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Sociedade
Quanto mais longe, melhor
Casamento agora tem de ser "diferente":
difícil acesso, ar livre e mosquitos

Marcelo Bortoloti
João Sal/Folha Imagem
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Nilton Fukuda/Contigo
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| Luciana e Carvalho comemoram,
convidadas chegam sob chuva: carro antigo em vez de carruagem
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Toda noiva sabe: casar não
é fácil. E não estamos falando da decisão
de duas pessoas de se empenhar, se possível para sempre,
na difícil arte de viver a dois. Falamos, isso sim, da festa,
da cerimônia, do vestido, do bufê, das flores, dos convidados,
do altíssimo stress que é transformar o secular rito
do matrimônio em acontecimento único, surpreendente,
indelével na memória das pessoas. Ultimamente, quem
quer ousar e pode pagar, visto que uma festa dessas pode
custar até 500.000 reais casa-se ao ar livre, em local
remoto: uma praia, uma ilha, a encantadora capela de uma cidadezinha
do interior. A reboque, maquiados e emperiquitados, vão padrinhos
e convidados, enfrentando longas jornadas, pisando na lama e matando
mosquitos para testemunhar o feliz enlace. Pouca gente reclama e
no fim, na maioria dos casos, todo mundo se diverte. Mas que dá
trabalho, dá. "Partimos de São Paulo ao meio-dia,
de carro mesmo, porque o tempo estava fechado. Minha mulher, Sonia,
já estava maquiada e penteada. Chegamos ao hotel às
15 horas, o horário do convite. Só deu tempo de trocar
de roupa. Chegamos às 16 horas. Felizmente, a noiva só
entrou na igreja uma hora depois", relata o médico Roger
Abdelmassih, convidado do momentoso casamento da apresentadora Luciana
Gimenez, 36 anos, com Marcelo de Carvalho, 45, vice-presidente da
RedeTV!, numa fazenda à beira-mar em Ilhabela, a 220 quilômetros
de São Paulo. Choveu sem parar. "Mas a chuva constante não
comprometeu a alegria da festa", atesta Abdelmassih.
Fotos Gláucio Lacerda
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erda
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| Altar à beira-mar e passistas:
surpresas em praia isolada de Angra dos Reis |
Luciana casou sob um toldo de
plástico que cobriu 600 metros quadrados, com piso de madeira.
Chegou num carro antigo alugado de um colecionador de Vinhedo, interior
de São Paulo (uma carruagem com dois cavalos negros estava
a postos, mas a chuva...). Caminhou até o altar sobre uma
passarela de madeira. Mesas e cadeiras acomodaram 230 convidados
para um jantar de oito pratos. Um DJ cuidou da música. Dois
geradores da emissora do noivo providenciaram luz extra. Pois, tirando
450 quilos de gelo comprados na ilha, tudo, rigorosamente tudo,
viajou do continente. "A balsa não transporta veículo
de mais de 30 toneladas. Além disso, tive de coordenar o
peso de cada caminhão com a maré. Na quinta-feira,
por exemplo, caminhão só pôde cruzar entre meio-dia
e 15 horas", relatou, exausto, Bruno Zani, sócio do Renato
Aguiar Buffet, que, tal qual um general em guerra, planejou a logística
do transporte de dezessete caminhões e 45 toneladas de material
para o casamento. Ostras frescas foram colhidas às 6 da manhã
de sábado em Santa Catarina e chegaram às 16 horas
a Ilhabela, depois de viajar por ar, terra e mar. O bolo de 80 quilos
viajou sete horas, num carro com motorista e acompanhante. "Foi
a entrega mais difícil que já fiz em meus dez anos
de boleira", declara Isabella Suplicy. Dos vinte helicópteros
esperados (o convite incluía coordenadas do heliponto), só
quatro pousaram. Carrinhos de golfe e funcionários com guarda-chuvas
ajudaram os convidados a chegar mais ou menos secos ao local da
festa. "Tivemos só cinqüenta dias para planejar e organizar
tudo, inclusive alternativas para o dia chuvoso que acabou acontecendo",
suspira Vera Simão, a coordenadora-geral.
Fotos Cris Berger
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ger
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| Chegada e partida dos noivos em
Fernando de Noronha: o.k. do Ibama |
Vera é uma das mais conhecidas
e solicitadas entre os muitos profissionais que hoje em dia se especializam
em transformar ambientes agrestes em espaços luxuosos para
casamentos. "O mercado está se qualificando. Cada vez mais
temos fornecedores para realizar a festa onde o cliente desejar",
afirma Marina Klink, mulher do navegador Amir Klink, que também
faz casamentos exóticos. Em matéria de distância,
limites vão sendo superados a cada "sim". A carioca Rosa
Maciel, conhecedora de capelas e locais românticos de Maresias,
em São Paulo, a Búzios, no Rio de Janeiro, há
dois anos incluiu no seu cardápio Fernando de Noronha, a
545 quilômetros da costa de Pernambuco. Já produziu
oito casamentos lá, apesar do preço (120.000 reais
para cinqüenta pessoas, sem contar transporte e hospedagem)
e das dificuldades. Convidados e noivos precisam de autorização
do Ibama para entrar. O bolo vem do Recife numa viagem de barco
que dura quarenta horas. Móveis, toalhas e flores vão
e voltam, já que nada pode ser deixado na ilha.
Imprevistos acontecem, e como.
O cerimonialista Eduardo Costa, organizador de portentosos matrimônios
em Brasília, Goiás e outros estados do Centro-Oeste,
lembra de uma festa em que os noivos chegaram pomposamente de helicóptero.
Quando desceram, o véu da noiva foi arrancado pela hélice.
"Ela teve de entrar toda despenteada", diz. Costa já produziu
também um casamento debaixo d'água numa piscina
em Ubatuba, com os noivos usando roupa de mergulho, a dela branca
e a dele, preta. O padre-mergulhador conduziu a cerimônia
com gestos. Os convidados a acompanharam num telão, do lado
de fora. Percussionistas, VJs, bandas e até escolas de samba
ajudam a animar o público. No matrimônio de um casal
de empresários realizado num altar montado em local isolado
na região da Praia do Frade, em Angra dos Reis (os noivos
chegaram de lancha, os convidados de catamarã), passistas
de escola de samba saíram uma a uma do meio de arbustos.
"Foi uma surpresa para todos", diz a organizadora Leila Soares.
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COMO ESTA, NUNCA MAIS
Arquivo pessoal
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| Cora-Marie e Justin no Havaí:
dinheiro muito bem gasto |
Casado, acomodado, bem de vida, o casal resolve ter
filhos. Pronto: é hora de outra viagem, a babymoon.
Idéia bem divulgada por agências de viagem
nos Estados Unidos, babymoon, trocadilho com honeymoon,
é a lua-de-mel que o casal faz pouco antes de
ter o primeiro filho e ver sua vida mudar para sempre.
Pesquisas mostram que hoje em dia 59% dos casais americanos
nessa situação fazem a viagem, a maioria
por volta do sexto mês de gravidez. Romance e
descanso são itens obrigatórios. Em Porto
Rico, os donos do hotel Casa Picaflores oferecem "o
último" jantar à luz de velas. O Mandarin
Oriental, de Macau, tem uma hora e vinte minutos de
massagem com técnicas especiais para grávidas.
Para as dispostas a enfrentar o balanço do mar,
há cruzeiros especializados de três dias,
com palestras e aulas. "O problema é que gravidez
é o único assunto a bordo. Estranhos me
perguntavam quanto tempo eu planejava amamentar e pediam
para sentir o bebê se mexendo na minha barriga",
lembra a médica Linda Jacob, 34 anos, que mora
em Washington e fez um cruzeiro pelas Ilhas Virgens
em maio. A violinista Cora-Marie Reuter, 29 anos, de
Seattle, passou uma semana em julho no Havaí
com o marido, Justin, 26, lendo ("sobre bebês")
na praia e observando peixes com máscara e snorkel.
"Descobri uma vantagem da gravidez: a barriga ajuda
a flutuar", brinca. Gastou pouco mais de 3.000 dólares
(6.500 reais), sem arrependimento algum. "Sabemos que
não vamos ter tempo nem dinheiro para fazer outra
viagem dessas nos próximos dezoito anos", suspira.
Adriana Maxilimiano,
de Washington
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Com reportagem de
Sandra Brasil
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