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Edição 1971 . 30 de agosto de 2006

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Carta ao leitor
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Sociedade
Quanto mais longe, melhor

Casamento agora tem de ser "diferente":
difícil acesso, ar livre e mosquitos


Marcelo Bortoloti


João Sal/Folha Imagem
Nilton Fukuda/Contigo
Luciana e Carvalho comemoram, convidadas chegam sob chuva: carro antigo em vez de carruagem

Toda noiva sabe: casar não é fácil. E não estamos falando da decisão de duas pessoas de se empenhar, se possível para sempre, na difícil arte de viver a dois. Falamos, isso sim, da festa, da cerimônia, do vestido, do bufê, das flores, dos convidados, do altíssimo stress que é transformar o secular rito do matrimônio em acontecimento único, surpreendente, indelével na memória das pessoas. Ultimamente, quem quer ousar – e pode pagar, visto que uma festa dessas pode custar até 500.000 reais – casa-se ao ar livre, em local remoto: uma praia, uma ilha, a encantadora capela de uma cidadezinha do interior. A reboque, maquiados e emperiquitados, vão padrinhos e convidados, enfrentando longas jornadas, pisando na lama e matando mosquitos para testemunhar o feliz enlace. Pouca gente reclama e no fim, na maioria dos casos, todo mundo se diverte. Mas que dá trabalho, dá. "Partimos de São Paulo ao meio-dia, de carro mesmo, porque o tempo estava fechado. Minha mulher, Sonia, já estava maquiada e penteada. Chegamos ao hotel às 15 horas, o horário do convite. Só deu tempo de trocar de roupa. Chegamos às 16 horas. Felizmente, a noiva só entrou na igreja uma hora depois", relata o médico Roger Abdelmassih, convidado do momentoso casamento da apresentadora Luciana Gimenez, 36 anos, com Marcelo de Carvalho, 45, vice-presidente da RedeTV!, numa fazenda à beira-mar em Ilhabela, a 220 quilômetros de São Paulo. Choveu sem parar. "Mas a chuva constante não comprometeu a alegria da festa", atesta Abdelmassih.


Fotos Gláucio Lacerda
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Altar à beira-mar e passistas: surpresas em praia isolada de Angra dos Reis

Luciana casou sob um toldo de plástico que cobriu 600 metros quadrados, com piso de madeira. Chegou num carro antigo alugado de um colecionador de Vinhedo, interior de São Paulo (uma carruagem com dois cavalos negros estava a postos, mas a chuva...). Caminhou até o altar sobre uma passarela de madeira. Mesas e cadeiras acomodaram 230 convidados para um jantar de oito pratos. Um DJ cuidou da música. Dois geradores da emissora do noivo providenciaram luz extra. Pois, tirando 450 quilos de gelo comprados na ilha, tudo, rigorosamente tudo, viajou do continente. "A balsa não transporta veículo de mais de 30 toneladas. Além disso, tive de coordenar o peso de cada caminhão com a maré. Na quinta-feira, por exemplo, caminhão só pôde cruzar entre meio-dia e 15 horas", relatou, exausto, Bruno Zani, sócio do Renato Aguiar Buffet, que, tal qual um general em guerra, planejou a logística do transporte de dezessete caminhões e 45 toneladas de material para o casamento. Ostras frescas foram colhidas às 6 da manhã de sábado em Santa Catarina e chegaram às 16 horas a Ilhabela, depois de viajar por ar, terra e mar. O bolo de 80 quilos viajou sete horas, num carro com motorista e acompanhante. "Foi a entrega mais difícil que já fiz em meus dez anos de boleira", declara Isabella Suplicy. Dos vinte helicópteros esperados (o convite incluía coordenadas do heliponto), só quatro pousaram. Carrinhos de golfe e funcionários com guarda-chuvas ajudaram os convidados a chegar mais ou menos secos ao local da festa. "Tivemos só cinqüenta dias para planejar e organizar tudo, inclusive alternativas para o dia chuvoso que acabou acontecendo", suspira Vera Simão, a coordenadora-geral.


Fotos Cris Berger
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Chegada e partida dos noivos em Fernando de Noronha: o.k. do Ibama

Vera é uma das mais conhecidas e solicitadas entre os muitos profissionais que hoje em dia se especializam em transformar ambientes agrestes em espaços luxuosos para casamentos. "O mercado está se qualificando. Cada vez mais temos fornecedores para realizar a festa onde o cliente desejar", afirma Marina Klink, mulher do navegador Amir Klink, que também faz casamentos exóticos. Em matéria de distância, limites vão sendo superados a cada "sim". A carioca Rosa Maciel, conhecedora de capelas e locais românticos de Maresias, em São Paulo, a Búzios, no Rio de Janeiro, há dois anos incluiu no seu cardápio Fernando de Noronha, a 545 quilômetros da costa de Pernambuco. Já produziu oito casamentos lá, apesar do preço (120.000 reais para cinqüenta pessoas, sem contar transporte e hospedagem) e das dificuldades. Convidados e noivos precisam de autorização do Ibama para entrar. O bolo vem do Recife numa viagem de barco que dura quarenta horas. Móveis, toalhas e flores vão e voltam, já que nada pode ser deixado na ilha.

Imprevistos acontecem, e como. O cerimonialista Eduardo Costa, organizador de portentosos matrimônios em Brasília, Goiás e outros estados do Centro-Oeste, lembra de uma festa em que os noivos chegaram pomposamente de helicóptero. Quando desceram, o véu da noiva foi arrancado pela hélice. "Ela teve de entrar toda despenteada", diz. Costa já produziu também um casamento debaixo d'água – numa piscina em Ubatuba, com os noivos usando roupa de mergulho, a dela branca e a dele, preta. O padre-mergulhador conduziu a cerimônia com gestos. Os convidados a acompanharam num telão, do lado de fora. Percussionistas, VJs, bandas e até escolas de samba ajudam a animar o público. No matrimônio de um casal de empresários realizado num altar montado em local isolado na região da Praia do Frade, em Angra dos Reis (os noivos chegaram de lancha, os convidados de catamarã), passistas de escola de samba saíram uma a uma do meio de arbustos. "Foi uma surpresa para todos", diz a organizadora Leila Soares.

 

COMO ESTA, NUNCA MAIS

Arquivo pessoal
Cora-Marie e Justin no Havaí: dinheiro muito bem gasto


Casado, acomodado, bem de vida, o casal resolve ter filhos. Pronto: é hora de outra viagem, a babymoon. Idéia bem divulgada por agências de viagem nos Estados Unidos, babymoon, trocadilho com honeymoon, é a lua-de-mel que o casal faz pouco antes de ter o primeiro filho e ver sua vida mudar para sempre. Pesquisas mostram que hoje em dia 59% dos casais americanos nessa situação fazem a viagem, a maioria por volta do sexto mês de gravidez. Romance e descanso são itens obrigatórios. Em Porto Rico, os donos do hotel Casa Picaflores oferecem "o último" jantar à luz de velas. O Mandarin Oriental, de Macau, tem uma hora e vinte minutos de massagem com técnicas especiais para grávidas. Para as dispostas a enfrentar o balanço do mar, há cruzeiros especializados de três dias, com palestras e aulas. "O problema é que gravidez é o único assunto a bordo. Estranhos me perguntavam quanto tempo eu planejava amamentar e pediam para sentir o bebê se mexendo na minha barriga", lembra a médica Linda Jacob, 34 anos, que mora em Washington e fez um cruzeiro pelas Ilhas Virgens em maio. A violinista Cora-Marie Reuter, 29 anos, de Seattle, passou uma semana em julho no Havaí com o marido, Justin, 26, lendo ("sobre bebês") na praia e observando peixes com máscara e snorkel. "Descobri uma vantagem da gravidez: a barriga ajuda a flutuar", brinca. Gastou pouco mais de 3.000 dólares (6.500 reais), sem arrependimento algum. "Sabemos que não vamos ter tempo nem dinheiro para fazer outra viagem dessas nos próximos dezoito anos", suspira.

Adriana Maxilimiano, de Washington

 

Com reportagem de Sandra Brasil

 
 
 
 
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