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Moda O
figurino de 1 milhão de dólares Esqueça
a história, a música, o cenário. Em O Diabo Veste
Prada, o que encanta mesmo são as roupas 
Bel Moherdaui
Fotos divulgação
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| Se Prada é a marca da chefe diabólica, Chanel
é a da sua assistente: aqui, no casaco ajustado, com botas até a coxa, míni de
tweed e top metalizado | A transformação começou:
cabelo escorrido, sobretudo de lã, boina de tweed Chanel, bolsa de cobra
Calvin Klein, sapatos Marni e luvas | Apressada, com estilo: vestido de
jérsei Calvin Klein, óculos escuros Chanel |
Como filme,
o maior elogio tem sido o de ser considerado melhor do que o livro que lhe deu
origem (o qual, diga-se, não é nenhuma grande obra da literatura
mundial, embora tenha vendido cerca de 20.000 cópias no Brasil e mais de
1 milhão nos Estados Unidos). Mas o que prende a atenção,
encanta e arranca suspiros na versão cinematográfica de O Diabo
Veste Prada, o livro de Lauren Weisberger que expõe o mundinho da moda
nas bem-cuidadas peles de uma editora de revista má como a peste e sua
determinada assistente, são as cores, volumes e tilintar de bling-blings
do fabuloso figurino, um desfile de grifes elegantes montado pela stylist e empresária
de moda Patricia Field, a mente por trás dos arroubos de ousadia indumentária
de Carrie Bradshaw (Sarah Jessica Parker) e amigas no seriado Sex and the City.
Com ajuda de três assistentes, Patricia montou cerca de quarenta conjuntos
de roupas e acessórios para a diabólica editora de moda Miranda
Priestly, interpretada por Meryl Streep, e outros sessenta para a assistente-capacho
Andrea Sachs (Anne Hathaway). Rechearam as araras dos camarins das duas atrizes
vestidos, casacos e outras peças com etiquetas como Louis Vuitton, Calvin
Klein, Giorgio Armani, Hermès, Louboutin, Gucci, Valentino e Chanel, num
total de 1 milhão de dólares em roupas e acessórios. Prada,
a marca do título, aparece até com parcimônia, em sapatos
(quatro em cada dez usados por Meryl Streep), um conjunto e uma escancaradamente
legendada bolsa de 1.445 dólares logo na abertura.
"O filme mostra o mundo da moda pelos
olhos de uma revista de moda. Precisei ter muito cuidado para não montar
um figurino compreensível apenas por quem vive nesse mundo. O importante
era criar um estilo original para a Miranda e usar marcas conhecidas para Andrea",
disse Patricia a VEJA. Na trama, a recém-formada Andrea Sachs aceita o
"emprego pelo qual milhões de garotas morreriam" e vira a faz-tudo de Miranda,
poderosa comandante da maior revista de moda dos Estados Unidos, a fictícia
Runway. Faz-tudo aqui não é força de expressão:
ela pendura os casacos de pele de milhares de dólares da chefe, busca seu
café pelando, leva seu cachorro ao veterinário, recolhe sua roupa
na lavanderia. Em troca, a moça, que era simplesinha de doer e tinha orgulho
disso, ganha acesso ao fantástico guarda-roupa amealhado pela revista e,
com a ajuda de uma espécie de fada madrinha fashion o editor de
moda Nigel (Stanley Tucci) , vira outra pessoa, chique, bem penteada e bem
maquiada. "No começo ela é uma garota comum. Não feia, nem
uma caricatura da falta de estilo, apenas comum. Quando se transforma em uma pessoa
fashion, passa a usar as grandes marcas que são fotografadas pela revista",
explica Patricia.
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| O charme dos acessórios: dois colares
de pérolas com vários pingentes e boina de tweed. A marca? Chanel
| Direto do acervo da Runway: sobretudo de lã, saia de veludo
Gucci, bolsa Chanel e botas Louboutin |
Quem gosta de moda perderá a pose e ficará de queixo caído
do meio até o fim do filme, quando Andrea, já de franja e cabelos
escorridos, desfila, um depois do outro e não necessariamente nesta ordem,
um sobretudo de lã creme com boina de tweed Chanel, uma bolsa-saco Calvin
Klein de pele de cobra dourada, sapatos de tweed cinza Marni e luvas, um sobretudo
de lã de carneiro Rebecca Taylor com saia de veludo berinjela Gucci, meia-calça
preta trabalhada, bolsa de couro Chanel, botas de couro Louboutin e gorro de cashmere,
um blazer justo de crepe de lã Chanel com minissaia de tweed marrom Kristina
Ti, top com aplicações metalizadas, botas de couro preto até
a coxa e colares de ouro vintage, uma camisa branca Miu Miu sobreposta por blusa
preta, boina Chanel e dois colares de pérolas com pingentes também
Chanel, um vestido de jérsei verde Calvin Klein com cinto de couro, sapatos
em verde dourado, bolsa dourada, óculos escuros Chanel uma vertiginosa
seqüência de tirar o fôlego e desviar a atenção
do resto da cena. O auge da elegância é atingido na festa de gala
em que ela surge deslumbrante em um longo preto John Galliano (Miranda veste na
mesma ocasião um Valentino confeccionado especialmente para o filme). "Amei
o vestido. Toda vez que o vestia, cantava Rich Girl, da Gwen Stefani. Fiquei
emocionada de usar algo tão lindo", suspira Anne Hathaway.
O figurino de Miranda, suposta caricatura da editora Anna Wintour, manda-chuva
da Vogue americana (de quem Lauren Weisberger foi assistente, mas que jura
de pés juntos não ter nada a ver com sua personagem), mereceu cuidados
especiais. "Por ser uma poderosa executiva da moda, não queria colocar
nela nada que se identificasse com algum período ou tendência. Queria
que tivesse seu estilo próprio", diz Patricia. No guarda-roupa básico
da personagem entraram peças do acervo Donna Karan da década de
80 e roupas pouco datadas da grife Bill Blass, além da infindável
seqüência de bolsas e casacos deslumbrantes que todo dia despeja na
mesa da assistente aproximadamente quinze de cada, num total de 30.000
dólares só em peles. "Uma das bolsas que eu usei no filme custava
12.000 dólares. Para mim, é inconcebível", declarou Meryl
Streep, de quem partiu a idéia de leiloar parte do figurino (outra parte
foi devolvida às grifes e algumas peças foram dadas de presente
às atrizes). Durante a filmagem,
Patricia, que atualmente faz a produção da versão americana
de Betty, a Feia, conta que uma de suas maiores dificuldades foi o orçamento
de 100.000 dólares, limitadíssimo para as ambições
do figurino. A solução, diz, foi apelar para "a ajuda de meus amigos
da indústria da moda", que emprestaram roupas e colaboraram sem cobrar
nada. Outro obstáculo, mais intangível, foi o receio de algumas
marcas de, com sua participação, atiçar a ira da Miranda
Priestly que impera na Vogue. "Realmente, alguns se preocuparam com a reação
de Anna Wintour e preferiram não participar. Se percebia desconforto, eu
não forçava", diz Patricia. O resultado, uma festa para os olhos,
poderá ser conferido a partir de 22 de setembro, data prevista para a estréia
do filme no Brasil.
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| Puro poder: em seqüência, Meryl-Miranda
desfila 30 000 dólares só em casacos de pele; na festa de gala (acima,
à direita), Valentino sob medida para ela, Galliano para a assistente
Andrea |  |  |  |
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