julgado nas urnas.
Fernando Henrique
reconheceu que a encrenca básica do país é gastar mais
do que arrecada dos contribuintes. Numa linguagem
acessível a qualquer brasileiro, resumiu o dilema numa
equação simplíssima: o problema pode ser solucionado
cortando despesas ou ampliando receitas. Preveniu que um
aumento de impostos pode ser necessário, mas abriu a
possibilidade de fazer a operação por vias menos
traumáticas e mais racionais. "Vamos cortar as
despesas, mas poderá ser necessário também aumentar
receitas, sobretudo combatendo a sonegação e aumentando
o número dos que pagam impostos", disse. Não se
fala muito dessa questão no Brasil, um país onde poucos
pagam muito imposto e muitos que deveriam pagar nada
desembolsam. Corrigir essa distorção é o caminho mais
sensato para incrementar a arrecadação.

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